Na penumbra da noite onde a única luz que banha o abismo de suas convicções é a do luar, ela contempla o inefável de seus anseios perdidos. O vento balançando o negro da alma. Ouço baixo o seu suspiro e vejo sua queda lenta, em seguida, o barulho do corpo que se misturou às espumas da dor.
Antes de acordar e sentir que isso só foi um sonho, consigo perceber a beleza da morte e a sua relutância em nos buscar no momento certo, naqueles, cuja angústia lança a sua luz indefinida, quase tênue, refletindo pecados esmaecidos pelo tempo, mas ainda vivos e que ferem e dilaceram como um gládio romano.
E junto vem o medo, corruptor de ações, sorvendo, numa respiração estéril e viciada, a ingenuidade do pequeno Eros, pois sim, ele se foi, mas a mãe, Afrodite maculada, expande, numa laboriosa febre de luxúria, o veneno que entorpece os vestígios da inocência.
Foram todos sacrificados na noite da cidade, lacerados em um altar esculpido numa argila esmaltada com sangue e cobiça.
Ao levantar, sacio a minha sede, bebendo no crânio dos meus antepassados. Vejo a Lua, jovem virgem mutilada, pairando na noite promíscua da minha solidão, tento alcançá-la, levanto o meu sabre, fazendo um círculo monástico em torno do nosso destino, mas não há resposta. Perderam-se encerradas no interior de seu calabouço.
Então eu caminho, passos lentos, porém firmes, daqueles que já conhecem o seu itinerário. A jornada é curta, antes mesmo que a areia do tempo se dilua pelas minhas veias, eu a vejo, paro por um minuto e flerto com o meu precipício...
- *Gabriel Desaix* -
Antes de acordar e sentir que isso só foi um sonho, consigo perceber a beleza da morte e a sua relutância em nos buscar no momento certo,
belíssimo trabalho.depois eu volto.
Que impressionante, gabriel
Chega a arrepiar
Parabéns!!!
E eu te diria...
Deito-me ao seu lado em um catre de expiação e diante dos meus pecados cometidos sem o tino da razão entre o choro e a reviravolta de minhas entranhas que me trazem na boca o gosto amargo do fel... Envergonho-me diante da morte e não de ti.
Beijo, Intenso Anjo.
Gabriel,
seus escritos são bárbaros.
Muito bom que você tenha aportado por aqui para nos deleitar com tais construções.
Como num sonho descreve vários temas, mas o mote principal, a morte (acho eu) fica subliminar e bem caracterizada com seu modo original de metaforizar momentos de reflexão.
Pura poesia.
Parabéns
abraços
fui ferido.estou mudo diante do texto. belíssimo!
grande elaboração.
Obrigado pela presença, Marques.
abraço e bom final de semana.
Obrigado, Ailuj.
Muito gentil, como sempre.
fico feliz que tenho gostado do trabalho.
beijos e bom final de semana.
Ah, obrigado, intensa Lola.
Adoro te ler.
beijos.
Salve, Cristiano.
Obrigado pela visita à minha pag e pelas gentis palavras. Generosas.
abraço e bom final de semana.
New, Brigado pela visita e leitura do poema
abraços.
Eu me impressionei com este trecho, que diz tanto de momentos em que a vontade de morrer era a coisa mais viva em mim:
"antes mesmo que a areia do tempo se dilua pelas minhas veias, eu a vejo, paro por um minuto e flerto com o meu precipício..."
Flertar com o precipício talvez explique nossas vertigens.
Bom ler você em prosa!
Flertar com o precipício é vida. Eros está presente. É sempre a vida contra a morte.
Compulsão Diária · São Paulo, SP 25/10/2008 23:52
Gabriel,
Interessante...
"pecados que dilaceram"
" amor, luxuria, inocência"
Esse seu poema faz crer que perante a dor,
angustia e sofrimento, a morte é um alivio.
bjsss
como disse uma moça, em comentário anterior, muito impressionante
blz...
breve vou postar, além d eoutras canções, meus curtas, clipes e determinados escritos...
vamos nos falando
parabéns e viva a cultura!
