este homem pantaneiro
é um esteio centenário
pura essência
feito relicário
homem de consciência
paciência de santidade
riso solto, liberdade
solene solidariedade
fonte de sapiência
benevolência, irmandade
austeridade, ciência
é pantaneiro de verdade
Acredito, de verdade...
Grato, José
O homem do pantanal é todo natureza, meio ambiente!!
É o precursor da ecologia, o mundo precisa aprender com ele!
Grande Osvaldo!!!
Salve, Olinda!!!!
Obrigado!!!
Como sempre, dentro do peito.
Zéduardo Calegari Paulino · Campo Grande, MS 12/3/2007 15:16
Meu irmão, Zéduardo!!!
Obrigado!!!
Salve, Pantanal!!!
Sabe, Rangel, estive em CG faz poucas semanas. Me apaixonei pela energia pantaneira e pela paixão que esse povo tem pela sua cultura. Admirável!
Nanni · Florianópolis, SC 12/3/2007 23:16
Somos um Estado novo e o único referencial que temos é o Pantanal.
Depois da separação de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul se viu sem identidade cultural, por isso essa paixão!!!
Nos redescobrimos!
Rangel, sou obrigado a discordar de você.
Somos novos no papel, mas mais antigos que a invenção do Brasil, já que em 1512 já existiam missões espanholas espalhadas por todo o MS. Além do mais, nunca nossa história foi a mesma que o outro Mato Grosso. A Guerra do Paraguai, por exemplo, é nossa!
Também não acho que "nos vimos sem identidade cultural". Nós sempre tivemos uma identidade, e forte. O problema é esta baixa estima do sul-matogrossense que insiste em achar que somos pobres de cultura. As populações do interior, da fronteira, as ribeirinhas sempre tiveram uma cultura forte, apesar de achar que não tinham nenhuma. Alias, é da nossa identidade cultural dizermos que não temos cultura! Reclamar sempre fez parte do cotidiano do bugre. E não digo isso pejorativamente não. Assim como os gaúchos se acham o máximo, nós nos diminuímos. Herança da guerra que a tantos dizimou...
E nosso referencial não é só o pantanal. A serra da Bodoquena, além das belezas naturais, tem uma imensa cultura a ser descoberta por quem quiser. Também a fronteira seca, o rio Apa, Costa Rica e suas seriemas, nossos índios de cultura riquíssima, o patrimônio histórico único de várias cidade - inclusive a sua, nosso folclore que é outro, e por ai vai. Poderia me estender indefinidamente.
O que vejo é que a gente fica restrito ao nosso entorno, e não olha dos lados, o que também é da cultura, já que o sul-matogrossense é desconfiado por origem. Eu mesmo só tenho noção desta grande diversidade cultural daqui porque trabalhei muitos anos na Fundação de Turismo e acabei viajando o estado inteiro.
Então, não acho que seja o caso de nos "redescobrirmos", porque descobertos somos, alias antes do litoral. E o mais legal que pela espanha, não por portugal
Penso que devemos sim nos valorizar, pesquisando, questionando, buscando conhecer mais da imensa colcha de retalhos de povos e nações indígenas que formam o MS, abrir a mente e valorizar cada pequeno costume, cada ecossistema e diversidade cultural que aqui brota. Dai dizer isso pra todo mundo!
Meu amigo, Zéduardo!!!
Cultura espanhola é espanhola e quando da Guerra do Paraguai, tudo por aqui ( Pantanal - MS ) era de um outro país! O que temos de identidade cultural é uma mescla de elementos bolivianos, paraguaios, portugueses, etc...
Quero lembrar que as cidades existentes naquela época estavam justamente no Norte.
Aqui foram criados povoados e fortificações, como presídios, para assumir de vez as terras tomadas durante a guerra.
Quando digo cultura do pantanal, não quero dizer o lugar físico - quero dizer os costumes, o saber das plantas curativas, o periodo de adaptação à seca e chuva que empregna o lugar de hábitos diferentes a cada estação, ao tema que consagrou poetas como Manoel de Barros, ou violeiros como Almir Sater - essa paixão que empolga Guilherme Rondon, João Fígar, Celito Espíndola, Conceição dos Bugres, Tetê Espindola, Humberto Espindola, Rangel Castilho, etc...
