sou sombra, nuvem cheia e copo com água em cima da pia./ se deixar eu derramo, entorno./ quando encosto na cabeceira dura da cama é que me dá vontade de chorar baixinho./ bem baixinho. meu cachorro uiva pra lua e eu olho pra ela e ela não me vê./ às vezes penso que ela é burra. né nada, minha tia Célia dizia./ isto é coisa de lua nova, quanto menos se vê, mais quer./ conheço pessoas que nunca foram na minha casa, que nunca ficaram perplexas ou paradas. o touro é que não gosta delas./ eu tenho uma dorzinha que me incomoda de vez em quando, quando ela some de todo, eu cutuco ela pra me ver vivo, loquaz, atendido nas minhas perdidas esperanças./ queria ter companhia pra chorar de noite, noite e dia, noite e dia, noite e dia./ chorar sozinho é bom quando não se quer companhia. eu quero derramar aquele copo d'água inteirinho, mas na boca de quem não escuto a voz, mas sei que já chegou./ reconheço gente de olho fechado, se tiver perfume bom, se tiver uma mão macia ou cabelo de anjo./ desesperei uma vez quando me sumiu todo meu amor./ nem sabia que tinha ainda daquele jeito./ depois enchi-me de coragem e fui pegar a roupa no varal, catar limão, lavar calçada e depois entrei em casa./ estas coisas eu faço pra me pegar sozinho e me convencer que a vida é só isto./ mas eu tô olhando lá da janela e grito./ corre Marcos que vem chuva!
Faz parte de textos escritos entre o final do outono e início do inverno deste ano. Em meio ao frio interno...
Marcos, Meu abraço.
Por vezes estamos no melhor do sonho, e despertamo-nos.
"Corre marcos, que lá vem achuva!..."
Votei!
Parabéns pelo trabalho e Boa sorte!
Eu estou com uma Mostra de Cinema na agenta Cultural, http://www.overmundo.com.br/agenda/mostra-curta-todo-brasil-traz-cinema-independente-a-camara , depois se der passa lá e vota! Beijos
Muito bom texto, bela narrativa e construção original.
Parabéns
votos e abraço
É quase um auto-retrato, uma autobiografia contida. Uma poesia drumoniana. Muito bom!
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 10/7/2008 19:47
Marcos...
Lindo poema,
Cutuque sempre essa dorzinha chamada esperança, porque sem ela não se vive e sozinho de todo também não.
Bjsss e votos
The Wall · Belo Horizonte (MG)
outra coisa
A Intimidade, o saudosismo a vida latente em Poesia.
.....tia Célia dizia./ isto é coisa de lua nova, quanto menos se vê, mais quer.
Ficou um texto atraente para ler e encantador para ficar imaginando alternativas e opcóes da sua continuidade.
Muito legal
Tem todo merecimento.
Voto de louvor
Adorei ... Que belo escrito, mistura de poema e texto ficção.
C\uidado, desse modo, a água entorna mesmo..
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