OS OLHOS DO GATO
Tome de Neruda os seus óculos-gatinho para que meças dos felinos além do rms das papilas da língua, o infinito que há nos olhos deles descobertos.
Para que vejas nos oitos irisados e na difração daqueles laminares arco-iris, os lambdas que correspondem aos efes do vermelho ao violeta, sem contudo ultrapassar o C da constante universal relativista.
Sinta naquele terceiro olho da hipófise, coroa acima do hipotálamo, a interpenetração dos claros e escuros em um Tao que age na não-ação.
Depois admire no signo leminiscato a serpente que morde o próprio rabo.
Mas não te esqueças que naquelas infâncias, dos teus l_egos, construíste locomotivas próprias para atravessar dos black aos write-holes pelos Schwarzchild´s worm-holes, além do horizonte dos eventos.
Aí começaremos então a integrar os nossos chips, trocando elétrons através das cavidades, nos fractais mitológicos e nos seus arquétipos, e nas trevas dos tempos e nas auroras boreais.
A entropia é a medida do caos e os fractais a ordem no caos que há no caos.
De entre Eros e Thanatos, retiremos aquele espelho duplo colocado para que a eles só fosse possivel enxergar a vida-ou-a-morte e não a vida-e-a-morte, ao mesmo tempo.
Não sejamos Eros e Psiquê, em nossos amores hiperbólicos magnificados pelas lentes gravitacionais... para não sermos prosaicas criaturas, um homem , uma mulher, que passeiam de mãos dadas em uma vereda à sombra dos flamboayans.
Não precisamos ser herméticos e ao mesmo tempo polissemia destruidora dos signos da unívoca correlação que faz corresponder pelos significantes os significados, persiana na Saussureana/Pierceana semiologia/semiótica, para termos Insights e Blow-Ups e em Gritos e Sussurros, deixarmos de ser compreensíveis - porque o homem só enaltece aquilo que mal compreende...
Agora sim, despidos, conversaremos com Neruda, nós e ele, olhos-nos-olhos com as vistas descobertas, de poeta para poeta, para devolver aqueles óculos que pelo non-sense nos transformaram em profunda humanidade.
Marco Bastos
Prosa poética sobre o fazer poético
Marcos, tô boba. Vc fez uma pletora de iamgens composta de elementos tão diversificados e com poesia e humor. Mestre, eu te agradeci o voto citando linkado e entendido a minha maneira um trecho daqui: ,i>De entre Eros e Thanatos, retiremos aquele espelho duplo colocado para que a eles só fosse possivel enxergar a vida-ou-a-morte e não a vida-e-a-morte, ao mesmo tempo. . Essa idéia é divina, sublime! Como tantas outras que estão nos olhos nos olhos . Vou parar pq este eu quero ler e reler. Obra prima primeiríssima. Tô boba, boba.
Estou aqui a pensar sobre o meu "fazer poético" que por sinal anda travando verdadeiras guerras dentro de mim. Meu relacionamento com o verbo é quase infantil. Gosto das sensações que as palavras me causam na boca, gosto de ficar jogando-as de um lado pra o outro como se fossem uma boa bala. Talvez seja pelo amor explícito que tenho pela gastronomia que o sentimento que trago pelo verbo é assim, dessa maneira tão de_gustativa. Quando encontro pela frente palavras ou termos que ainda não conhecia, corro como criança para saber o seu significado e quando descubro, os traduzo da minha maneira. Vivo nessas minhas guerras, me questionado o tempo inteiro. Sinto como se me ofertassem jóias e eu ao descobrir o seu real valor, as guardasse e me cobrisse de bijuterias...
Nunca tive um L_ego, talvez por isso meu “fazer poético” viva nessa minha constante infância...
beijos
COMPULSÃO DIÁRIA - classifiquei esse texto como prosa poética e texto de ficção pois de fato ele é isso e isso é importante na apreciação do trabalho. Tudo não passa de percepções incipientes para poderem ser consideradas "conhecimento". O interrelacionamento entre as diversas imagens é pura intuição poética e na poesia não pretendo que ela seja "corpo de ciência".
