Olhar marginal
Brotam ruas de pedra,
Nuas,
Asfalto sombrio,
Vegeta um coração
Enquanto no imenso mundo,
Razão e frio
Sentimentos são como lágrimas,
Adagas a perfurar átomos,
Na lassidão do universo,
( no que procuro, não acho...)
E sempre que houver:
Estradas
Luzes
Flagelos
Existirão na noite
Órbitas em torno de castelos...
Esquinas
O mundo se prostitui,
Seios lúdicos,
Olhos moribundos,
Vai de uma só vez
Às coisas fugazes,
Efêmeras
Estelares
Corre atônito
Num derradeiro passo
Vigia ardiloso
O futuro de um acalento tácito
Embriaga-se de dor
De gente
De esquinas
( uma dor que lhe fode as trompas de aço...)
As minhas trompas de aço,
desnudam os cascalhos,
invadem os Carvalhos
mesmo esses não existentes
nas ruas errantes
putas dos poetas
da nossa cidade.
A dor,
escorre sonolenta e fria,
nas margens sem poesias,
das almas desabitadas.
A dor,
vagueia pelas calçadas,
nada sabe, escuta ou cala,
apenas existe
entre bares e esquinas,
entre os dramas das meninas
e a necessidade das mulheres,
entre os seios em anseios,
por mãos do amor que não vem,
do amor que não tem,
porque tudo é sem certeza,
tudo é apenas a destreza,
em alguns se fazerem dores,
para em outros sofrerem,
ou sofrerem dores,
trazidas nas cores
de outros seres.
E à noite, toda dor é desmembrada do corpo que vaga
com a alma silenciada.
(Como gosta de dizer a branca,volto e voto)
Beijo e tá lindo o poema, visse esse menino?!
"E à noite, toda dor é desmembrada do corpo que vaga
com a alma silenciada."
belíssimo , Dora!!!
muito legal mesmo!
segue uma réplica:
a dor que chora a memória,
o desajuste das horas,
a dor do ventre intestino
do amor por demais feminino
são todas dores errantes,
errôneas
e erradas,
dores amaldiçoadas
( que em luz deveriam converterem-se )
pois, às vezes, acordar na madrugada,
é libertar-se de mãos dadas,
lado a lado com a solidão,
a solidão da cidade,
que se esvanece no corpo
de quem carrega o mundo na alma...
( talvez apenas o adeus, de quem hesita ao tardar da noite
apenas o sentir das pessoas, sirva-nos como bigorna e foice...)
beijo, essa menina!!!
Não arrisco entrar no repente, só digo que seus versos estão cada vez mais ricos, meu caro Marcos!
Abraço
http://interludios.blogspot.com
Marcos André Carvalho Lins · Recife (PE)
Uma construção admirável.
há uma presença de Schopenhauer.
Todos apaixonados amam este outro Mestre.
Os Mestres tem sempre algo entre sí.
Gostei muito.
Reconheço o elevado merito e voto com orgulho.
Um bom trabalho que esta em bom lugar.
Obrigado pela contribuição para elevar o nosso Overmundo.
Abraço Amigo.
muito obrigado, Carlão.
muito grato, Azuir.
abração a ambos,
Como diz Azuir, voto com orgulho
Belo como sempre.
bjus
É o açoite que nos traga a noite,
traga nossas dores
em goles de cataclismas sociais...
No mais, a solidão
dívida de paz,
esperneia entre as pernas
sedentas e lentas,
nas lábias atentas
em estagnar sonhos,
castrar felicidades,
pelas ruas das cidades,
bêbados de amor,
vomitam lástimas
e arrependimentos,
promíscuas dores,
e sonhos tardios,
sonhos reatardatários,
sonhos destroçados
pelas escuras vias
em que as ciaturas vagueiam
cegas de si,
sob luzes de mercúrio,
sob o encanto de crisálidas,
sob o manto do escuro,
sob os os gritos em murmúrios,
dos sonhos silenciados,
por toda parte,
os ardis ardem,
nos corpos,
nas ruas,
por todas as noturnas cidades.
(Eis a minha tráplica, tá parecendo torneio de repentista, visse,
aproveita enquanto eu ainda estou sofrida. ah, sim, voltei e votei, e volto se cê replicar, quem sabe? Se até lá minha dor não passar...?)
por todas as noturnas cidades,
cristos andam de patins,
europeus criam curumins,
e os jardins??
fenecem na dor do obscurantismo
dor de cada flor
a dor do fim
já namorei a morte,
já tive um tanto de sorte,
mas a dor,
a dor é forte,
meu fortim,
pois por onde ando vejo escravos
de almas ajoelhadas em cascalhos
orando pra não sei o que,
pedem por si e para todos
mas na hora H, viram o rosto
pingam colírios nas feridas
a dor, uma vez já abatida
cresce,
torna-se presa,
presa fácil,
a dor de quem senta-se na calçada
na margem esquerda da vida
é a mesma que exala
da alma adestrada
do mundo
ilusório
madrugadas!!
( destinos ignorados, suores desprezados,
sangue jorrando ao relento, tormento no
mundo cinza... )
de vidro se tornaram as vidas...
cacos,
dores, por mais dores seguidas...
chorar é pouco,
lutar é lida!
Excelente, Marcos.
Palavras para serem refletidas...
Boa, poeta!
Abçs.
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