Desaix são mais de duas da matina, tenho q acordar cedo. fiz o contrário do habitual.....Como sei q vou gostar..rs eu votei primo e amanhã leio com calma... e comento...
a ordem dos fatores....bla bla...
Gabriel Desaix
Bela poesia, enviando para o banco com louvor.
Abraços
Na penumbra da noite onde a única luz que banha o abismo de suas convicções é a do luar, ela contempla o inefável de seus anseios perdidos. O vento balançando o negro da alma. Ouço baixo o seu suspiro e vejo sua queda lenta, em seguida, o barulho do corpo que se misturou às espumas da dor.
Ah!Gabriel.parece que vc escreveu meu momento.
Lindo seu texto.deixo com orgulho meus 10 pontos.
Oi...
Gostei muito!Voçê escreve com uma intensidade ímpar! Seus poemas produzem um cenário mental fantástico!
Votado
Não vejo beleza na morte e nem na constante desgraça humana, mas tenho que concordar que estás escrevendo como os ditos "malditos", cavucando com um dedo sujo a ferida da constância.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 27/10/2008 10:16
Soturno. Fascinante Texto de tirar o sono!
Vem do lado escuro da Alma humana e traz em seu bojo as coisas que o ser humano ainda não conseguiu superar, transmutar. Mas é preciso expurgar. E um dia não haverá mais Trevas!
Tenha una boa Semana. jbconrado.
Cara adorei ... =D
um toque sórdido e deliciosiosamente lúdico ...
pude imaginar cada verso .. lindo ...
parabens .. me fez lembrar as noites escuras acompanhando Byron!
Beijos e sucesso =D
Gabriel Desaix · São Paulo (SP)
Ouço baixo seu suspiro e vejo sua queda lenta
Expressão forte e um tema impressionante
POE, Parece o Edgar, Allan Poe.
Impressionante.
Tem a visualização e consegue fácil exprimir.
Arrepia e até dá medo.
Um poder muito grande de usar as palavras.
...o barulho do corpo que se misturou às espumas da dor...
Parabéns.
Abração Amigo
Boa poética. Destes que precisamos por aqui!
Lavra prima!
ab
Extremamente forte o encontro com a morte... senti aperto no coração lendo o trecho: "Então eu caminho, passos lentos, porém firmes, daqueles que já conhecem o seu itinerário. A jornada é curta, antes mesmo que a areia do tempo se dilua pelas minhas veias, eu a vejo, paro por um minuto e flerto com o meu precipício..."
Votado...
Gabriel, tornas o tétrico agradável, homem, embora lide com temas terríveis, usas de atavios irretocáveis, tornando-os irresistivelmente atraentes...
Sem dúvida, tens um dom diria até inato, póis parece espontâneo de nos dizer de forma alegre, coisas tristes !
Um abraço!
Diz o sábio Petrônio que a alma fora do corpo brinca! Enquanto dormes a sua volita nos Hades e quando retorna nos trás magníficas histórias meu caro!
raphaelreys · Montes Claros, MG 27/10/2008 20:46
Certa vez conversando com a Me, q conheço a tempos; ela se espantou qdo disse q temia a morte. N escondo, assumo.
Sempre fui assim dsd criança. A perda me mutila e nem Freud conseguiu resolver. Sou teimoso e teimo em enfrentar. Qdo menino eu ía aos enterros e me via em cada morto..eu os encarava pra perder o medo e descobri que o meu medo estava relacionado a perda...( entenda como perda, um afastamento). nessa medida é mto difícil pra moi falar da morte c naturalidade, pq ela é a perda de td.. A morte pra moi é o nada.. estilo: N mais te ver... não mais te tocar.... não mais te sentir...
A morte é o vazio completo..a escuridão. esclareço q amo a vida. Gosto dos sorrisos, gargalhadas, brincadeiras, escrever, ler e zuar.. Eu gst de tantas coisas" vivas", q perdê-las é perder a mim. Não convivo bem com a dor, apesar de aceitá-la... Durante um tempo eu fugi da ppia Me apesar de saber quem ela era, eu fugia pq ela se denominava amiga daquilo que me estraçalhava o peito.. vc me entende?
mas apesar de - > eu n posso negar a blz de seu texto e separei uma parte que considei beautiful....