Transcrevo algumas linhas de anotações em um curso de História da Arte:
"No livro “A Origem da Obra de Arte”, Heidegger reconhece na arte um enigma, a obra de arte é o resultado do fazer do artista e o artista o personagem que faz esse objeto misterioso. Um enigma que Heidegger nem sonha em decifrar.
A arte não se propõe a explicar o mundo como a ciência, mas transformar sua imagem, enfrentar o desconhecido, tornar visível o que é imperceptível e não copiar o visível ..."
Acredito que o texto olhado por esse ângulo venha a ser compreendido mais confortavelmente.
Obrigado pela participação.
abraços.
Marco,
Me deixa levitar em seus braços para que a serpente possa evoluir e juntos no bosque de Neruda os pássaros da nossa infância nos de amplitude no Todo.
Parabéns
Claudia Almeida
Marco, completamente de acordo. Talvez tenha expressado mal o que disse ao utilizar o termo pletora.
Não no mau sentido (de saturação) mas na linha da diversidade capaz de cirar esse enigma que transforma o belo em sublime.
Este texto é sublime. foi isto que eu quis dizer. Agora, é texto pra ser relido exatamente pelo prazer do conteúdo enigmático que le apresenta.
Esse enigma que me estonteceu, ok. Aliás, como muitas coisas suas.
CHERRY BLOSSOM. Achei uma beleza o seu comentário e gostei demais do que você escreveu!...Se você observar os meus escritos vai ver que tenho diante da poesia coisas bastante próximas do que você disse - há um conteúdo lúdico bastante forte. Os desafios, o lado irreverente e cômico ou bem humorado da vida, as contradições, estão quase sempre presentes. As vezes na forma e também nos conteúdos. Tb. tenho uma curiosidade de menino - gosto de sondar o mundo e não gosto de receitas, manuais ou scripts. Gosto também de de_gustar as palavras. A escrita para mim tem que ter harmonia, sonoridade e rítmo. O conceito estético e de beleza é fundamental - as idéias devem ser colocadas harmoniosa e elegantemente não sendo suficiente que o conteúdo seja apenas bem entendido. Isso está tão entranhado na poesia que as rimas acontecem com naturalidade. Também uso os dicionários com frequência - para palavras que não conheço e às vezes pela ortografia das que conheço - fico super aborrecido quando escrevo errado uma palavra.
A variedade das poesias faz com que a diversificação de estilos também seja grande. Há poesias carrancudas e poesias risonhas. Umas são apaixonadas, outras são melosas. Há poesias eróticas, e outras tem mensagens sociais e políticas. Épicas, cômidas, idílicas, líricas, satíricas etc, enfim a poesia reflete a alma humana plenamente porque poesia é isso. E a forma das poesias adapta-se ao tema. Gostei bastante das suas poesias e não vejo porque você as acha infantis.
Agora vou lhe dizer a coisa mais valiosa que aprendi em mais de quarenta cursos ao longo da vida, desses que são ministrados para preparar executivos na grande empresa privada. O curso denominava-se "Criatividade em Ação" e a coisa valiosa foi: "Não se leve demasiadamente a sério, não leve ninguém e nem nada demasiadamente a sério" - mas o professor enfatizou que a "dimensão do demasiadamente" ficava por conta de cada aluno. rs.
bjs.
porque o homem só enaltece aquilo que mal compreende...
Verdade seja dita. Verdade o que está escrito.
Muito bom o texto.
Um abraço
Marco,
Parabenizo-o pela beleza deste teu trabalho e pelo poder intertextual da tua criação. Com estilo terso, plenificas um admirável universo metalingüístico, fecundando e espargindo significados, substanciando a tessitura do psicodinamismo do poeta envolto na sua instintiva missão de escrever.
A Poesia, como preconizou Heidegger, é uma linguagem do ser. Os signos buscam acepções, e a obra – não obstante a gestalt do seu criador – pode ganhar múltiplas vias de sentido (espectros polissêmicos no tempo-espaço).
O teu texto é magistral! Profundo e belo.
fraterno abraço,
maravilhoso texto.Quem sou para comentar?
