Old Walt Memorial at Bon Echo, 1919
Foto: Jack 1962/Flickr/Creative Commons
Para Adroaldo Bauer, Frazão My Brother, Rangel Castilho
e Rubenio Marcelo. Poetas da ignescência humana.
I
Talvez se eu descascasse chão
Como Walt Whitmann descascava manhãs de cios insepultos.
É certo que os meus ossos não fraquejariam como fraquejam de morte
Os solstícios dos vômitos inumanos.
Tempos de agora,
As brancas noites ejaculam céus desaforados;
Fomentam o glamour que a beleza intelectual do silêncio fustiga.
Mundos de mim
Onde as espetaculosas begônias menstruam convencidas,
Cujas pétalas (porque) beatniks são como concretudes carnívoras.
Contorcem-se de medo e são como esbofeteadas palavras em cópulas;
Porquanto suas algemas são como murchadas pegadas
Que velam as coxas para a louvação da consciência.
Decerto. Pão nenhum, foda nenhuma,
Pôr-se-ia a engravidar-me apenas por querer engravidar
Qualquer soluço de fome.
II
Circunspecto. Vejo as estrelas degustarem mentiras.
Observo os fêmeos-ares dos amantes nutrirem
Os pastos dos musgos penianos...
Ai... São como as semeaduras das coxas enervadas, enegrecidas,
Pontiagudas, retorcidas, desequilibradas...
Agasalhadas como cristais que forram chãos
E, zangadiços, soletram o nome da aurora.
Desfavelar montanhas,
Flagrar anjos rebeldes copulando nas sarjetas,
Forjar silêncio quando tudo está consumado,
É tudo que se espera de um grande poeta.
Decerto. Parto nenhum, gravidez nenhuma,
Pôr-se-ia a desfivelar-me.
III
Oh! Oh!
Luar de mim que colhe bromélias desnudas
E as esparge para o infinito.
Remunera-me com bordeis, devolve-me ao indecifrável...
Sonhos meus não tidos... Magnificências dos abutres.
Oh! Oh!
Os vi. Escreviam poesias.
Romanceavam golfadas.
E, não fôsse a célebre vômito,
Vazio algum, palavra nenhuma,
Copulá-los-ia sem vê-los atados na aquiescência
Da símile passagem... Tristonhas faces em meio
A tantos gases lacrimogêneos.
Decerto. Imagem nenhuma, dogma nenhum,
Pôr-se-ia à visagear-me.
IV
Se a verdade dos fortes,
Fôsse rija como é rija as notívagas vaginas de transtempos.
É certo que a impotência humana não seria essa brocha gordurosa
Que, musculosa, desampara os caras-brochas de cara,
E as expulsa para a insensatez do nada.
Decerto. Bálsamo nenhum, crucifixação nenhuma
Proteger-me-ia das hemorragias mentais.
"In memoriam de um beat."
By Benny Franklin
Nas vielas dalgum bairro sepultado por mil barracos despencando-se por sobre... Nas coberturas dos arranha-céus fincados no asfalto qual cactos num deserto de homens e sombras... Não há lugar que a Poesia de Benny não alcance... O que sai do dentro do "beatman" primevo da Cidade onde as Mangueiras Jazem Solenes descamba na música urbana que ensandece os ouvidos moucos das quietudes... Abraços... http://www.overmundo.com.br/banco/poemetos-esquecidos te espera...
Pepê Mattos · Macapá, AP 19/1/2008 19:52
Benny
Grande poeta a homenagear outros grandes...
Oh! Oh!
Os vi. Escreviam poesias.
Bárbaro!
bjo.
Homengeando os Overmanos com WW na lavra de Benny
é o juntar de emoções.
Bravo Benny!
bjus OS HF
Oi, Benny,
Você ainda nos colocará on the road, my brother. Pegou-me no meu estado beat com essa oferenda palavras em cópulas capaz de desfavelar e desfivelar as pedras do caminho.
Poema grávido de liberdade, pureza e beleza.
Obrigado.
Um abraço beaterena
Voltei pra votar
Frazao my brother · Anastácio, MS 21/1/2008 17:51
Voto em todos...
E um "viva" WW, a Benny e aos Overmanos!
Poética ímpar
Bjus
OSHF
Que viagem fantástica meu caro Benny! Pegaste uma carona celestial com o pai das Folhas de Relva. Grande remédio para as almas que estão em sofrimento! Aplauos, caro overmano!
raphaelreys · Montes Claros, MG 22/1/2008 05:20
Benny,
Belo hino ao libertário Whitman, o hirsuto que libertou a poesia das rígidas amarras de uma época pródiga em discriminação. Viva ao Bruxi de Camden! Viva ao Benny, cônscio portador de uma bandeira rica de resgates e inovações. Parabéns amigo-poeta.
Perdão!
Whitman só tem um "n". Rs.
A todos muito obrigado!
Abçs. Benny Franklin
Grande Benny!
Sua marca está, como sempre, latente nesta homenagem aos grandes universalmente falando.
Abração!
Meu caro Benny,
tua poesia sempre ascendente e única, numa homenagem mais que merecida. E tal como o homenageado disse em versos de Song of myself "I am large, I contain multitudes."... Tu também és vasto e conténs multidões nos teus excelentíssimos poemas!
Beijos @>--
Salve, Benny!!!
A particularidade de meus reles escritos regionais
dobram-se em fraldas para festejar Franklin
que só errou em homenagear-me - poeta dos lamaçais
mas criou uma obra prima como sempre fez antes...
Salve Benny!
Na gravidez de palavras
torno-me escrava
sem alforria...
Beijos,
Regina
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