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Paira Monstruosa a Sombra do Ciúme

Ricardo Monteiro. Em Album da Natureza www.albumdanatureza.com.br
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isaac_lira · Natal, RN
27/4/2007 · 56 · 8
 

Espantoso é como a loucura dos itinerários da vida às vezes cai em nosso colo. Hoje, por exemplo, foi pela Reuters que uma pitada de existencialismo veio me temperar este abril aguado. Acontece que a Agência publicou notícia onde um certo Emad Zied, egípcio, 31 anos, foi preso por manter sua senhora em cativeiro domiciliar. Até aí tudo bem, mas sabem o motivo? Segundo Emad Zied, excesso de alegria.

Isso mesmo. O senhor Zied havia prendido sua esposa, Rasha, 20 anos, no apartamento onde ambos moravam porque ela era "alegre demais" para conviver com outros humanos, que não ele. Mas antes que vocês, defensores da liberdade incondicional, se animem a proclamar acusações raivosas contra o marido cuidadoso, farei aqui o papel de advogado do diabo. Sustento a tese de que Emad Zied é vítima.

Vítima, sim, meus senhores. De si, de Rasha... no fundo, uma vítima das circunstâncias, pois não é nada senão a contingência o grande drama dos seres que povoam a terra. Nós caminhamos sem saber, mas mesmo assim desejamos muito. Cultivamos nossas expectativas no sonho, que em muito pouco toca o real, para depois cobrarmos da vida um contrato firmado apenas em nossa cabeça.

Ora e não foi exatamente isso o que Zied fez? Delirou em Rasha A Mulher, aquela, a que lhe foi destinada. Foi construindo seu devaneio na realidade. Namorou, jantou com a família. Tomou coragem, pediu sua mão em casamento. Venceu sogro e sogra, melindrosos que a menina fosse infeliz ou passasse necessidade ou os dois ao mesmo tempo. Eles concordaram e, perfeição construída, realizou-se a cerimônia.

E, no casamento, o quanto Zied não trabalhou para prover o conforto prometido! Juntou dinheiro e montou residência na Itália, onde os dois viviam. Tapete persa, cortina de seda, armário embutido. Um lar forjado para a eternidade do matrimônio. Tudo isso que Rasha, a má, a perversa, a sem coração, colocava em xeque com sua alegria desbragada chamando a vida para bailar. Alegria é liberdade. Liberdade é perigo. Um perigo que o sonho de Zied não queria correr.

Por medo, Zied fez do amor o que a vida não suporta. Seu sentimento era a prisão imaterial concretizada no apartamento mimosamente arrumado. E é aqui que se revela o espanto dessa crônica sem brilho. Foi Zied que herdou a prisão erguida para Rasha. Imaginem-no agora olhando, pelas grades, o mundo livre e pensando que foi ele mesmo que se conduziu, por livre iniciativa, ao lugar que, dentre todos, menos queria estar: longe de Rasha e do seu lar.

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Isaac Lira
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Marcos André Carvalho Lins
 

excelente crônica!!!
abços,

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 26/4/2007 20:10
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José
 

Fizemos da vida uma tragédia e ainda reclamanos da crueldade... Bom, prefiro fazer da vida uma escola.
Boa crônica!
Agradecido, José!

José · Criciúma, SC 28/4/2007 11:49
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Edna Queiroz
 

Adrei!
O grande mal de todos os tempos é "cobrarmos da vida um contrato firmado apenas em nossa cabeça". O que vemos então é uma guerra de razões, onde querem vencer pela força, pelo grito e pelo jogo de palavras.
Concordo com josé.
Parabéns!

Edna Queiroz · Rio de Janeiro, RJ 29/4/2007 11:32
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Edna Queiroz
 

Esqueci-me de dizer sobre a image: perfeita a ilustração. Tem tudo a ver.

Edna Queiroz · Rio de Janeiro, RJ 29/4/2007 11:33
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Francinne Amarante
 

parabéns pela excelente crônica!
grande abraço

francinne

Francinne Amarante · Brasília, DF 29/4/2007 18:49
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Francinne Amarante
 

linda foto!!!!!

Francinne Amarante · Brasília, DF 29/4/2007 18:50
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
FILIPE MAMEDE
 

Isaac. Nem preciso comentar não é mesmo? Abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 30/4/2007 07:53
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Nivaldo Lemos
 

Bonita crônica, Isaac. A prisão como metáfora do casamento. A alegria como metáfora da liberdade. E ambas espelhos de uma relação de amor e paixão, permeada por convenções sociais e culturais, que verte e subverte. No primeiro caso, a alegria incontida de Rasha diante da vida verte sorrisos. No segundo, as amarras do amor de Zied, degradado pelas conveções, o ciúme e a loucura. Por fim, cabe-nos refletir sobre este pobre Zied shakespeariano que, de certa forma, é o mesmo que forja as tragédias de amor e paixão que habitam o coração da humanidade desde tempos imemoriais. Ou não? Um abraço. E parabéns pela crônica.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 30/4/2007 14:41
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