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E o primeiro homem disse:
- Vamos construir!
E assim fizeram:
Barro, galhos, folhas.
E o segundo homem disse:
- Vamos construir mais!
E assim fizeram:
Barro, galhos, folhas, pedras.
E o terceiro homem disse:
- Vamos construir mais e maior!
E assim fizeram:
Mais barro, mais galhos, mais galhos, mais pedras, .
E o quarto homem disse:
- Vamos construir mais, maior e resistente!
E assim fizeram:
Sai barro, saem galhos, saem folhas, entra areia, calcário rico em argila reduzido a pó, água, liga de ferro e carbono, pedras.
E o quinto homem disse:
- Vamos construir mais, maior, resistente e alto!
E assim fizeram:
Mais areia, mais calcário rico em argila reduzido a pó,mais água, mais liga de ferro e carbono, mais pedras.
E o sexto homem disse:
- Vamos construir mais, maior, resistente, alto e econômico!
E assim fizeram:
Mais areia, mais calcário rico em argila reduzido a pó, mais água, mais liga de ferro e carbono, saem pedras, entra barro queimado em formato quadrado ou retangular.
E o sétimo homem disse:
- Vamos construir mais, maior, resistente, alto, econômico e melhor!
E assim fizeram:
Mais areia, mais calcário rico em argila reduzido a pó, mais água, mais barro queimado em formato quadrado ou retangular, mais liga de ferro e carbono, areia superaquecida e resfriada.
E o oitavo homem disse:
- Vamos construir mais, maior, resistente, alto, econômico, melhor e bonito!
E assim fizeram:
Mais areia, mais calcário rico em argila reduzido a pó, mais água, mais barro queimado em formato quadrado ou retangular, mais liga de ferro e carbono, mais areia superaquecida e resfriada, pigmento.
E o nono homem disse:
- Que se acabe com o silêncio!
E assim fizeram:
Nasceu a construção civil.
sobre a obra
Em homenagem aos pedreiros que trabalham na obra ao lado de minha casa (apesar de eu saber que a culpa não é deles!).
tags: Porto Alegre RS poesia construcao civil silencio barro cimento vidro areia pigamento
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Nossa!
Que infero!
Gostei!
Renato de Mattos Motta · Porto Alegre (RS) · 22/7/2008 10:37
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Pior! É um inferno mesmo! Os caras começam a trabalhar as 7 horas da manhã, da-lhe machadada, martelada, furadeira e afins... e no sabádo também!
Mas o que eu acho ruim de verdade nesta construção em particular não é exatamente o barulho, o foda mesmo é no lugar onde hoje se constroe um prédio de 13 andares antes havia duas belíssimas casas dos anos 40 com terrenos enormes e o melhor de tudo: árvores e mato. Pássaros. Era lindo... Mas paciência, essa é a evolução.
Beijos, Aninha.
Ana Beise · Porto Alegre (RS) · 22/7/2008 15:23
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Não, Aninha...
evolução não...
isso é a burrice institucionalizada!
Vide: aquecimento global
Renato de Mattos Motta · Porto Alegre (RS) · 22/7/2008 22:39
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maravilha de texto poético. Bjos e votos.
graça grauna · Jaboatão dos Guararapes (PE) · 24/7/2008 08:38
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de beleza leve e bom de se ler.votei.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 24/7/2008 12:22
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O irônico é você ir lá querer um apartamento, depois !
Um beijo, de quem já morou ao lado de um prédio em construção... estressou ? vai pescar, na boa, não adianta, é o progresso, menina !
Alcanu
alcanu · São Paulo (SP) · 24/7/2008 12:26
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E assim, nos prenderam em 4 paredes e hoje somos prisioneiros... assim deveria ser o fim desse poema! Valew
Nic NIlson · Campinas (SP) · 24/7/2008 18:15
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Obrigado a todos!
Eu ia escrever um monte de coisas sobre a modernidade e o quanto sa superinformação e a superconstrução de coisas me encomodam, mas deixa pra lá, só de pensar já me encomoda! E o Overmundo não tem nada a ver com isso!
Beijos, Aninha
Ana Beise · Porto Alegre (RS) · 24/7/2008 18:24
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Corrigindo: depois do 'quanto', na primeira frase, invés de 'sa' deveria ser um 'essa'.
É a modernidade conspirando contra mim....
Heheheh
Ana Beise · Porto Alegre (RS) · 24/7/2008 18:26
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E ao redor dela uma conturbada civilização moderna. é a indelével marca da humanidade, nem bom nem ruim, apenas o é.
Marcos Pontes · Eunápolis (BA) · 24/7/2008 19:52
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Verdade...
Ana Beise · Porto Alegre (RS) · 24/7/2008 19:53
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Oi Ana
Belo poema!
Indignada? E eu então, já fiquei sem um belo arvoredo por causa de uma espigão que estão construindo bem na minha cara.
A modernidade tem seu preço.
Bjssssss
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 25/7/2008 00:32
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E desse dia em diante ninguém mais teve paz!
Interessante o seu poema. Gostei.
Beijo.
Sônia Brandão · Bauru (SP) · 25/7/2008 01:31
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Admiro construções inteligentes.Gosto de ver a CASA DO FUTURO...
Construídas no MAR, são lindas! Confortáveis...Tenho visto algumas que me deixam com água na boca...(rsrsrs) Seu texto é muito bom.
Gostei!
Um bj com um
VOTO CERTO da
Sílvia
silviaraujomotta · Belo Horizonte (MG) · 25/7/2008 14:35
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