Fui surpreendido esta semana por uma amiga que veio chorar no meu lenço sua má fortuna, sua impaciência com a vida, seu arder no fogo do desamor, ocasionado pela fuga traiçoeira, sem volta, do seu parceiro amoroso que ela sempre acreditou ser o definitivo amor da sua vida.
Trazia tatuada na face toda a infelicidade do mundo e uma dor impossível de esconder por conta da tinta de lágrimas que pintava o seu olhar. Na ânsia de aliviar seu desconforto emocional, não se importou em abrir a fechadura espiritual que guardava seus segredos e revelou todas as tempestades que varriam seu interior, devassando sem medo a revolta que punia com a angústia, sua alma, seu coração, mostrando que sua vida se transformara numa insanciável esponja de vinagre.
Não foi difícil ver que o sofrimento gerado pelo abandono, pela solidão, lhe negava acreditar no amanhã, no desconhecido, no que vem flutuando no tempo. Lembrei, visando lhe emprestar um sopro de coragem, das muitas dores que invadem tantas almas anônimas, dos punhais que também ferem outros incontáveis corações, sem conseguir, todavia, acalmar aquele oceano revolto de mágoas.
Pude perceber que o seu dilacerante estado emocional, pelo vôo inesperado do seu parceiro, tornara seu mundo infinitamente pequeno. Desnudando suas feridas, mostrou sua alma vestida com a cor dura do luto, da tristeza, renegando o carinho, um passado de amor. Confessou sua ânsia pela desforra, desprezou as lembranças felizes, retalhou seus sonhos que ficaram caídos pelo chão da humilhação. Mostrou toda a sua inconformação com o recuo dos sentimentos daquele que era paixão da sua vida. Em silêncio, pensava como a minha palavra amiga poderia desacelerar um coração ateu pisado pela desesperança.
Seria injusto desapontar alguém que vinha ao alcance da minha alma em busca do bálsamo que amenizasse as dores do seu amor-próprio ferido. Seria ingrato, desumano, desviar os ventos da amizade para quem buscava respirar o ar que tem o cheiro da compreensão, da serenidade. Seria insensato, cruel, cerrar minhas portas para quem vinha confessar que seu mundo se transformara numa terra caída, num vento que passou. Não me interessava julgar e comparar o tamanho da sua dor com tantas dores maiores que correm pelo mundo.
Para aquela velha amiga que me escolhera como o escudo para as pedras que lhe atiravam as mãos ingratas do desamor, do abandono traiçoeiro, fizeram do meu espírito o silêncio de um altar religioso onde ela podia repousar sua aflição, o rufar acelerado das batidas do seu machucado coração, que ansiava por um conselho carinhoso, por um olhar amigo, parceiro, leal.
Quem de nós já não precisou de ombros que acolhessem nossas desesperanças? Esses momentos nos dão a certeza que é impossível para o homem viver sem o sabor da amizade e do amor. Aliados fiéis que vivem a encorajar os passos vacilantes de tantas pessoas sofridas. Que mudam destinos. Enterram passados dolorosos. Inauguram o presente e, sobretudo, acendem o farol que ilumina o futuro para tantos que vivem na escuridão da vida.
Depois da nossa conversa nossa amiga partiu em aparente serenidade. Como o filosófo, desde certo tempo, tenho a consciência plena que uma das minhas missões sobre a terra é reconhecer o vazio dentro de mim e ao meu redor. E preenchê-lo. Seja com lembranças felizes, com atitudes amigas ou apenas atento ao cantar de um bom vento que já passou. Disse-lhe que ficasse na espera. Que não deixasse de perceber, no meio do seu infortúnio, que outros ventos chegarão.
Noélio, sempre me refiro aqui ao seu imenso e amoroso coração.
Nesta crônica, você desvela a essência do amor e da amizade: o abrigo que podemos ser e o vazio que devemos preencher, se a compaixão guiar nosso coração.
beijos, volto para o voto.
Noélio, o apixonado pela vida e seus viventes....
Sabe, queria ter um ombro como oteu por aqui...
Quando comecei a ler, pensei que era pra mim(rs), mas todos precisamos o desabafo confesso...
abçs..volto.
O texto flue normalmente.Voce e um verdadeiro esgrimista das palavras, e acerta em cheio aonde quer chegar! Parabens, grande escritor...victorvapf
victorvapf · Belo Horizonte, MG 31/10/2007 20:10
Professor Noélio Mello.
Poesia da referëncia, da Luz pro mal tempo da vida
Ombros Amigos que acolhem desesperanças.
Poesia com filosofia para resolucáo dos problemas.
Um indicativo de que todos temos de nos preparar para encontrar ou ser esse Amigo dos ombros acolhedores/
Um Grande Abraço.
Voltei para votar e reler.
Como disse a Cíntia, quem dera você estive aqui para acolher algumas tristezas.
