Aos homens, micróbios, crenças;
Que assaltam o peito, o leito,
De todos que nos mangues padecem.
Num golpe mortal,
Num surto de dengue,
Num saque fatal,
Com a frieza da inquisição,
Com a morbidez da excreção.
Aos que regurgitam excrementos
De nomes mil,
De faces cor de anil;
Na cianose do famélico
Apodrece Isabel, João, Pedro, Henrique,
Frederico...
Soberanos sem terra,
Gado que se ferra,
Agonia que é eterna.
Aos que cospem sorrisos amarelos,
Que agonizam no posseiro
Que ara o mundo em sonhos;
Em nações indígenas,
Viajantes clandestinas
Em civilização que lhes aflige a vida.
Ao corpo de rainha
Da doce menina,
Que a vida engravida de sonhos,
Que os homens desfazem risonhos.
Na cara suja de lama,
Daquele menino escória de nada,
Apodrecendo em noite de luar,
Aborrecendo em sua fome tumular.
Inicio sua votação com prazer!
beijo no coração
passo e deixo minha leitura num texto muito pertinente.Deposito meus votos e meu carinho.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 12/8/2008 03:15
A crítica social potencializa esse sentimento da revolta, mistura com a resignação vinda por meio desta pitada de impotência latente nas entrelinhas.
Achei ótimo! Indignação é indispensável.
Muito mais gente tem que se indignar da situação dos miseráveis. Belo poema de crítica social, ordenado e triste. Voto
Angélica T. Almstadter · Campinas, SP 12/8/2008 18:02Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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