"Oi, meu nome é
Rafael
e eu sou patético."
Eu não sabia que
havia dito
isso.
Eu tinha saÃdo, e
eu tinha me enlouquecido
com cachaça
cerveja e
mais.
E eu não lembrava de nada
daquela sexta-feira.
Só me sentia ridÃculo
mal. Como sempre.
E a semana passou
e eu achei que só eu
sabia que eu
era
patético.
Engano meu.
Eu voltei para aquele
mesmo lugar.
E tomando uma cerveja
eu vi ela.
Ela tinha algo
ela tinha tudo.
Ela me tinha, naquele
instante.
E eu estava perto
dela, e por alguma razão
troquei algumas palavras
com ela.
"Eu te conheço", ela disse.
Sim, ela estava naquela outra
festa
naquele mesmo
lugar.
Ela sabia que eu era
patético
eu mesmo havia dito.
Sempre
fui meu pior inimigo.
Mas, por algum motivo
eu conversei mais com
ela.
E ela era tão querida
quanto era bonita.
Ela era o que eu
esperava. E, infelizmente,
eu sou o que havia
dito para ela esperar.
E a conversa continuava, e
eu estava sem entender nada.
Isso nunca aconteceu comigo, conversar
com a mulher que considerei a mais
interessante de lugar algum.
E passaram
algumas horas
e passaram
goles de cerveja, e
algumas risadas.
E eu nem me
sentia tão patético
assim.
Estávamos falando de
livros ou algo parecido.
Ela falou que estava lendo
algo que não me lembro,
só me lembro dela.
Então ela disse:
"Eu sempre leio um
autor entre os outros
o mesmo, que é o
que
eu mais gosto."
E eu lembro de pensar
que se ela falasse
Bukowski
eu me apaixonaria.
Então, ela disse:
"Bukowski"
Eu estava perdido.
Perdido porque ela me teria por mais
tempo
que só aquele instante.
Perdido porque eu
nunca
tenho chance alguma.
Perdido pelas malditas
aspas:
"Oi, meu nome é
Rafael
e eu sou patético."
E eu dei as costas para ela
e eu dei as costas
para mim.
Postado por Rafael Raffa às 21:24 0 comentários
Algo.
Algo dentro de mim
me impede de ser
bom.
Me impede de ter uma
vida
completa
cheia de emoções
alegrias e mulheres.
Ou uma vida
qualquer.
Algo dentro de mim
faz com que eu seja feio
inadequado. Patético.
Sempre patético.
Sempre
me sinto assim,
principalemente
quando dizem que não sou.
Eles mentem.
Algo dentro de mim
Faz com que eu
afaste o mundo para
longe.
E eu sinto toda a dor
do mundo.
Por mim, em mim
e para mim.
Algo dentro de mim
faz com que eu me apaixone
por mulheres que não
têm o mÃnimo
interesse
em mim. E
nunca terão.
Algo dentro de mim
faz com que eu me
mate, aos poucos.
E a palavra suicÃdio
nem tem mais sentido.
Dela eu só tenho
algumas cicatrizes e mais um
gosto do fracasso.
Algo dentro de mim
que eu não sei o que é
me faz ser
eu.
Me faz sofrer.
Algo dentro de mim
sou eu.
Postado por Rafael Raffa às 20:21 0 comentários
O Iluminado
Ela disse que eu
brilhava e
que eu era o
homem
mais iluminado da festa.
Bem,
eu estava parado
com um copo de uÃsque
numa mão
e um de cerveja em
outra.
E eu estava na lama
opaco
sujo, sem graça
podre.
Mas ela disse que
eu
brilhava. Ela era louca, com
certeza. Mas, enfim,
ela disse que eu era iluminado.
E eu conversei
com ela, e ofereci um cigarro.
Um Camel.
Ela aceitou, e o cigarro
ficava lindo em sua boca.
E sua franja
escondia seus olhos
e seus olhos
esses sim
brilhavam.
E durante a conversa
meu corpo se aproximava do
dela
e o dela
do meu.
E fomos assim, chegando mais
e mais perto.
E nos beijamos.
Um ótimo beijo. Quente e
confortável.
Eu realmente
estava iluminado.
"Meu ex-namorado é
meio ciumento", sussurou.
Não dou bola pra isso,
não importa.
Mas que nada
ela foi embora, e seu número
de telefone
não é exatamente
o dela. E
eu já não brilho tanto assim.
E eu estou na lama
opaco
sujo, sem graça
podre.
Gostei. Tem meu voto!
Sucesso.
Votado.
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