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O TAXISTA QUE SABE O QUE QUER! (UMA CRÔNICA DE 180 MIL REAIS)

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Robert Portoquá · São Paulo, SP
10/9/2007 · 85 · 10
 

O TAXISTA QUE SABE O QUE QUER!

Era um “calça branca”! Chegou ao PA e, após cumprimentar o “primo” informou seu prefixo. Puxou papo com o motorista do segundo carro da fila a fim de se enturmar.
– Olá! Meu nome é Joelmir, e estou começando hoje nesta rádio! Como vão as coisas?
Demonstrando não dar muita importância à presença do novo colega, Gastão respondeu meio desgostoso. – Vão indo.
Joelmir, sedento de informações insistiu:
– É que hoje farei minha primeira corrida, eu nunca trabalhei em rádio táxi antes.
– Então, Instruiu Gastão, com ares de professor:
– É melhor você ficar no seu carro com o rádio ligado para ir se acostumando a copiá-lo, pois até se familiarizar com os códigos demora um pouco. De resto, é prestar um bom atendimento ao passageiro, ter um certo conhecimento da cidade e principalmente saber utilizar-se do guia e nunca, nunca ter vergonha de pedir informações quando estiver com dúvidas. São Paulo é enorme! E até mesmo para os mais experientes taxistas há locais em que para se chegar, necessita-se da ajuda do guia e dos colegas. Anote aí o número do meu celular e qualquer emergência não tenha dúvida, me ligue!
Dada a firmeza das palavras do companheiro, após trocarem os números dos celulares, Joelmir entrou em seu carro, aumentou o volume do rádio, pegou o manual da rádio táxi, abriu na página dos códigos e passou a estudá-los...
Algum tempo depois de somente se falarem por telefone, os colegas voltaram a se encontrar.
Gastão sabendo que Joelmir já estava plenamente adaptado ao trabalho elogiou sua performance e convidou-o para um café. Num bate-papo descontraído abordaram diversos assuntos entre eles futebol, política, obviamente o momento que passava o serviço de táxi em São Paulo, e prolongaram-se no campo das finanças.
Sentindo-se à vontade para falar, pois Joelmir era bom ouvinte, Gastão segredou ao amigo que há tempos vinha travando uma batalha infrutífera contra o que ele chamava de “vender o almoço para pagar a janta”, ou seja, trabalhava, trabalhava, e não conseguia fazer uma poupança, algo que almejava desde tempos passados. Joelmir, então indagou a Gastão quais eram seus desejos e sonhos, objetivos e metas e qual seria seu plano estratégico para atingir tais expectativas; ao que Gastão respondeu com uma leve irritação:
– O que você está dizendo? Perguntou áspero, e continuou: – Eu estou te falando de coisas concretas e você me vem com sonhos, desejos, expectativas, ta me gozando?
Joelmir disse em tom apaziguador:
– Olhe meu amigo, sou-lhe muitíssimo grato, pois as dicas que me destes em meu primeiro dia aqui na rádio e as dúvidas que me esclarecestes por telefone, valeram muito para facilitar meu trabalho. Com isto, me adaptei mais rápido do que imaginava; sendo assim, se me permiti, devo retribuir dando a você algumas dicas que, acredito vão te ajudar a iniciar a tão almejada poupança.
– Por acaso você é consultor financeiro? Debochou Gastão.
– Negativo! Retrucou Joelmir. E calmamente passou a explicar ao amigo que sentia se à vontade em ajudá-lo, pois tinha suas finanças na ponta do lápis e iniciou: – A primeira coisa que você precisa identificar é qual seu maior sonho: Ter seu apartamento, seu carro e seu alvará; viajar pelo Brasil; comprar uma casa na praia, etc.? Definido este objetivo maior, você passa então a estabelecer metas desafiadoras, porém acessíveis, para atingi-lo num determinado período de tempo. Saiba que mais longo será o prazo para realização de seu sonho quanto menor forem suas metas. Por exemplo: Digamos que para realizar seu sonho você necessite acumular um montante de R$ 180.000,00 e que você deseje realizá-lo com quarenta e cinco anos, ok?
Gastão observava o colega atentamente e ao me

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informações

Autoria
Robert Portoquá
Ficha técnica
Primo do PA: O primeiro carro da fila num ponto de táxi.
PA: Ponto de táxi, mais utilizado no ambiente do rádio-táxi.
Calça Branca: O taxista novato, aquele que inicia na profissão.
Copiar o rádio: ?Ficar na escuta? Permanecer ouvindo o rádio
Rádio operador(a): Profissional que atua numa rádio-táxi e que recebe as solicitações de corridas dos passageiros e transmite para o taxista através do rádio.