Obrigada.
beijos
Noélio, incrível é a sua capacidade de falar da vida e de seus pedaços...
Votei!
abço.
Noelio,
Sua colaboração de agora, faz-me entender, que fugir para a lágrima, nem sempre é o melhor caminho que devemos trilhar. Nossas angústias devem ser escamadas conforme o decorrer
das possibilidades palpáveis, que acreditamos existir. Mas é lamentável que alguns tenham visão distorcida do que chamamos solidariedade.
Excelente crônica poética.
Abçs.
Benny Franklin
Noelio,
Fascinante como sempre. Gosto muito de tudo que vc escreve e esse lado de auxiliar, de se colocar sempre pronto pra dar... "mesmo faltando um pedaço...", é incrível e muito peculiar da sua pessoa.
Sei não, mas, em alguns momentos do texto acho que vc escreve diretamente pra mim... as lições tiradas do seu texto são guardas no meu coração e servem para reflexão.
parabéns + uma vez!!!
bjão
Meu caro cronista,
Agora também não bastasse a tecitura do texto o emolduras
com uma imagem desta, legal mesmo, um abraço, andre.
Belíssimo, sensível e cheio de uma sabedoria dócil que acalma qualquer coração dilacerado. Teu texto é por si só um ombro amigo.
"Enterrando passados e inaugurando presentes", é assim que se vive, sempre a olhar para a frente.
Flores pra você, um cronista-poeta de alma nobilíssima @>--
Noélio,
embora com atraso, mas seu convite é sempre irrecusável, pois já sei de antemão que seus textos são de uma doçura infinda e que deixa sempre uma reflexão em meus pensamentos. Ainda bem que sempre há outros ventos no caminho, isso consola bastante.
Adorei seu texto.
Abraços carinhosos, amigo!
NOÉLIO,
mesmo diante de tamanho infortúnio, essa amiga tem muito mais felicidade, por encontrar em tuas palavras tanto conforto.
Lindo amor o da amizade... lindo texto!
Abçs de Betha.
Já votado , mas resolvi voltar para ler...
E que posso dizer que pudera ter Noelios para todo mundo, pra toda gente...pra mim...(rs)nos dias de decepções e sem caminhos...
Bravo Noélio. ler vc faz bem a toda gente...a mim rs.
Um abraço e muita alegria em seu lar neste feriadão...
Vim votar, pagando o aval de meu comentario! Parabens mais uma vez! Victorvapf
victorvapf · Belo Horizonte, MG 1/11/2007 22:59
E eu pensando em ir a um analista, Noélio. Rsrsrsrs!!!
Creio que esses males de amor existirão por toda uma eternidade, como vc mesmo diz "Quem de nós já não precisou de ombros..." Na verdade, até me vi no teu texto de tão bem escrito, meu cronista predileto.
Ah! gostaria que vc soubesse que alguns de seus textos leio-os antes em "O Diário do Pará".
Um abração Noélio e parabens por tudo o que vc escreve com tamanha maestria.
Noélio, compareci para mais uma vez caminhar contigo pelo recôndito da alma humana.
Bela prosa, sensibilíssima.
Abraços!
Noélio, um texto grandioso.
Tem muita sorte quem encontra um ombro amigo assim, num instante como esse da vida.
Li aqui, em cada palavra o sentimento que resultou no aconchego esperado. Belíssima missão viu. Parabéns! Um abraço.
Amigo Noélio, confesso que estou com uma pontinha desta tristeza esta manhã... Parabéns pelas palavras!
Perfeito Noélio...
Você é um semeador de novas esperanças... Alma embebida na boa-vontade...
Grande abraço Guaicuru!!!
Noélio,
Finalmente, consegui chegar ao seu OUTROS VENTOS CHEGARÃO. E, encatada, deixo meu abraço e o meu voto. Beijo grande.
Olha amigo Noélio,
este texto teu me impressionou demais. Além de ser um fato lamentável ocorrido com a tua amiga é um belíssimo escrito poético.
Se eu quizesse destacar alguma fraze de grande coteúdo poético seria muito dificil porquu tem uma infinidade delas mas mesmo assim eu vou dizer: Tinta de lágrimas que pintava o seu olhar. Meus sinceros aplausos e abraços, poeta.
Carlos Magno.
Noélio,
Desculpe a demora em vir aqui neste seu belo texto. É que demorei a encontrar o 'link'. Mas agora, após ler e reler este seu maravilhoso escrito, estou deveras feliz. Pois tive acesso a um texto exemplar e belo em todos os sentidos.
Nota 10! - Votei.
Como as estrelas que inundam de lágrimas o pantanal, o filósofo Noélio acode coração ferido com sopro de palavras mágicas.
Frazao my brother · Anastácio, MS 6/11/2007 17:38
Grande amigo noelio. Me perdoa a ausência. Votado.
Grande abraço!!!
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