o poeta prisioneiro
de sua existência impura
assiste impassÃvel o espetáculo
de seu próprio naufrágio
com a negra respiração
da noite em suas costas:
cor roendo as pétalas
de uma flor uterina
noites engolem noites
no labirinto monocromático
da linguagem
unindo-se à feroz atmosfera
do esquecimento como
notas de uma fugaz melodia
o poeta trêmulo trincado
corrompido não resiste
aos mÃticos tentáculos
da dor esculpida
em circulações implacáveis
sobre águas eternamente
turvadas
como a face macerada do poema
dissolve em réquiens
o disfarce da manhã
vultos vazam em procissão
do fétido fluxo do canal
invadindo o interior de carros
estacionados à margem
da invisÃvel ferida do tempo
talvez o vÃrus da poesia
infectando o fútil
organismo dos fatos
alimente tambores recém-criados
no útero de palavras
acorrentadas em postes
eqüidistantes
no morto chão de pedras
atormentadas
rompidas as amarras do silêncio
erguem-se catedrais
de estilhaços
de explosões de sonhos
onde a despeito do escuro sopro
da respiração
das meninas adolescentes
só o desprezo ecoa
no altar secreto
de pálidas orações
Poema ao estilo Cult. Muito bom, Pedro. Abçs.
Benny Franklin · Belém, PA 4/7/2007 18:49
Valeu Benny. Agora me explica:
como é um "poema ao estilo Cult"? rs...
Pedro.
Votei no teu talento. Em você poeta livre, sem correntes. Votei nas belas imagens que escrevestes. Votei pensando como deveria ser delicioso poder fazer uma poesia no conforto religioso de um altar.
Abraços
Noélio Mello
Pedro - segundo os intelectuais de plantão - poesia Cult, é aquela tecida fora do que se vê à exaustão por ai. Ou seja, não melosa. Abçs.
Benny Franklin · Belém, PA 7/7/2007 07:38Dica a quem passar por aqui: ler no arquivo (fazer o download), já que forma também é conteúdo.
Felipe Obrer · Florianópolis, SC 7/7/2007 21:25
Noelio, agradeço o comentário-conterrâneo. Abraços...
Pedro Vianna · Belém, PA 9/7/2007 15:30
Pois é Orber, gostaria de postar meus poemas preservando a forma original. Pena que o programa editor de texto do site não permita. Fazer o que né...
Pedro Vianna · Belém, PA 9/7/2007 15:32
Pois é... É que a função original desse espaço no qual acabam sendo publicadas as próprias obras seria conter a descrição delas. O ser humano sempre faz o imprevisÃvel, né?
Abraço,
Felipe
Inda bem que cheguei após tua boa dica Obrer, que é diferente e impactante de tipo outro lá no botãozinho azul, de fato.
Agradecida pelo convite para as correntes, Pedro.
Sei que o poeta não quer agradar, quer apenas, e muito, dizer.
E quando diz está novamente acorrentado
como em:
...
seu próprio naufrágio
com a negra respiração
da noite em suas costas:
cor roendo as pétalas
de uma flor uterina
Poderoso poema de tão livre que é.
Gostei imensamente!
beijos
Ufa! respiro com ca'lma...
que poema é esse?
belo, belo,belo!
maravilha. PARABÉNS!
beijão
fran
Orber,
lembrou bem a função original do espaço. Na prática poucos fazem isso. Eu mesmo nunca fiz. Viva a transgressão...rs...
Valeu Juliaura,
e digamos, e digamos, e digamos...
Pedro, obrigada por trazer-me até aqui. Segui a sugestão do Felipe Obrer e valeu a pena. Seu poema (pela forma e algumas passagens) lembrou-me minha própria poesia.
Abs
Gostei demais... obrigado pelo convite. Gostei do estilo, superadjetivado e escatólogico...video-tape, profusão de imagens e significados... um abraço.,
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 9/7/2007 18:59
Pedro,
Vou ter que rever meus conceitos poéticos (que são tão banais ainda).
Gosto desta sua praia.
Abs,
Forte e de uma linguagem densa e melancólica...
Gostei!
Abçs
Pedro, parabéns pelo poema...acompanhei o sofrimento do primeiro verso ao último. Parabéns pela sensibilidade,
Um beijo.
Priscila.
CCorrales,
fico feliz pelo comentário
e mais aonda pela identificação. Abs...
Spirito,
merguhemos juntos nesta praia.
Deixo aqui um link para vc REVER...
parabéns , Pedro.
belo poema!!!
abraços,
Pedro,
Tão lindo o poema,
estou sem palavras,
nem soltas, nem acorrentadas.
E sim, eu concordo contigo na questão de edição naquele quadradinho de texto tão limitadinho.
Vou fazer o download pra ver você melhor.
Beijo, parabéns
Voltei pra votar e dizer que a tua edição é infinitamente mais livre.
Dora Nascimento · Olinda, PE 10/7/2007 12:54
Dora,
fico grato por seu comentário. Realmente é limitadÃssimo o troço. mas vamos nos virando como podemos. esperoque tenha conseguido me ver melhor no download...rs...
Pedro,
Grandioso teu poema, parabéns!
Marluce
Marluce,
Grandioso teu comentário, obrigado!
Pedro
Olá, Pedro!
Você e a magnitude do imaginário fazem uma perfeita composição poética. Parabéns.
Abraços depois da chuva.
É claro que vi.
As tuas palavras como elos...
belos elos elas,elos
de palavras belas.
demorei um pouco
estava enrolada
mas vim vi e amei
parabéns!!!!!
Senhorita,
o desenrolarde tudo isso
foi sua agrdável visita...eu é que agradeço
Amei....muito diferente de tudo que já li...adorei o seu estilo!
carol de trancinhas · BrasÃlia, DF 12/7/2007 01:58
Um poema angustiante, que nos deixa com a sensação de sermos responsáveis pela miséria humana. E somos sim, afinal somos nós os artÃfices do bem e do mal.
abcs
Não sei porque, mas lembra-me Cruz e Souza...
Pedro, dá pra manter a forma, sim.
Salvar o texto em pdf, por exemplo. Ou até transformar em jpg.
Abraço!
mano pedro,
essa angustiosa existência que tanto temperas com lógica, já escrevi em algum lugar; nos é comum este lugar, onde tentamos o salto, o espasmo, ou senão um descanso na loucura, como em rosa.
abraços,
r
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