*Esta crônica foi publicada no jornal Folha do Motorista, (ano XXIII, nº 545 circulação 04 a 17/09/2007, tiragem 60 mil exemplares) que circula em São Paulo e é direcionado aos meus colegas taxista. ? www.folhadomotorista.com.br ? folhadomotorista@uol.com.br
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Cintia Thome
 

Não consegui abrir o doc...
Volto para ver se dá certo...
bjus.

Cintia Thome · São Paulo, SP 7/9/2007 07:58
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Andre Pessego
 

Esta é, acho, a terceira cronica sobre taxis que leio tua.
Lembras, houve uma época, no bojo de 64 a 70 e qualquer coisa para burlar a sensura alguns jornalistas contavam casos de taxistas-turistas-passageiros.
um abraço, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 9/9/2007 19:23
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Mecenas
 

Parabéns pelo trabalho, Robert.
O Centro Cultural Araçá possui a Gráfica-Escola e o Núcleo de Produção Audiovisual - RTV ARAÇÁ formado por jovens. Estamos abertos a desenvolvimento de projetos de editoração e produção de dvd/cd.
MECENAS
www.projetoaraca.org.br
www.videolog.tv/tv_araca
www.rtvaraca.com.br

Mecenas · São Mateus, ES 9/9/2007 20:42
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Robert Portoquá
 

É verdade Andre, naqueles tempos tudo valia para se enviar mensagens e driblar a censura! Hoje não precisamos mais destes artifícios, podemos falar diretamente, o que por vezes faltam são ouvidos atentos...
Abçs.

Robert Portoquá · São Paulo, SP 9/9/2007 22:02
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Roberta Tum
 

Robert, muito legal sua crônica.
Gostei bastante da perspectiva.
Realmente, todo mundo é capaz. Exemplos não faltam por aí.
O duro é persistir e resistir aos sonhos de consumo.
Literatura de primeira, inspiradora!
Abraços!

Roberta Tum · Palmas, TO 10/9/2007 09:42
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Robert Portoquá
 

Valeu Roberta!
Sem deixar nosso lado poético de lado, realmente, podemos conseguir, com perseverança, o que quisermos.
Obrigado pelo comentário e um grande abraço!

Robert Portoquá · São Paulo, SP 10/9/2007 11:28
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Osvaldo
 

Oi, Robert!!!
Gostei da sua crônica, mas eu vi um furo na matemática que utilizou. Na verdade era preciso ganhar mais que R$ 57,69 por dia. Existem contas eternas na vida comum, como, a conta da luz, alimentação, água, vestimenta, escola das crianças e etc. Para saber quanto devia ganhar, ele tinha que colocar isso no lápis também. Será que estou escrevendo besteira???
Porém esse é o caminho!!!
Parabéns, Robert!!!!

PS: Obrigado pelo apoio.

Osvaldo · Olinda, PE 10/9/2007 11:34
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Benny Franklin
 

Robert, acabo de ler tua magnífica crônica. E fechei-a com meu humilde voto.
Abçs. Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 10/9/2007 13:04
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Robert Portoquá
 

Olá Osvaldo!
Você tem razão. O que Joelmir disse a nosso amigo Gastão é que ele precisa poupar, aquele valor por dia, sendo assim, ou ele economiza esta quantia, ou terá que ganhá-la.
Para os taxistas, em geral os ganhos são calculados por dia.
Este valor de R$57,69 pode significar que ele tenha que fazer uma ou duas corridas a mais por dia de trabalho antes de voltar para casa, entendeu?
Abçs.

Robert Portoquá · São Paulo, SP 10/9/2007 14:17
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Robert Portoquá
 

Oi Benny!
Seus comentários e sua visita só me enchem de honra e orgulho.
Grande abraço!

Robert Portoquá · São Paulo, SP 10/9/2007 14:20
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