Foto: 2757/Flickr/Creative Commons
(Em tempo certo florescem os poetas)
Grandes são as criatividades e as inspirações dos poetas. A eles lhes dedico essa prosa. Porque nenhum vivente como eles consegue captar com tanta valentia - e discernimento -, o que o coração tem a nos dizer. Eis, aqui, a prova dos nove e digo como já antes disse: para ser poeta de olhar rasteiro e tanto, recolherás as maldades do peito, e soltarás palavras quentes ao tempo.
Farás como o soldado solitário, que, com seu lamento breve, há de suplantar os clamores das vitórias, porque jaza disperso nas eternas trincheiras do vento norte.
Recitarás a poesia marginal, e darás à palavra um ânimo sagaz. Só não recuses que, é cabível fazer o que eu digo: não vos revolva a vida enxotando a alma das poesias verdadeiras, quando é certo que, por vossa culpabilidade, terias distinguido por ti próprio.
Muitos poetas, como se caíssem, ao chão, lá do alto da arrogância, com todo o peso do corpo, ficam terrificados e, largados ao sono, dificilmente voltam a si, tal a piração de suas expiações; tal as agitações de suas mentes. Outros recheados com sede poética, ficam parados junto de um córrego ou de aprazível nascente e é como se ansiassem tragar toda a água.
Conforme os deuses da palavra, para ser santo de urros e prantos, hás de aprender a jejuar a fome nas escrivaninhas da vergonha, a dilacerar as mãos calejadas de dor e sofrimento e a marcar de sangue o poema muito antes que, vós mesmos, voejásseis aos flamejantes mísseis da incerteza, já que a palavra nos levou a impedir as chagas do anonimato, bem antes que o braço direito oferecesse o cadeado da defesa.
Aliás, a reminiscência dos deuses está curvada, abobalhada de sono e, nem contrapõe que é caça da expiação e do papel retorcido: aquele que o coração não aquilata apreciar, porque o homem exposto aos desígnios das palavras, por seu turno, esbarra no cerne da criação e assim, a pouco e pouco, toda a inspiração escarrada adianta-se no tempo - e voa livre.
Mas, se o poeta e a palavra não forem purificados, que duelo e que ultimato não nos teria que sofrer sem o poetar! Quantas inspirações bem árduas não dilaceram os encantos que o sofrimento requer. Quantos receios rochosos não vêm daí! E o que diremos da soberba, da ignorância e da insensatez poética?
Os poetas que, pelas sábias poesias, submetem todas estas coisas e as bani da alma, sem empregar as armas da omissão, não teremos nós de compará-los em divindade, ao número dos deuses?
Além do mais, os poetas também se mortificam e as brumas poéticas, que continuamente sempre devem ter notoriedades, chegam pelas frestas e penetram vastamente pelos poros e se alastram até as partes mais tênues das palavras. Porém convém desviar-se das malqueridas palavras de alguns, ou afastarmos de nós os alimentos do anonimato, ou poetar em outras línguas e as atirarmos numa calçada qualquer, exceto os poemas preferidos:
Ai! Não devemos retê-los, convertê-los a um único “Ato de Expiação” senão prepararmos para nós uma sopa e uma lágrima certa. Pois em tempo certo florescem os poetas e em tempo certo deixa-nos fluir as suas poesias. E não é em tempo menos certo que ordena a palavra que, apareça os leitores e que na publicação se cubra os poetas dum afável comentário e igualmente lhe surja nos jornais uma deliciosa entrevista, já que o poeta se fortalece e se torna eterno se o alimentarmos.
Benny Franklin
Menino e como agradou!
O poeta sempre se trai ao escrever em prosa. Assim, dentro do texto, brotam versos, como flores.
Maravilha.
beijos
Benny, você tem muito para me ensinar. Quero aprender lendo toda poesia que sai dentro desse ser edificado.
Tens meu voto.
Um abraço muito forte.
Voce agrada há séculos, séculos e a seculares...
Alguma coisa estranha, tamanha, sem nome, mas nominal a todos os teus...Pequenos, gigantes, infimos, ricos pobres e pobres ricos...Poeta das entranhas, nascem letras, abortam sei lá o quê, abortas vermelho, a verdade , a cor que sangra de amor, esparrama líquido na paz de um Universo, de um lugar chamado felicidade que se esconde, ou empurram, para o amanhã, para o depois, para o sempre, talvez, dor. Gritas calado, como poucos andantes o que poderia ser...Pode ser? Sorriso ou uma lágrima tamanha.
Benny, como não agradar?
"Pois em tempo certo florescem os poetas e em tempo certo deixa-nos fluir as suas poesias."
Este é o seu tempo certo. Já fortalecido e alimentado!
Abçs.
Nydia
O Grande Poeta com seu Trabalho Certo.
No Tempo Certo e no Lugar Certo.
Disfarçada em prosa a mais pura poesia.
Parabéns Mestre Poeta.
Um orgulho votar no seu trabalho.
Um Grande Abraço
Prosas, ou poemas de Benny Franklin.
Quem Lerá?
Quem há de querer encontrá-lo em tão profundos e questionadores textos?
A quem agradará suas palavras?
Quem ler dirá!
Eu respondo por mim...
Gostei, gostei sim!
Abçs.
Benny, aguerrido poeta e agora cronista. Este texto parece-me uma lição de "como escrever". Ensina-nos a buscar a inspiração ou a esperar por ela. Bravo grande Benny!
Parabens!!
bjs
Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Voc conhece a Revista Overmundo? Baixe j no seu iPad ou em formato PDF -- grtis!
+conhea agora
No Overmixter voc encontra samples, vocais e remixes em licenas livres. Confira os mais votados, ou envie seu prprio remix!