Mas, deixo aqui meu destaque.
Não sejamos Eros e Psiquê, em nossos amores hiperbólicos magnificados pelas lentes gravitacionais... para não sermos prosaicas criaturas, um homem , uma mulher, que passeiam de mãos dadas em uma vereda à sombra dos flamboayans.
Marcos,
Trouxeste uma profusão de situações e atores, que de tão distintos, a princípio, seria difícl construir a imagem no lóbulo cerebral correspondente...rs. Mas, da mesma maneira, convidas à quebrar a barreira e continuar e se consegue construir sim, por meio dos áculos de Neruda, a ótica de um paradigma: um pensamento complexo, e aqui cito Edgar Morin, que é formado de todos os pensamentos-reflexões-científicos-e-não-científicos, para se aproximar um pouco que seja do que poderia ser realidade, que não se alcança... Retalhos de ti, de mim, de nós, de todos, um ser e todos ao mesmo tempo.
Eita que viajei pelos óculos de Neruda
parabéns
Abços
CLAUDIA ALMEIDA - Venha Cláudia, pelas sínteses e metáforas te levarei levitando em meus braços naquele barco-serpente que cruza um portal de energia na encruzilhada de uma vereda sombreada pelos flamboayans. De lá avistaremos no vórtice do Big-Bang, Io que se banha em uma chuva de estrelas e os cavalos-marinhos de Neruda atravessando a Coma de Berenice próximo ao Diadema dos hibiscus. Mas esse ainda não é o Todo de uma Gestalt. rs.
bjs.
EDIMO, RUBÊNIO, CLARA E CRISTIANO - escrevo para todos, porque agora o gato-engenheiro está com o sangue quente, com todos os pelos eriçados, cara de quem levou um susto por ter pensado que soltou um traque na festa de São João e a bomba derrubou a barraca do sanfoneiro. rs. Mais uma vez aqui percebo, que o texto aqui é o texto e os comentários que o enriquecem e o agigantam - um Ortega y Gasset ao avesso, porque em "o homem é o homem e suas circunstâncias", pelo menos para mim, "circunstâncias" transmite a sensação de redução, constrição e contingência e nessas condições ninguém e nada é o que é. Aqui os textos não implodem, mas explodem em verve, conhecimento e sabedoria, como pedrinha colorida colocada no vértice dos espelhos de um caleidoscópio - ela se multiplica e ganha cores e constrastes. Agradeço a todos pelas contribuições.
Há algum tempo venho intuindo a partir da Teoria dos Erros e do principio da Incerteza de Heisemberg ( e aí Cristiano, necessariamente passei pela análise das Complexidades do Morin) que o conhecimento das "coisas" não acontece pelo fracionamento das coisas. As coisas não se submetem às categorias aristotélicas. Dizer que uma coisa tem por analogia as características das coisas que pertencem a uma categoria, não descreve a coisa - porque uma coisa não é uma soma de características isoladas. E aqui entra a "intuição" : O conhecimento das coisas é um processo empático - tenho que entrar em "sintonia" com um tijolo para conhecer um tijolo sem destruí-lo - e só conheço com profundidade aquilo que amo e não interessam os processos cognitivos. E isso é poesia!... embora possa parecer filosofia ou ciência, que são outras coisas no conjunto das categorias aristotélicas. rsrs
Uma boa tarde a todos e um ótimo São João.
abraços.
Marco.
Marco querido poeta,
Além de gostar dos seus poemas, gosto de ler os comentários feitos e suas respostas rs...
Falar na sua poesia já tornou-se para mim aprendizado constante. Gostei muito das participações de CD e Cherry, a imagem utilizada:[...] " gosto de ficar jogando-as de um lado pra o outro como se fossem uma boa bala" [...] É lindo! É exatamente o que sinto quando leio um bom poema, degusto, introjeto, viajo.
Em um dos seus comentários você citou algo da profissão docente:
"Não se leve demasiadamente a sério, não leve ninguém e nem nada demasiadamente a sério". Pois é isso, meu querido poeta.
