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OLHAR MARGINAL/ESQUINAS

1
Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE
19/1/2008 · 148 · 10
 

Olhar marginal

Brotam ruas de pedra,
Nuas,
Asfalto sombrio,
Vegeta um coração
Enquanto no imenso mundo,
Razão e frio

Sentimentos são como lágrimas,
Adagas a perfurar átomos,
Na lassidão do universo,
( no que procuro, não acho...)

E sempre que houver:
Estradas
Luzes
Flagelos
Existirão na noite
Órbitas em torno de castelos...

Esquinas

O mundo se prostitui,
Seios lúdicos,
Olhos moribundos,
Vai de uma só vez

Às coisas fugazes,
Efêmeras
Estelares

Corre atônito
Num derradeiro passo

Vigia ardiloso
O futuro de um acalento tácito

Embriaga-se de dor
De gente
De esquinas

( uma dor que lhe fode as trompas de aço...)

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Autoria
MARCOS ANDRÉ CARVALHO LINS
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Dora Nascimento
 


As minhas trompas de aço,
desnudam os cascalhos,
invadem os Carvalhos
mesmo esses não existentes
nas ruas errantes
putas dos poetas
da nossa cidade.
A dor,
escorre sonolenta e fria,
nas margens sem poesias,
das almas desabitadas.
A dor,
vagueia pelas calçadas,
nada sabe, escuta ou cala,
apenas existe
entre bares e esquinas,
entre os dramas das meninas
e a necessidade das mulheres,
entre os seios em anseios,
por mãos do amor que não vem,
do amor que não tem,
porque tudo é sem certeza,
tudo é apenas a destreza,
em alguns se fazerem dores,
para em outros sofrerem,
ou sofrerem dores,
trazidas nas cores
de outros seres.
E à noite, toda dor é desmembrada do corpo que vaga
com a alma silenciada.

(Como gosta de dizer a branca,volto e voto)
Beijo e tá lindo o poema, visse esse menino?!

Dora Nascimento · Olinda, PE 17/1/2008 11:48
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Marcos André Carvalho Lins
 

"E à noite, toda dor é desmembrada do corpo que vaga
com a alma silenciada."
belíssimo , Dora!!!
muito legal mesmo!

segue uma réplica:

a dor que chora a memória,
o desajuste das horas,
a dor do ventre intestino
do amor por demais feminino
são todas dores errantes,
errôneas
e erradas,
dores amaldiçoadas
( que em luz deveriam converterem-se )
pois, às vezes, acordar na madrugada,
é libertar-se de mãos dadas,
lado a lado com a solidão,
a solidão da cidade,
que se esvanece no corpo
de quem carrega o mundo na alma...
( talvez apenas o adeus, de quem hesita ao tardar da noite
apenas o sentir das pessoas, sirva-nos como bigorna e foice...)


beijo, essa menina!!!

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 17/1/2008 15:23
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Carlos ETC
 

Não arrisco entrar no repente, só digo que seus versos estão cada vez mais ricos, meu caro Marcos!
Abraço
http://interludios.blogspot.com

Carlos ETC · Salvador, BA 18/1/2008 00:47
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
azuirfilho
 

Marcos André Carvalho Lins · Recife (PE)
Uma construção admirável.
há uma presença de Schopenhauer.
Todos apaixonados amam este outro Mestre.
Os Mestres tem sempre algo entre sí.
Gostei muito.
Reconheço o elevado merito e voto com orgulho.
Um bom trabalho que esta em bom lugar.
Obrigado pela contribuição para elevar o nosso Overmundo.
Abraço Amigo.

azuirfilho · Campinas, SP 19/1/2008 10:35
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Marcos André Carvalho Lins
 

muito obrigado, Carlão.
muito grato, Azuir.

abração a ambos,

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 19/1/2008 14:21
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Cintia Thome
 

Como diz Azuir, voto com orgulho
Belo como sempre.
bjus

Cintia Thome · São Paulo, SP 19/1/2008 15:29
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Dora Nascimento
 

É o açoite que nos traga a noite,
traga nossas dores
em goles de cataclismas sociais...
No mais, a solidão
dívida de paz,
esperneia entre as pernas
sedentas e lentas,
nas lábias atentas
em estagnar sonhos,
castrar felicidades,
pelas ruas das cidades,
bêbados de amor,
vomitam lástimas
e arrependimentos,
promíscuas dores,
e sonhos tardios,
sonhos reatardatários,
sonhos destroçados
pelas escuras vias
em que as ciaturas vagueiam
cegas de si,
sob luzes de mercúrio,
sob o encanto de crisálidas,
sob o manto do escuro,
sob os os gritos em murmúrios,
dos sonhos silenciados,
por toda parte,
os ardis ardem,
nos corpos,
nas ruas,
por todas as noturnas cidades.

(Eis a minha tráplica, tá parecendo torneio de repentista, visse,
aproveita enquanto eu ainda estou sofrida. ah, sim, voltei e votei, e volto se cê replicar, quem sabe? Se até lá minha dor não passar...?)

Dora Nascimento · Olinda, PE 19/1/2008 18:38
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j.alves
 

Muito bom. abraço

j.alves · São Paulo, SP 19/1/2008 18:52
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Marcos André Carvalho Lins
 

por todas as noturnas cidades,
cristos andam de patins,
europeus criam curumins,
e os jardins??
fenecem na dor do obscurantismo
dor de cada flor
a dor do fim
já namorei a morte,
já tive um tanto de sorte,
mas a dor,
a dor é forte,
meu fortim,
pois por onde ando vejo escravos
de almas ajoelhadas em cascalhos
orando pra não sei o que,
pedem por si e para todos
mas na hora H, viram o rosto
pingam colírios nas feridas
a dor, uma vez já abatida
cresce,
torna-se presa,
presa fácil,
a dor de quem senta-se na calçada
na margem esquerda da vida
é a mesma que exala
da alma adestrada
do mundo
ilusório
madrugadas!!
( destinos ignorados, suores desprezados,
sangue jorrando ao relento, tormento no
mundo cinza... )
de vidro se tornaram as vidas...
cacos,
dores, por mais dores seguidas...
chorar é pouco,
lutar é lida!

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 19/1/2008 19:07
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Benny Franklin
 

Excelente, Marcos.
Palavras para serem refletidas...
Boa, poeta!
Abçs.

Benny Franklin · Belém, PA 19/1/2008 20:10
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