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A idéia de princípios mentais inatos não é nenhuma novidade. Desde Platão muitos filósofos teorizaram sobre a natureza humana e grande parte dos ensinamentos judaico-cristãos e da sabedoria popular se referem a ela. Mas com o surgimento das idéias iluministas sobre reforma social esta visão começou a ser questionada. Para o filósofo John Locke, que viveu na época da revolução inglesa, a negação de determinantes inatos era fundamental, pois esses determinantes poderiam ser usados contra os reformistas (afirmando o direito natural do rei governar, por exemplo). Na visão de Locke, portanto, não havia nada na mente que não houvesse estado antes nos sentidos. Desta forma, para se projetar a boa sociedade não precisávamos levar em conta pré-disposições subjetivas, apenas o mundo empírico, que, através dos sentidos, era incorporado pela mente formando as idéias. Isso queria dizer que mudando o ambiente poderíamos mudar as idéias e uma nova sociedade poderia ser formada.
De acordo com essa visão, tudo o que existe a priori são mentes individuais vazias — tabulas rasas — nas quais é inserido o conteúdo cultural. Ela é, portanto, uma visão centrada no indivíduo. Para explicar a sociedade esses pensadores tinham que recorrer à teoria do contrato social, que dizia ser a sociedade produto de um acordo entre indivíduos para conviverem melhor. Porém, ao longo dos séculos 19 e 20, novas idéias começaram a aparecer, e o pensamento social tomou caminhos complexos. Iremos aqui abordar alguns dos responsáveis pela grande confusão nesta área nos dias atuais.
O que começou a ocorrer foi que embora a visão individualista dominasse na Inglaterra, muitos pensadores do continente começaram a perceber a importância da sociedade na vida humana, e uma visão social do homem começou a se desenvolver. Mas apesar desta importante percepção (e esse foi um dos erros mais graves do pensamento social), esses pensadores socialistas conservaram o empirismo de Locke, pois eles eram positivistas e acreditavam que admitir determinantes inatos seria introduzir elementos não-científicos (não possíveis de ser medidos) em seus modelos. Como é possível pensar o homem como um ser social e ainda assim conservar a idéia de que não existem determinantes inatos que levam os indivíduos a se juntar em grupos é algo que estes sociólogos nunca conseguiram explicar muito bem. Émile Durkheim via a sociedade como um organismo natural e autônomo que inseria seu conteúdo nas tabulas rasas dos indivíduos, mas, um tanto misteriosamente, este organismo não era um produto biológico como eram os indivíduos (embora fosse natural!). A sociedade encontrava-se em uma esfera emergente suprabiológica cujo comportamento podia ser estudado e conhecido em seus próprios termos.
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O presente ensaio mostra como o pensamento social cometeu erros em sua consolidação contribuindo para a grande confusão presente nesta área nos dias atuais.
Para leitura complementar, ver o ensaio A crise do pensamento contemporâneo, também presente no Overmundo.
João de Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 2/3/2011 11:48Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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