E junto vem o medo, corruptor de ações, sorvendo, numa respiração estéril e viciada, a ingenuidade do pequeno Eros, pois sim, ele se foi, mas a mãe, Afrodite maculada, expande, numa laboriosa febre de luxúria, o veneno que entorpece os vestígios da inocência.
ce la vie...
Um retrato grandioso das dores humanas e de sua inutilidade diante da "indesejada das horas".
Perfeito!
beijos
Olá, Cd.
Grato pela presença.
Então, eu acho que no fundo todo poeta faz isso, flerta com o precipício, fitando com uma curiosidade, às vezes até demasiado mórbido o desconhecido.
beijos.
Ah eu concordo, Eliana, flertar com o precipício no mais das vezes causa tonturas, às vezes causa até uma certa naúse, mas mesmo assim acabamos (nós poetas) fazendo essa loucurinha rs
beijos e obrigado pela visita.
Lola poetisa, obrigado pelo voto e pelo carinho.
beijo.
Doroni, obrigado pela visita e leitura do texto.
Ás vezes a morte acaba sendo um plano B, um lenitivo diante das angústias da vida. Mas ainda assim eu a prefiro (a vida) com as surpresas boas e ruins com que ela brinda ao longo da existência.
beijos.
Clara, obrigado pela visita e comentário.
Fico feliz que o meu texto tenha lhe tocado.
beijos.
Cassiane, muito obrigado pela visista e comentário.
Sempre um prazer poder contar com a sua leitura.
beijos.
Salve Pontes!
Obrigado pela visita.
Você tem razão: a morte não tem nada de bonito, no entanto, não posso negar que a danadinha exerce um certo fascínio sobre minha escrita.
abraço.
Jessyca, valeu pela participação.
Sempre bom poder contar com a sua presença e leitura.
beijos
Caro, Azuir.
Obrigado pela sua generosa participação. Ainda não tive o prazer se ler Poe, mas faz tempo que ando com vontade e diante do seu comentário a minha curiosidade aumentou ainda mais.
abraço.
Agassi, obrigado pela participação e leitura do trabalho.
abraço.
Ayruman, obrigado pela visita e leitura do texto.
Ah, concordo com você, e também acho necessário fazer esse expurgo de alma, botando pra fora as sombras para que não obscureçam o espírito.
abraço.
Bandys, obrigado pelo voto e visita.
beijos.
Alcanu, valiosa a sua participação.
obrigado pela visita e comentário.
abraço.
Cíntia, obrigado pela visita, poetisa.
beijos.
Novo poeta e Domingos, obrigado pelos votos. Como sempre solidários.
abraço.
Salve, Raphael!
De qual sábio Petrônio você está falando? É do arbitro da elegância, aquele escritor latino autor do Satyricon? Porque é um autor e peronagem histórico que gosto muito. O homem além de um artista dono de uma escrita das mais saboras, ainda por cima era um herói, porque aguentar os humores de Nero não devia ser brincadeira não rs
abraço.
Salve Thiers.
Puxa, fiquei impressionado com a sua confidência. Não imagina essa ojeriza sua à morte. Quer dizer todos tem um pouco né, mas no seu caso parece ser algo meio traumátco mesmo e sendo assim deve ser um assunto do qual prefere sempre passar ao largo no seu trabalho poético.
Mas sei lá, acho que se você se debruçasse sobre o tema qualquer dia desses comporia um poema dos mais interessantes e enigmáticos. Fica aqui a sugestão .
abraço e obrigado pela visita.
Saramar, grato pelas gentis palavras e pela visita.
Espero poder contar sempre com a sua participação, engrandecerá esse espaço.
beijo.
Gabrieellll!! Prelúdio das tormentas para alguns...a morte pode ser a liberdade que chega...pássaro negro vindo com a noite, pássaro branco vindo com o dia...equilibrados pela vontade de quem com ela se deita...
Adorei!!
gabriel,
perdoe-me pela demora
fiz uma pequena cirurgia bucal e fiquei
fora de combate por uns dias
saúde & paz
OBAMA, BUMA YE!
olavo dada
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