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PALAVRAS ERRANTES

capitaovegetal
1
Benny Franklin · Belém, PA
9/11/2007 · 116 · 8
 

Foto: capitaovegetal/Flickr/Creative Commons

1 – Nestes tempos de pavor e betume quente nas mãos,
Faltam-nos poesias!
Ai! como nos falta. As nossas gavetas
Por vezes se abrem aos prantos, á toas...
Contém palavras errantes que desdém
Dos cadeados soropositivos.
Mas elas não são os cancros de tempos de absolutismo, não.
Pensem... Existem gavetários de expiação
E outros de solidão,
Por sobre os quais todas as palavras são retidas
Como as roupas que se retém no varal,
Para se esconder da fúria dos "Ménage à Trois" intelectuais.
.....................

2 - Tudo neles caminha para uma questão de sustentar
A palavra inquieta,
O poeta ereto
E a garra intranqüila.
.....................

3 - Á beira-rio plantada,
Alguém descasca uma laranja em silêncio.
À entrada da noite,
Outro alguém mergulha os polegares no abdômen da traça.
Alguém tem fome velozmente e se morre,
E come, e depois renasce.
Outro alguém divide uma pêra,
Come um bago de uva, devota-se aos vinhos...
E eu, sempre alerta, faço uma canção arguta
Para entender-te!
.....................

3 – O sol acolhe o anoitecer.
Faz calor... Mas eu escrevo!
Inclino-me sobre as mãos ocupadas,
Entrego-me aos orifícios mofentos,
Ás línguas que me devoram pela nódoa mental.
Oh! Tutano masturbado!
Eu queria saber como se conjuga
O verbo dos anoiteceres.
Como se abre a fechadura e como a carne se santifica,
Ou se decompõe como as chaves
De amarelar outro pasmo ou cataclismo.
Ai... Escrevo este poema para ser a semeadura dos frutos.
Não fosse assim,
Eu vagaria na língua, por canais entupidos,
Até uma lama escura compreender-me.
.....................

4 – Alguns hálitos genitais,
Afastam o sol com uma mão carnívora,
E gravitam, morosos, que me causam agonia.
Oh! Voz etílica!
Não emudeça rapidamente na noite cancerígena.
Bêbados ásperos, jazam próximos da morte,
Com a bílis espetaculosa,
Como amores baldios e como estatuetas de sal.
Ah! Mas não se enfureça. Não se enfureça contra
O recife que avança contra os calhaus...
Também não se entregue a tudo que ama o ventre,
Ou à pressa-vida que mata sutilmente o olhar.
.....................

5 – Feito sono desusado,
Aqui, vive um homem!
Por mais que as palavras (lhe) sejam errantes,
Por mais que (elas) meçam o calibre da ofensa,
Diga-me! Conte-me!
Em que lugar se escondeu
A verdade.
.....................

Ai... O coração engessa
qualquer compreensão – e some!

Benny Franklin

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Benny Franklin
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Cintia Thome
 

Não há o instante da verdade, não há verdade que todos possam ter compreensão ou entendimento. A minha ainda não sei, a tua ?
Buscamos a verdade em todos, mas pobres de nós que não sabemos as nossas e aí caio no vazio...Todos têm o vazio...
Beijos Poeta.

Cintia Thome · São Paulo, SP 7/11/2007 13:17
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Benny Franklin
 

A verdade mora ao lado, caríssima!
Obrigado pela deixa.
Bjs.

Benny Franklin · Belém, PA 7/11/2007 22:26
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Branca Pires
 

Fortíssimo, Benny.
"(...) Diga-me! Conte-me!
Em que lugar se escondeu
A verdade."
Não sei!
Grande abraço

Branca Pires · Aracaju, SE 9/11/2007 01:39
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j.alves
 

Palavras errantes com muito sentido, um abraço Benny

j.alves · São Paulo, SP 9/11/2007 08:21
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Noelio Mello
 

Benny.
Existen verdades, meu parceiro e amigo, que ficam eternamente escondidas nos vãos obscuros da alma.
Forte abraço
Noélio

Noelio Mello · Belém, PA 9/11/2007 13:40
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Nydia Bonetti
 

"Ai... O coração engessa
qualquer compreensão – e some!"
E tantas vezes andamos nós por aí, coração engessado, ou sumido... Belo, Benny.
abçs.

Nydia Bonetti · Campinas, SP 9/11/2007 19:22
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Lígia Saavedra
 

Se a verdade mora ao lado, caro Benny, seria ao lado do Bem?
Portanto se "o coração engessar qualquer compreensão", que o Mal não aconteça, não é?
Bjs meu querido poeta sonâmbulo.

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 9/11/2007 19:58
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Erode Lino Leite
 

Olá amigo Benny! Gostei de seu texto! Resolvi bulir um pouco, contribuir com alguma oficinação! Há espaço para vc trabalhar a transpiração nele.. no texto e conteúdo. Como exemplo, de alguns itens:

ERRANTES PALAVRAS

1 – Tempos de pavor e betume quente nas mãos,
faltam-nos poesias!
Ai! Como nos faltam.
Nossas gavetas
se abrem aos prantos, à toa...
Contêm palavras errantes que desdenham
dos cadeados soropositivos,
não são cancros de tempos de absolutismo, não.
Existem gavetários de expiação,
outros de solidão;
palavras são retidas
feito roupas no varal,
para se esconderem da fúria dos "Ménage à Trois" intelectuais.
.....................

2 - Tudo neles caminha para sustentar
a palavra inquieta,
o poeta ereto,
a garra intranqüila.
.....................

3 - À beira-rio plantada,
Alguém descasca uma laranja em silêncio.
À entrada da noite,
outro, mergulha os polegares no abdômen da traça.
Alguém tem fome voraz, morre,
come e renasce.
Outro, divide uma pêra,
come um bago de uva, devota-se aos vinhos...
Sempre alerta, faço uma canção arguta
para entender-te!
.....................

3 – O sol acolhe o anoitecer.
Faz calor... Mas escrevo!
Inclino-me sobre as mãos ocupadas,
entrego-me aos orifícios mofentos,
às línguas que me devoram pela nódoa mental.
Oh! Tutano masturbado!
Queria saber como se conjuga
o verbo dos anoiteceres.
Como se abre a fechadura, como a carne se santifica,
ou se decompõe como as chaves
de amarelar outro pasmo ou cataclismo.
Ai... Escrevo este poema para ser a semeadura dos frutos.
Não fosse assim,
vagaria na língua, por canais entupidos,
até uma lama escura compreender-me.
.....................

4 – Hálitos genitais,
Afastam o sol com mão carnívora,
gravitam, morosos, que causam agonia.
Oh! Voz etílica!
Não emudeça sorrateiramente na noite cancerígena.
Ásperos bêbados, jazem próximos da morte,
com a bílis espetaculosa,
amores baldios, estatuetas de sal.
Ah! Não se enfureça contra
o recife que avança contra os calhaus...
Também não se entregue a tudo que ama o ventre,
ou à pressa-vida que mata sutilmente o olhar.
.....................

5 – Sono desusado,
aqui, vive um homem!
Por mais que as palavras (lhe) sejam errantes,
Por mais que (elas) meçam o calibre da ofensa,
Diga-me! Conte-me!
Em que lugar se escondeu
A verdade.
.....................

Ai... O coração engessa
qualquer compreensão – e some!

Benny Franklin

Erode Lino Leite · Campo Grande, MS 15/11/2007 11:38
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