Tive uma infância incrível!
Morava numa cidade de interior, às margens de um rio maravilhoso, que trazia, em sua correnteza, sonhos, surpresas , emoções, gente.
Uma das coisas que mais gostava de fazer era ouvir histórias. E nas férias, então...humm, como era bom!!
Noite quente de verão. Para matar o tempo, minha tia resolveu contar uma história que havia lido e que a deixara impressionada: a história dos SETE DIABOS que se apossara daquele homem, pobre coitado!
Ouvindo o tema, meu pai resolveu nos pregar uma peça. E minha tia nos prendendo a atenção: " O primeiro Diabo que entrou no homem não levou muito tempo para sair, não. Bastaram algumas rezas e missas para dar cabo de Lúcifer. O segundo careceu de um pouco mais de habilidade e fé do padre Geraldinho, que com sua fala mansa, cadenciada e sotaque carregado, teve de passar mais de dois dias entre rezas exorcizantes e muita água benta para afugentar o Demo do corpo possuído.
À medida que transcorriam os dias, seu Tonico apresentava novos sintomas de possessão e, sempre a postos e munido de todo o aparato, o padre entrava em ação com rezas, benzeduras, água benta, cantos e crucifixos para acalmar e expulsar o Capeta do corpo do homem que, coitadinho, já estava mofino de tanto levar bordoada do Tinhoso.
O padre, quase chegando à exaustão, também já tinha seu estoque de rezas quase que totalmente esgotado.
E o sétimo Diabo resolveu se alojar no corpo daquele homem já quase totalmente sem forças para lutar. Em momentos de lucidez, pedia a Deus que o levasse.
Parece que Satanás conseguira reunir todas as forças que tinha nesse que, agora, se apossara do corpo de Tonico.
O padre, meu Deus do Céu, se desdobrava para exorcizar Belzebu, sem grandes avanços.
E quando minha tia explicaria como o padre iria fazer para capturar e mandar pro quinto dos infernos o Diabo-Mor, eis que surge da escuridão, na sala de jantar,uma figura horrenda falando, com uma voz cavernosa:
"- Aqui está o último Diabo! Ah, ah, ah, ah!!!!!!
" - Ai, minha Nossa Senhora das Assombrações!! Estamos fritos!
O desespero foi geral. Gritos de medo, apavoramento e a paralisação. Não conseguíamos sair do lugar. O pavor nos congelou - só não nos deixou mudos, ainda bem - gritávamos como loucos - Para completar, minha tia estava durinha no chão. Desmaiara. Era cardíaca.
A única pessoa a manter a serenidade foi minha mãe que, conhecendo meu pai como só ela, tinha certeza de mais uma de suas armações. Acho que só não bateu nele porque precisava de sua ajuda para nos acalmar e fazer minha tia voltar a si.
Passado o susto e com as coisas no seu devido lugar, ficamos sabendo como meu pai havia conseguido nos assustar: vestido com um macacão preto, capuz negro na cabeça e a piaçaba de vassouras amarradas nas mãos, ele conseguira passar-se pelo Demo. Quanto à voz, não foi difícil. Aproveitando-se de seu defeito (ele não tinha o "céu" da boca - era fanho) e valendo-se de sua voz forte e grossa, conseguiu fazer aquela voz horrenda e nos assustar pra valer, já que estávamos todos entretidos, por demais até, na trama de nossa tia.
Depois que tudo voltou ao normal, até minha tia deu boas gargalhadas.
Só mamãe foi capaz de segurar o riso. Alguém tinha de ser sério naquela casa, não é?
E o SÉTIMO DIABO? Bem, esse deve ter se assustado tanto com a aparição de meu pai que até hoje não se tem notícias dele.
Ufa! Ainda bem!
Ainda bem que tive um pai assim!!
rsrsrsrsrs
que delicia !!!.voltei à minha infancia e lembrei-me do
meu avô e de suas historias...rs
Quem dera os pais de hoje contassem estorias assim. naõ ?!
ou sera que mais nada assusta nossos filhos ? rs
ahhhhhhh o 7º diabo...se pertubou com seu sorriso, poetisa (ve ?! )
e foi embora pra semmmmmmpre. rsrs
a d o r e i.
bjsssssssss;)
Claudinha, minha querida, és muito gentil! Obrigada! E quanto a contar histórias, meu neto adora ouvir e eu, contar. É muito bom! Assim permaneço criança, né?
Beijos, menina.
Que venham outras histórias. Mas o seu pai, hem? Era daqueles que pegava o capeta pelo rabo! E a sua tia? Ficou um ano sem falar com ele? Também eu, quando passava as férias na roça, gostava de ouvir histórias de assombrações e adorava sentir aqueles arrepios de medo.
Certa noite, um fazendeiro vizinho contava que... Ah, mas esta só contarei numa fria noite de junho...rsrs
Oi, Onivaldo! Acho que minha tia era cúmplice de meu pai. Pensa que ela ficou sem falar com ele? Nada!! Meu pai era "sapequinha", mas era um barato. Ninguém conseguia ficar com raiva dele por muito tempo, mesmo que aprontasse desse jeito.
Obrigada por ter vindo ler.
Beijos, menino!
São momentos mágicos da infância! Abro a votação e mando o meu beijo!
raphaelreys · Montes Claros, MG 25/3/2009 15:43
Lena,
Os pais de antigamente eram demais!
O meu gostava de contar histórias de lobisomens e mulas sem cabeças, etc.
Mas teu conto é ótimo!
Inda bem que a tia não morreu do coração.
Mas se nós não conseguimos lidar nem com nosso demonio interior
imagine com 7 estranhos.
é demais...
bjs
Maravilha !....rsrsrsrs
primeiro o clima, depois a estória, depois a encenação !
tudo perfeito prum susto daqueles !
Perfeito !...Paizão esse !...quem viveu , viu, né não ?...rs
bj
Cada um tem o pai que merece !
o meu não ficou muito pra trás, tinha lá o seu jeito especial, que eu só consegui compreender, infelizmente, depois que ele se foi...
um beijo, valeu pela 'festança' !
bjsssssss e... quero mais esse connnnnntos viu ?
Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 26/3/2009 03:37
Lena,
"- Aqui está o último Diabo! Ah, ah, ah, ah!!!!!!
" - Ai, minha Nossa Senhora das Assombrações!!
Ótimo texto, lembrei da minha infância e das assombrações, lanternas e todos equipamentos,rsrsr,bjs.
que maravilha, um ótimo texto, gostei de ler.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 26/3/2009 16:25Cruz Credo, mas eu tinha batido no seu pai, Lena...onde já se viu? e a pobre tia tendo um troço. já pensou...Que texto bom! Parabéns! Bjs e votos pquenos e sinceros,
Pat Borato · Rio de Janeiro, RJ 26/3/2009 21:05Lindo, que só agora tenho o prazer de ler. Um beijo.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 13/9/2009 23:59Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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