Más notícias, senhor do escuro
As cidades amanheceram alagadas
Mulheres de seios de fora se esfregavam entre os carros
Elas não pediam dinheiro, apenas ódio em suas caras
Apenas um sorriso cínico e pueril sangrava nas folhas dos jornais
Estão acostumados a estampar beldades
Mas hoje a sangria de putas feriu a cara dos hipócritas
E eles riam como nunca, e eles choravam como nunca
Eu até chorei uma lágrima perdida de ódio e mágoa
De tempo e silêncio, de verde e azul, de traço e retraço
A tela em branco-e-preto, as páginas amarelas, o céu não é amarelo, é galinha
A minha cor preferida é o oceano impacífico, deus salve os imbecis
A guerra torta, a vida doce, os homens que estupram a liberdade delicadamente
A solidão é faca curva, é arma, rota que penetra em minhas cores
As suas cores e os ladrões de museus fugindo pela porta da frente
Amem
do livro de poemas em construção "Nome aos bois".
A minha cor preferida é o oceano impacífico, deus salve os imbecis
A guerra torta, a vida doce, os homens que estupram a liberdade delicadamente
Perfeitos, este está forte, sentido, realíssimo.
ab
Imaginas-e uma tela de Picasso ao ler esse poema. Ácido e cubista nos ângulos secos das palavras.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 4/6/2008 17:59Nossa, que força violenta. Seu poema-oração arrebata os indóceis imbecis...Adorei. Parabéns pelo céu-galinha. Votado. Abços.
Cristiano Melo · Brasília, DF 4/6/2008 18:14Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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