Outro dia, recebi de uma querida amiga carioca, uma matéria que tinham feito sobre o avô dela, pernambucano, e uma das frases que ele gostava de dizer era: "Tudo, inclusive nada". Nestas colocações vejo tanta poesia que me embriago de inspiração e não consigo parar de escrever, a poesia é compulsão diária (CD). Tá aí minha querida amiga CD porque coloquei em alguns comentários nos seus escritos: Compulsão (Poética) Diária.
Isto aqui está virando um texto do Stanislaw Ponte Preta. rs...
Continuo depois.
Beijos,
Regina
Continuando com a embriaguez inspiradora:
Segue a 1ª versão:
TRANSGRESSORES DA PALAVRA - Regina Lyra
Quando leio um poema,
Sinto o sabor das palavras
Degusto as imagens
Faço amor com os versos.
Quando leio um poema,
Vejo a sonoridade da água
Ouço o crepitar da alma
Que enleva meu canto.
Quando leio um poema,
Sei que é uma aprendizagem
E me pego brincando com sílabas
Feito criança alfabetizada.
Quando leio um poema,
Já nem sei quem sou,
Talvez uma miragem,
Há tantas em uma só.
Busco meus eus perdidos
- Nos oásis do deserto
Quando leio um poema,
Sinto que nada é sério
Tudo é relativo, como à vida
E as palavras que lhe dão sentido.
Mas se o tudo é o nada
Não leve nada a sério
A embriaguez das palavras
É a placidez do sossego.
Enfadonho
- é o degredo.
SI A HORA É DI BRINCÁ.
palavra se compartiia
passa da boca da gente
cala na boca da tia
a bala pipi é tão quente
despois ocê me devorve
a bala num é di revorve
num tira o caco do dente.
agora sim que minrosco
com tanta coisa bonita
num é cigarro é o fosco
no seu vestido de chita
chapéu do tipo de pote
os peito enche o decote
eu ti belisco ocê grita.
Marco Bastos.
É meu amigo Marco,
senti um grande prazer em degustar este teu poema de diversos nuances agradabilíssimos. Meus sinceros aplausos e abraços amigo.
Carlos Magno.
Olá, Regina.
Eita que já tá pronta pro São João, né? Vai ser onde o forró, João Pessoa ou Campina Grande?
- Essa morena tá é muitio qui bonita! rsrs.
Delícia de poesia e também os comentários, o seu e os demais.
Essa coisa da Cherry e sua de degustar palavras acontece mesmo. As palavras vão assumindo paladar a depender do texto e ficam deliciosas.
Quanto ao não levar demasiadamente a sério, não se tratou de coisa de professores, embora hoje as posturas andem muito bagunçadas mesmo, precisando ser corrigidas.
Você não vai acreditar, mas essa frase "não se leve demasiadamente a sério" é chamada Regra Nº 5, do Regimento de um batalhão inglês na Segunda Guerra Mundial. A diferença de desempenho desse batalhão era gritante - conquistava as posições no menor tempo, ao menor custo, com o menor número de baixas - e passou a ser exaustivamente estudado. Nada foi encontrado de diferente no recrutamento, no treinamento, nos exercícios físicos e teóricos, na alimentação, nas instalações, nos exames de saúde e biométricos. Era um batalhão em tudo igual aos demais e a única diferença encontrada foi que no seu Regimento havia essa Regra nº 5 que não havia em nenhum outro. Depois essa regra foi ampliada para a Regra nº 6 : "não leve ninguém demasiadamente a sério" e para a Nº 7 : "não leve nada demasiadamente a sério". E não era brincadeira. Agora imagine você o impacto disso em um seminário onde participava somente o alto escalão de uma indústria tradicionalmente conservadora e regimentalista...O objetivo do seminário era liberar a criatividade em prol do bom desempenho da empresa. As discussões foram muito acirradas e os resultados muito bons.
Incrível como essas interações no Overmundo nos animam tanto a escrever. Fico aqui tentando me disciplinar, mas quando vejo, lá se foram muitas letrinhas para o cyber...rs.
bjs.
Abrindo sua votação.
Receba meu carinho.
