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ONDE ENCONTRAR SAUDADE?

1
Frederico Rego · Rio de Janeiro, RJ
25/11/2008 · 100 · 7
 

Chegaram às máquinas,
Numa sinistra manhã de janeiro.
Lagartas de vasto apetite,
Podridão de resistente variedade!

Aos poucos se foram,
Mágicos jameloeiros,
Sedutoras acácias,
Pássaros para algum destino,
Verde, distante...
O campo de peladas inesquecíveis.

Hoje só ruídos, imprecações,
Da mão de obra em exploração,
Um sacrilégio em formação.

Amanhã não haverá cores,
Nem mistério,
Na sombra cinzenta,
Daquele monstro inerte.

No silencio ruidoso,
Daquele prédio em construção,
Imagino: Se aqui voltar,
Onde encontrarei saudade?
No esgoto aberto no estômago
De minha doce pitangueira?
No alicerce fincado no coração
De meu esconderijo predileto?
No moderno playground,
Sepultura de alguma poça de água suja,
Mar imenso de meus indômitos piratas?
Na fétida lixeira,
Respingando fuligem?
No meu abandonado cemitério,
Onde ficaram corpos queridos,
Latidos amigos,
Miados sentidos,
De alguns companheiros inseparáveis?

Se por acaso, nunca mais voltar aqui,
Não me perguntem o porquê!


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Orisvaldo Tanniy
 

Belíssimo texto. Voltarei na votação.Abraços.

Orisvaldo Tanniy · Teresina, PI 22/11/2008 19:13
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herculano alencar
 

Toda a crueza com que a civilização enterra os escombros da saudade!

Aplausos!
Abs,
Herculano

herculano alencar · São Paulo, SP 23/11/2008 12:35
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Ivan Cezar
 

Gostei
Profundo
Angustia e clamor
Votei

Ivan Cezar · São Sepé, RS 23/11/2008 22:00
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Sônia Brandão
 

Triste. Tudo nos tiram em nome da civilização. Enterram nossa infância, tudo o que nos é valioso.
abs

Sônia Brandão · Bauru, SP 23/11/2008 22:19
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Doroni Hilgenberg
 

Frederico,
belo e triste poema
Se por acaso, nunca mais voltar aqui,
Não me perguntem o porquê!
foi-se a infancia, foi-se a mocidade, foi-se a pitangueira...
só restou saudade.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 23/11/2008 23:37
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Fábio Camacho
 

a esse tipo de imagem, tenho elocubração bem particular e a explico: a do "errante" solitário, David Carradine, cavalgando de costas ao mundo - dado o grau de percepção e discernimento do mesmo.
resposta à modernidade, de quem sente a passagem do tempo.
gostei "do todo", dos lampejos poéticos e da resposta entusiástica - e merecida - de seu final.
esse é o caminho da poesia e reposta da resistencia à modernidade; meus parabéns,

camacho

Fábio Camacho · Osasco, SP 24/11/2008 16:01
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Lucas de Meira
 

gostei
!

Lucas de Meira · Curitiba, PR 24/11/2008 19:48
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