O sol se põe sobre o Viaduto Cury,
raios languidos e tépidos
amornam as vértebras da tarde
que caminha para o suicidio
das horas.
A cidade abre o seu ventre
para receber o bafejo
da noite que avança
( com sua vestimenta de medo)
sobre a Vila Industrial
e promete mistérios.
Na Avenida Prestes Maia
edificios sofridos de poluição
guardam no limo
de seus antigos calendários
vestigios de um tempo
que nunca vivi.
No Terminal Central
o caos se instala:
vidas vão
vida vem
vidas vão e vem
cada uma levando
sua cruz
e atravessam a pátina
do crepusculo.
Lá para os lados de Viracopos
( ninho de aviões)
um pássaro solitário
( com asas de nevoa)
desce os degraus do vento
e corta o ar da tarde
relembrando antigos
ocasos esquecidos.
Enfim, a tarde capitula
definitivo o sol desce,
e essa saudade de Campinas
me anoitece.
Este poema é dedicado a jovem dama da poesia contemporanêa brasileira, Cintia Thome, cuja a inteligência e a cultura deixam-me num dilema quase shakespeareano: não sei a exalto ou se a invejo.
Belo poema e justa homenagem a Cintia Thome,
cujo livro de poemas é um dos melhores do ano.
Abçs,
Benny Franklin
Julio,
Gostei das cores e tons do poema. Bela e merecida homenagem!!!
GRANDE abraço!!!
Júlio!
Vi que conheces bem nossa (que já não é minha) Campinas... E a homenagem a Cintia, perfeita! Conseguir ver o por do sol do Vaduto Curi com olhar de poeta e encontrar beleza nele... Coisas que somente uma musa/homenageada como Cintia poderia despertar!
Bravos!
Abraços!
Julio, conhecer o crepúsculo de Campinas em seus versos é um privilégio e um deleite.
Quanto à poeta, Cintia da folha, de todos os versos e crepúsculos, só algum poeta tal qual você, imenso, para homenageá-la de acordo com a grandeza dela.
beijos
Uma bela, e carinhosa homenagem, para essa amiga que além de esbanjar talento, possui o dom maior de prestigiar os menos favorecidos com tal privilégio. Parabéns ao autor e um abraço carinhoso em nossa querida Cintia.
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 20/4/2008 00:06
Campinas...Campinas...vôos...pé no chão...deu-me vontade de pisar aqueles "campinhos" de futebol ao largo da av. Orozimbo Maia, onde hoje grito em desespero no transito, ver as paineiras caindo sobre às ruas, não existem mais...os altos e centenários flamboyants vermelhos, tapetes nas ruas de paralelepípedos...o bonde de minha infância...s catedrais lotadas ...a banda no coreto da Praça Carlos Gomes e depois uma maçã do amor ou puxa-puxas...
Nem sei o que dizer que você retratou tao bem o que é chegar e ir de Campinas, Cisade das Andorinhas, que um dia quase todas foram exterminadas pela insanidade do poder de um Prefeito...mas ainda Campinas das Andorinhas que vem e vão, como você..
Minha gratidão, não exalte, sou apenas uma andorinha que tenta sobreviver num ninho., neste mundo que já não é mais nosso, que muitos fizeram como de ninguém...Parabens
Colocarei no meu blog... Ah, como estou comovida...
Cintia,
Passei para ler apreciar e votar.
Um bj
Viaduto Cury...uma ponte tão bonita...lá havia um amplo jardim, com flores advindas das estufas do Insituto Agronomico de Campinas, (maior instituto de pesquisa do País), havia um relógio de sol, chamado de relógio das flores, hoje, infelizmente quem olha prá baixo vai ver só onibus e camelôs, hoje um terminal infernal ...mas como hoje vivemos mais em apartamentos, com vidas tão individuais e cada vez mais individualistas...mas quando fico longe daqui, quero voltar, ainda se pode amar por aqui...
Agradeço mais uma vez....já está no blog, rs
bju
Uma homenagem digna e merecida.Um grande e carinhoso abraço aos dois.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 21/4/2008 12:34
Cintia Thomé merece todas as homenagens, não só por sua poesia de lirismo inconfundível mas também por sua simplicidade, carisma e linda pessoa que é.
Parabéns pela poesia-homenagem e
beijos para a homenageada.
Wander.
Maravilha de poeta e de poema....Acho que toda inspiração se deva ao fato, da beleza de seu coração e da arte em escrever ter estado com ela quando ainda estava no ventre de sua mãe...
A poesia corre em suas veias...e são verdes como seus olhos...
beijos
Marilis
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