Marco, eu gostei tanto que nem soube dizer direito o quanto.rsrsrs
Às vezes é assim mesmo: demoro até entender o texto e saio comentando empolgada, utilizando mal as palavras.
Talvez um dia eu consiga.
Tem meu voto sincero pelo valor do seu trabalho ue tanto admiro.
CARLOS MAGNO - Bom tê-lo aqui participando com todos nós das discussões de um tema que acho apaixonante - mergulhar "com a cara e a coragem" em um processo de fazer poesia, procurar perscrutar quais impulsos atuam e eventualmente, saber de onde a inspiração nos chega. E isso não se resume à uma escolha de tema ou forma, mas procurar "compreender" que forças atuaram nos trazendo uma palavra que nos chega muitas vezes abrindo os seus espaços para permanecer na poesia e muitas vezes desbaratando um texto que já se encontrava praticamente escrito. Agradeço ter aceito o meu convite e a simpatia da sua presença.
abraço.
Marco.
Uma bela obra poética é capaz de elevar o humano as alturas das divindades, ainda que numa condição divamente humana.
Abraços
CLARA ARRUDA - obrigado por ter iniciado a votação. E senti esse carinho que é recíproco.
bjs.
SENSACIONAL AMIGO OVERMANO!!!
votando com apalusos de pé! BRAVO!!!
beijos
Prezado Poeta... Você sempre nos surpreende com obras especiais... É uma honra lhe parabenizar...
Grande Abraço,
Airton
Estrerla-RS
Marcos, confesso que fiquei confusa com o seu texto, mas se levarmos em conta que o gato tem uma visão extraordinária, e é um felino atento a tudo o que se passa ao seu redor, esta explicado o fazer poetico, sem precisar de óculos ou tantos subterfugios. É claro que sua prosa quer dizer muito mais, mas eu paro por aqui. Bjssss
Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 23/6/2008 23:27
COMPULSÃO DIÁRIA - obrigado pelo retorno e pelo voto.
Quanto à palavra "pletora" desde a primeira vez que a li não entendi como superabundância nem excesso, mesmo porque "quod abundat non nocet", a não ser no minimalismo.
Mas entendi o que você pretendeu comunicar, pletora como diversidade, variedade. E em se tratando de "colocar" o poeta em ação era necessário oferecer-lhe um conjunto amplo de fatores que influenciam a vida ou eventualmente se acredita que atuem, para que "o poeta recebesse" desses fatores as influências como "ingredientes" das poesias. E como o "poeta" era um poeta e não o poeta, o conjunto de "fatores" teria mesmo que ser amplo. Digamos que procurei trazer para o poeta "universalidades" tais como o que se intui por Universo, "mágico ou oculto" que o gato simboliza, "místico e mitológico", coisas do "inconsciente coletivo" ou "arquetípicas" ou "românticas" como as mãos dadas na vereda dos flamboayans.
Uma das coisas que já aprendi e isso hoje não me incomodada em nada, é que quase nada na vida fica resolvido na primeira tentativa muito embora na minha profissão o lema: "do it right in the first time" tivesse sido sempre mandatório.
Gostei bastante das suas intervenções e admirei a sua "coragem" em ter enfrentado um tema como esse, abrindo os comentários. ( depois você me chama de "ousado" ali naquela sua publicação, né? risos).
obrigado, viu?
boa noite, bjs.
PEDRO MONTEIRO - seu comentário trouxe-nos WAGNER como estereótipo - o compositor cuja música atinge os píncaros do celestial e do divino e as profundezas dos infernos. Depois que ultrapassei o preconceito de não gostar dele pura e simplesmente porque os nazis o admiravam, passei a ouví-lo e me deliciar com suas músicas, sem que isso mudasse meus pensamentos com relação aos prepotentes.
O que acontece na música acontece na poesia.
abraços. obrigado.
CELINA VASQUES - Obrigado pelos votos e pelos elogios. Eu me sinto feliz quando as pessoas se sentem satisfeitas com o meu trabalho. Isso é um dos incentivos que me levam a produzir.
boa noite.
bjs.
AIRTON - Sinto-me honrado com seu cumprimento. Também admiro o trabalho que você realiza em prol da Ecologia.
