Ouvir Estrelas (dos Apócrifos do Pequeno Dicionário de Arquétipos de Massa)

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Fábio Fernandes · São Paulo, SP
9/1/2007 · 128 · 23
 

Todo dia ele faz tudo sempre igual: levanta, sacode a poeira e se senta na frente do computador. A primeira coisa é verificar a caixa postal. Spams, scams, algumas newsletters. Nenhuma lista de discussão: não assina.
Ele espera mensagens. De onde, nem ele mesmo sabe ao certo. Porque também não envia. Para cada resposta é preciso antes uma pergunta. Para cada “vou bem” é preciso um “como vai”.
Ele nunca diz como vai.
Às vezes, uma surpresa: um e-mail dirigido diretamente para ele, com seu nome completo, sem a menor dúvida. É só quando ele dá os dois cliques no mouse que percebe que é da faculdade, ou um informativo de algum lugar que ele não pediu.
Uma vez, no dia do seu aniversário, recebeu um e-mail de uma ex-namorada, que dizia simplesmente: parabéns. Ele deu reply agradecendo, e ousou perguntar se ela não queria sair, beber alguma coisa, ir no show daquela banda que ela tanto gostava quando eles saíam. Não houve resposta.
Todo dia ele faz tudo sempre igual: levanta, sacode a poeira. E não dá a volta por cima. Fica lá, o tempo todo em frente ao computador, esperando uma resposta.
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Autoria
Fábio Fernandes
Ficha tcnica
um texto apócripho do Pequenno Dicionnario.
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fernando apple
 

out there ? no just here. ou dentro dele.

fernando apple · Palhoça, SC 6/1/2007 16:29
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Rafael Biazin
 

linguagem bastante atualizada. Uma forma correta de incentivo à leitura.

Rafael Biazin · Campo Mourão, PR 6/1/2007 18:18
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Letícia Lins
 

tava com saudade.
Q beleza.

Letícia Lins · São Bernardo do Campo, SP 9/1/2007 01:26
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Fábio Fernandes
 

Que bom que você gostou, Letícia. Obrigado!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 9/1/2007 08:00
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Daniel Duende
 

Ahhh... é bem verdadeiro.

Já tive meus dias de escutador de estrelas, acho eu. Mas, entre nós, quem não os teve?


abraços do verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 9/1/2007 20:13
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Helder Dutra
 

Batuta!!!me lembra o tempo em que não tinha coceiras ao ler cronicas...

Helder Dutra · Rio de Janeiro, RJ 9/1/2007 20:44
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Fábio Fernandes
 

Valeu, Helder! Agradeço penhorado!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 10/1/2007 14:08
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Fábio Fernandes
 

Acho que todos nós q

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 10/1/2007 14:08
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Fábio Fernandes
 

Acho que todos nós q

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 10/1/2007 14:08
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Fábio Fernandes
 

Acho que todos nós que aqui estamos
pelas estrelas esperamos, Verdão!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 10/1/2007 14:08
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Ana Cullen
 

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! “Eu vos direi, no entanto,
Que para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas pálido de espanto...
[...]
E Eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode Ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
Olavo Bilac

Que continuemos ouvindo e entendendo estrelas!
É preciso sair da tela e abrir as janelas de vez em quando...
Adorei o texto Fábio, como sempre!
Abraços!

Ana Cullen · Brasília, DF 11/1/2007 13:18
1 pessoa achou til · sua opinio: subir
Daniel Duende
 

É... é mesmo necessário sair da frente da tela e abrir as janelas de vez em quando. E então, depois disso, aprender a abrir janelas entre a tela e o mundo fora da janela, e juntar tudo neste nosso modo de vida mágico-ciborgue.

Abraços do Verde procêis :D

Daniel Duende · Brasília, DF 11/1/2007 14:30
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Fábio Fernandes
 

Belíssimo poema o do Bilac, não é, Ana?
As pessoas até hoje têm um preconceito com o que chamam de "beletrismo" - mas mal sabem elas da qualidade do sujeito, que também foi protagonista do nosso primeiro acidente de automóvel!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 11/1/2007 18:47
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Fábio Fernandes
 

é isso aí, Verdão! Abrir as janelas e deixar o sol (ou a lua) entrar!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 11/1/2007 18:48
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Daniel Duende
 

O Bilac foi o protagonista de nosso primeiro acidente de automóvel?
Notável! :D

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 11/1/2007 22:18
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Ana Cullen
 

Ah! Já tinha ouvido essa... acho que foi um professor de cursinho, quer dizer: O professor de cursinho, Guilherme, que me disse...
Eu adoro Bilac! Quando lí o título veio imediatamente o poema na cabeça! Tinha a ver? Ou foi inconsciente?
E você Dani? Tá abrindo portas e janelas aí no Rio? Ou só Windows mesmo? Hehehe
Abraços!

Ana Cullen · Brasília, DF 12/1/2007 14:17
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Fábio Fernandes
 

É, essa história é ótima: ele foi um dos primeiros motoristas de carro no Brasil, se não o primeiro (acho que foi o segundo), mas certamente foi o primeiro acidentado: caiu numa valeta com o carro (salvo engano, um dos primeiros modelos da Mercedes-Benz, movido - vejam vocês -a benzina!

Ana, o título foi escolhido de propósito. Nos Arquétipos, dificilmente algo é inconsciente... ;-)

Em tempo: nunca te agradeci pela leitura do meu poema aí em Brasília. Pena que não deu pra gravar, mas gostei muito da homenagem, fiquei lisonjeado. Obrigado!!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 12/1/2007 20:24
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Ana Cullen
 

Imagina! Eu que agradeço!
Ah!!! Nem te falei... eu e o meu amigo que inventou de musicar (ele é do Overmundo tb, ausente... o Murilo Seabra) vamos brincar com algumas "músicas" (poesias nossas que foram musicadas daquele jeito aleatório que te falei, a la Defáult) num estúdio esses dias e dentre elas tá o seu poema... aí eu te mando pra vc ver como ficou...
Abraços!

Ana Cullen · Brasília, DF 12/1/2007 21:15
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Fábio Fernandes
 

Uau!!!
Legal!!!
Valeu!!

(desculpe os monossílabos, ou melhor, dissílabos, mas é a emoção!)
:-)

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 12/1/2007 21:19
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Zéduardo Calegari Paulino
 

Você me descreveu...

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 26/2/2007 04:04
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Fábio Fernandes
 

Pois é, acontece que apenas a forma dos contos é ficcional, o resto não é não.
;-)

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 26/2/2007 09:42
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Zéduardo Calegari Paulino
 

Sim, arquétipos pressupõem estruturas existentes!

Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 26/2/2007 16:03
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Fábio Fernandes
 

Yes! That´s it!

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 3/3/2007 21:40
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