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Os Caminhos

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Carlos Bruce Batista · Rio de Janeiro, RJ
25/10/2007 · 56 · 2
 

8 – Os Caminhos
Desde muito cedo meus pais alertaram eu e o meu irmão para a armadilha que envolvia diariamente os moleques do morro. Meu irmão que era mais velho e meio que se sentia responsável pela minha formação, fazia questão de me levar para ver os vacilões - bandido que devia a boca, que perdeu a carga, que se viciou nas drogas - amarrados nos postes depois de levarem uma surra ou sete raio como nós chamamos.
Meu pai dizia que o sistema obrigava todos os moleques do morro a entrarem para o tráfico não disponibilizando empregos, para depois os prenderem ou matarem.
Foram tantos conhecidos que eu vi perdendo a vida ou sendo presos que sinceramente já perdi até a conta.
Assim que o Lico foi expulso da escola, ele ficou um bom tempo sem fazer nada em casa.
Enquanto eu estava indo para o colégio de manhã, ele já estava acordado e sentado na cadeira de cimento próxima as barras de malhar, que ficavam a uns 50 metros do campão.
Sempre que eu perguntava se ele já havia arrumado outro colégio ou algum emprego ele me respondia que estava correndo atrás.
O tempo foi passando e ele ainda continuava todos os dias no mesmo local, sem fazer nada, apenas olhando para a linda paisagem que focava o corcovado.
Na época em que terminei o segundo grau do colégio, o Lico já havia arrumado um emprego, mas se desestimulou com o baixo salário que recebia. Porém do nada ele começou a falar em querer receber mais dinheiro para poder comprar um tênis melhor ou roupas mais novas, já que mal podia usar a calça jeans que eu havia dado para ele.
Seu emprego de sacoleiro em um supermercado já não rendia o que ele pretendia. Além de receber muito pouco, o Lico não gostava de ser olhado com desprezo pelas pessoas que ele ajudava a embrulhar os produtos.
Foram tantas as vezes que ele me falou que se pudesse roubaria todos os produtos que embrulhava que eu já nem levava tanta fé nas suas insinuações.
Muitas vezes emprestei dinheiro para ele, inclusive, poder ir para o trabalho.
Embora eu ainda não trabalhasse, meu pai, minha mãe e o meu irmão, quando podiam me davam um dinheiro para que pudesse pagar minha ida ao baile, minha passagem de ônibus enfim.
Os pais do Lico já haviam falecidos e ele estava passando o maior sufoco em ter que manter a casa sozinho. Então sempre que dava eu ajudava ele com alguma coisa.
Além de mim, o único que o ajudava era o Portuga que também era o dono do morro.
Desde quando éramos crianças o Portuga olhava o Lico com certa atenção. Como quem criou o Portuga foram os pais do Lico, eles foram durante um tempo meio que irmãos.
A vida foi se tornando cada vez mais difícil para o Lico, que a essas alturas estava desempregado e sem condições de poder arrumar um emprego que lhe pagasse melhor. Assim que eu comecei a trabalhar na padaria, ainda, procurei saber se tinha uma vaga para o meu amigo.
Como todas estavam preenchidas não consegui adiantá-lo. Depois que comecei a trabalhar fui perdendo aos poucos o convívio com o Lico, já que saia muito cedo e voltava exausto para a casa.
As únicas vezes em que eu ainda podia encontrá-lo eram nos finais de semana em que íamos para os bailes.
Numas dessas nossas idas para os bailes o Lico foi me contando a história do Paraíba, como nós chamávamos o Emanuel que foi morto pela polícia no morro.
Segundo o Lico, ele morava em alguma cidade do interior nordestino e sem emprego resolveu vir para o Rio.
Como um de seus familiares já havia vindo para cá, o Paraíba acabou instalando-se no morro. O Lico disse que ele era fascinado por helicópteros desde criança e que não podia ver um sobrevoando o morro que ficava fascinado com o negócio.
O Paraíba, segundo meu amigo, gostava tanto de helicópteros que quando era criança sabia identificar pelo barulho do motor qual era o helicóptero

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Carlos Bruce Batista
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azuirfilho
 

Salve Carlos Bruce Batista.
Um Texto extraordinário, até emociona a gente.
E, a luta esta ai delineada.
Há gente maravilhosa lutando em todo lugar.
\Nada esta abandonado e, o seu trabalho é um exemplo.
Parabéns e com o maior orgulho estou votando em seu trabalho.
Proponho estarmos construindo uma Amizade fraterna, cidadã.
Um grande abraço.

azuirfilho · Campinas, SP 26/10/2007 10:31
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Felipe Henrique
 

Não tive tempo para ler tudo, mais o pouco que li adorei...
votadíssimo!!!!!!!!!!!!!!!
abraços.

Felipe Henrique · Mesquita, RJ 26/10/2007 23:02
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