Muito obrigado.
Boa noite.
abrçs.
DORONI - Obrigado pela presença e comentário. E nem foi preciso falar sobre o gato-de-botas nem sobre os sete fôlegos dos gatos. Achei fantástico encontrar aqueles oitos que flutuam nos olhos dos gatos e que o Neruda descreveu naquele seu poema.
abraços.
boa noite.
Marco
Estou encantada e emocionada por tuas palavras. Grandes amigos e preciosas lições já vão se acumulando dentro de mim desde que entrei para o Overmundo. E tenho notado também crescimento significativo inda que as dúvidas às vezes tentem diminuí-lo tentando me convencer que vivo em constante estado poético-pueril.
Sabe dos meus poemas o que mais gosto de degustar é o meu "Ser Pássaro". Ele é parte de mim, portanto muito especial. Gosto de lê-lo lentamente, fracionando o som das palavras, como quem passa a língua pelas sílabas. Ao final da gustativa leitura o céu da minha boca já se fez em azul e esboço um sorriso onde rebrilham doces estrelas...
Encantada também com tudo e com todos aqui!
beijos
Beijos e votos querido poetAmigo.
Depois não me cobre inspiração rs...
Regina
BELISCAR - Regina Lyra
Se belisca eu chamo
para depois do beijo,
abro a porta do desejo
P igarro // palavra amarela // é o X do xarope na goela. (2)
A rripia, nêgo.//Um beijo passa na hora//quem pensará na tosse?(3)
L á fora está a festa //quadrilha, quentão. // E nós batendo coxa...(4)
A gora que faço? // Procuro parceiro para dança // você sumiu depois da lambança (5)
V ou dizer: não saí no pinote! // fiz um discurso // encontrei um caixote! (6)
R astreado no pé. // Vou para o salão, // discurso só depois de São João. (7)
A gora isso se agrava // se adia o discurso // retiro as palavras (8)
S em elas estou perdida // como fazer versos? // Falar de amor. (1)
Regina Lyra (1) (3) (4) (5) (7)
Marco Bastos (2) (6) (8)
Tá bom, se não cobre, bronzeio. rs.
bjs.
Marco.
BELISCAR - Regina Lyra // ABRAÇADABRA - Marco Bastos
Se belisca eu chamo // chama no chão, incendeia
para depois do beijo, // lava no veio e na veia
abro a porta do desejo // bronzeio o vulcão e incendeio.
´
CHERRY BLOSSOM. - não haveria outro pseudônimo que combinasse tanto com você como esse que vc. escolheu: "botão de cerejeira" pela sua delicadeza e pela sua poesia. Tomei a liberdade de colar o Ser_Pássaro aqui nessa página: É uma poesia linda.
obrigado.
SER PÁSSARO
.Vive dentro de mim
Um Ser ave
Um desejo pássaro
Um clamor de asas
De querer transpor-me
Ávido de estrelas
E de madrugadas azuis
Em gaiolas do Eu
Vive esse Ser
Se deixa-lo partir
O Ser pássaro
Jamais
Haverá em mim
por Cherry Blossom,
EDIMO GINOT - Muito obrigado pelo voto, Edimo.
Gostei do destaque que vc. deu àquela frase.
abraços.
Marco.
Marco Bastos · Salvador (BA)
OS OLHOS DO GATO
Puxa vida, construiu uma expressáo cheia de santidade que encantou todo mundo com uma Luz de simpatia e magia da felicidade.
No passear pelos comentários a gente percebe que ha uma grandiosa alegria em ajudar a elevar a aura de encantamento como que a preparar para até os náo iniciados como eu a ficar em estado de graça também.
Muito legal a obra e os leitores também muitos preparados.
Achei muito elevado.
Parabéns ao Autor e a todos.
Um orgulho do nosso povo.
Abração Amigo e voto de merecimento
O Tao agindo na não ação.
Marco, teus "olhos de gato" nos encantaram a todos.
Lúdicos e recheados de simbolismos inteligentes como todas as artes que nos mostras basta lê-los para nos sentirmos bem.
Um grande abraço, "correndo", amazônico.
"Não precisamos ser herméticos e ao mesmo tempo polissemia destruidora dos signos da unívoca correlação que faz corresponder pelos significantes os significados, persiana na Saussureana/Pierceana semiologia/semiótica, para termos Insights e Blow-Ups e em Gritos e Sussurros, deixarmos de ser compreensíveis - porque o homem só enaltece aquilo que mal compreende... "
De tão pouco que me resta dizer, falo apenas do incômodo que é escrever minhas mal traçadas linhas e encontrar aqui, gente tão forte, tão desenvolto na poética e críticos profundos de nosso tempo. Hermetismo é compulsão. Sua poesia de tão visceral chega ao viés de fisiológica.
Abração e parabéns.
Nossa Neruda...
como amo o poeta da Ilha...
parabéns ao senhor... adorei o que li aqui... bravo!
té
Precisamos pensar no "fazer poético. Bravo Marco.
Sua arte faz poesia...
QUASE NADA É RESOLVIDO - Regina Lyra
Assim surge vários ensaios
Na existência cumulativa.
Levadas encruzilhadas
Torpedos sinalizados
Folguedos em cinzas.
Prestígio de um coração
D
e
s
p
e
d
a
ç
a
d
o
Une o que restou.
"Quase nada na vida fica resolvido na primeira tentativa",
Quem sabe?
Beijos, poeta!,
Regina
Caro Marcos,
Quantas figuras de palavras e de pensamento, recheadas de simbolismos e de competência no jogo das palavras, que me extasiou.
Que posso eu acrescentar a tão sábios comentários?
Prazer estar aqui lendo esse texto, que de tão enigmático, vou passar a noite em claro até compreender tudo, se for possível. rs
Parabéns
Abração
AZUIR - de fato foi uma enorme satisfação interagir com pessoas tão boas e desprendidas, competentes poetas, que terminaram por dar forma e trazer para o campo das coisas compreendidas um texto que antes de publicar eu me perguntei se nele havia elementos que pudessem levar à sua compreensão.
Obrigado pelas palavras amigas.
abrçs.
LIGIA SAAVEDRA - Os olhos dos gatos são mesmo lindos e têm os mistérios dos telhados em noites de lua-nova. rs. Eles olham para fora e mostram o que se passa por dentro.
Obrigado pela presença e pelo comentário.
bjs.
WAM NICK - é mesmo mais ou menos assim: por um lado segue o pensamento que sem a organicidade das vísceras é só mesmo e se esgota em pensamento. às vezes é preciso pensar com o coração e sentir a dor-de-facão do baço e o frio na barriga. rs.
obrigado.
abrçs.
FLÁVIO MELLO - Pois é, Flávio...Neruda... e obrigado pela oportunidade que me dá de colar esse poema.
abrçs.
ODA AL GATO
Los animales fueron
imperfectos,
largos de cola, tristes
de cabeza.
Poco a poco se fueron
componiendo,
haciéndose paisaje,
adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato,
sólo el gato
apareció completo
y orgulloso:
nació completamente terminado,
camina solo y sabe lo que quiere.
El hombre quiere ser pescado y pájaro,
la serpente quisiera tener alas,
el perro es un leó desorientado,
el ingeniero quiere ser poeta,
la mosca estudia para golondrina,
el poeta trata de imitar la mosca,
pero el gato
quiere ser sólo gato
y todo gato es gato
desde bigote a cola,
desde presentimiento a rata viva,
desde la noche hasta sus ojos de oro.
No hay unidad
como él,
no tienen
la luna ni la flor
tal contextura:
es una sola cosa
como el sol o el topacio,
y la elástica línea en su contorno
firme y sutil es como
la línea de la proa de una nave.
Sus ojos amarillos
dejaron una sola
ranura
para echar las monedas de la noche.
Oh pequeño
emperador sin orbe,
conquistador sin patria,
mínimo tigre de salón, nupcial
sultán del cielo
de las tejas eróticas,
el viento del amor
en la intemperie
reclamas
cuando pasas
y posas
cuatro pies delicados
en el suelo,
oliendo,
desconfiando
de todo lo terrestre,
porque todo
es inmundo
para el inmaculado pie del gato.
Oh fiera independente
de la casa, arrogante
vestigio de la noche,
perezoso, gimnástico
y ajeno,
profundisimo gato,
policía secreta
de las habitaciones,
insignia
de un
desaparecido terciopelo,
seguramente no hay
enigma
en tu manera,
tal vez no eres misterio,
todo el mundo te sabe y pertences
al habitante menos misterioso,
tal vez todos lo creen,
todos se creen dueños,
proprietarios, tíos
de gatos, compañeros,
colegas,
discípulos o amigos
de su gato.
Yo no.
Yo no suscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vita y su archipiélago,
el mar y la ciudad incalculable,
la botánica,
el gineceo con sus extravíos,
el por y el menos de la matemática,
los embudos volcánicos del mundo,
la cáscara irreal del cocodrilo,
la bondad ignorada del bombero,
el atavismo azul del sacerdote,
pero no puedo descifrar un gato.
Mi razón resbaló en su indiferencia,
sus ojos tienen números de oro.
Pablo Neruda
CÍNTIA - e assim é, Cintia. Aqui temos tantos poetas e tantas poetas que é a nossa arte que faz poesia, ou a poesia é essa convivência e esse congraçamento.
obrigado pela presença.
bjs.
REGINA LYRA - Que beleza de poesia : Quase nada é resolvido! (primeira tentativa)... Quase nada é resolvido na primeira tentativa! (segunda tentativa) e entre o título e o final desse poema aconteceu esse poema em primeira tentativa. É que no poema a poeta usou a cola do coração despedaçado (por um amor à primeira vista) e em se tratando de amor cai por terra toda a dialética. rs.
Obrigado, Regina, com seus comentários, com suas poesias essa página ficou mais bonita.
boa noite.
bjs.
SAAVEDRA VALENTIM - é uma satisfação você ter aceito o meu convite para estar aqui conosco nessa conversa sobre poesia e o que está aí escrito foi acontecendo à medida que acontecia. Fiquei também feliz com o conjunto: texto e comentários. Mas passe não a noite em claro porque eu li aqui na bula que isso é para ser tomado em doses homeopáticas. E também tem ali que o cara disse prá não levar nada demasiadamente a sério e que nada fica resolvido na primeira tentativa. rsrs.
obrigado.
abrçs.
Lindo Marco
estou sem pc numa lan
beijinhos
claudia
Obrigado, Flávio Mello.
um ótimo domingo.
abraço.
Obrigado por ter vindo, Claudia. Chato isso de ficar sem PC, mas passa logo, rs - essas maquininhas são assim mesmo, de vez em quando precisam de manutenção.
Lindo domingo.
beijos.
Marco, querido, poetAmigo,
Coloco aqui um poema que aqui nasceu e eu dei uma 'mexida' nele.
o poema sofreu algums alterações, inclusive no título.
Segue com beijos,
Regina
TRANSGRESSORA DA PALAVRA - Regina Lyra
Quando escrevo um poema,
Sinto o sabor das palavras,
Degusto as imagens,
Faço amor com os versos.
Quando escrevo um poema,
Vejo a sonoridade da água,
Ouço o crepitar da alma,
Que enleva meu canto.
Quando escrevo um poema,
Sei que é uma aprendizagem.
E me pego brincando com sílabas,
Feito criança alfabetizada.
Quando escrevo um poema,
Já nem sei quem sou.
Talvez uma miragem:
Há tantas de mim em uma só.
Busco meus eus perdidos
Nos oásis do deserto.
Quando escrevo um poema,
Sinto que nada é sério.
Tudo, circunstancial: como a vida.
Na embriaguez das palavras,
A placidez do sossego.
Enfadonho
- É o degredo.
Regina Lyra,
A poesia me chama, quando sem rumo me sinto pedra sem limo. Paro, respiro fundo, rimo para mim um segredo - não há degredo porque não há porteiras no mundo.
beijos.
Marco.
Obrigado, Fátima.
E aproveito sua passagem por aqui para agradecer o ótimo trabalho que você realiza no poeticadigital.
abraços.
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