Cultura Pantaneira que alavanca a cerâmica terena, que ''e uma das origens da polca-rock de Jerry Espindola, que aí sim, busca uma nova identidade musical - mais MS.
Estamos sim, nos redescobrindo a cada dia pois queremos cada vez mais sermos reconhecidos como Mato Grosso do SUL.
Rangel, independente da discussão calorosa sobre a identidade pantaneita, quero dizer que vim li, e gostei demais do seu texto.
Abço!
Rangel, abra sua mente, olhe longe no horizonte, pro lado do rio paraná, pro lado do Apa, pro interior de Dourados...
Aqui sempre houveram cidades da qual o norte dependia, como Coxim, , Murtinho e a gloriosa Corumbá. Miranda mesmo tem mais de 300 anos de idade, é imperial! Alias, a mais antiga é Nioaque, que rivalizava em poder com Cuiabá antes de tudo. E também assim foi com Albuquerque (sabe onde fica?). Poucos conhecem de verdade a história destas bandas... Porque o antigo Mato Grosso jamais deixou que conhecêssemos, por motivos econômicos mesmo. Desapareça com a historia de um povo e você o controla melhor.
O pantanal faz parte da nossa cultura, mas nossa cultura vai muito além dele.
Todo o Brasil foi um outro pais, e nossa identidade vem justamente de ter sido um outro pais diferente de Portugal.
E essa galera artística (que eu conheço de perto desde minha infância - tive a sorte de ser vizinho tanto dos Espindola como de Almir) canta e pinta mais que só o pantanal. Tem a cultura do boi, tem a Serra da Bodoquena, tem o pau de cedro de Coxim, os bugrinhos de Conceição, que não vem do Pantanal não, vem do interior de Brasilândia.
E os terena jamais chegaram a morar perto do ecossistema pantanal, bem como os Kadiweu. São indios do cerrado, que é mar verde tão belo quanto outros atrativos que aqui temos. E os kadiweu senhores das montanhas suaves da Serra da Bodoquena, com sua ceramica e sua cultura espetacular! Além de povo nobre, descendente dos incas.
Veja, eu amo o pantanal profundamente. De forma nenhuma quero relega-lo a segundo plano na nossa cultura, mas também não o quero em primeiro e único, se assim o fizer, mato a diversidade das terras sul-mato-grossenses, que é o que você inconscientemente está fazendo com seu discurso, perpetuando um tipo de hegemonia que não é nada saudável para outras maneiras de ser do nosso estado.
Cantar só o pantanal pode ser nossa escolha, mas dizer que tudo provém dai, é mentira! Além do pantaneiro, tem o peão do cerrado, tem os caixeiros viajantes que fizeram a bela Campo Grande, tem os padres que inventaram Aquidauana, tem uma miríade de gente... E uma cultura não se faz com ambiente só, se faz com gente mesmo!
Redescobrir significa descobrir o que já sabemos há muito, quando na verdade devemos ir além, e descobrir o que não conhecemos e que sempre houve, mas em nosso preconceito de pantaneiro relegamos ao esquecimento. Tudo bem, o pantanal vende melhor lá fora, mas é só porque não mostramos tantos outros produtos maravilhosos.
Como já te disse uma vez, estamos todos sob o mesmo céu, aqui em Campo Grande, ou em Mundo Novo. Então, pra sermos reconhecidos como Mato Grosso do Sul é preciso que cantemos e saibamos dele inteiro, porque pantanal o outro Mato Grosso tem também. O que a gente precisa mostrar é que temos, além do pantanal, muito mais.
Compreendeu minha idéia agora, meu bom?
O homem pantaneiro, com os olhos cheios d'água e o peito alagado de emoções. Nós somos especiasi.
Salve Anastácio!
rangel,
trazes nas palavras águas de franqueza simples. é da maior importância que compreendamos os homens que estão a lidar diariamente com a natureza, em silêncio e respeito sábios. talvez aprendamos neles a olhar a nascente vívida que nos poderá redimir dos males causados ao planeta.
abraços,
r
"Mato Grosso do Sul se viu sem identidade cultural..."
Depois da separação, Mato Grosso do Sul viu-se forçado a PROCURAR uma identidade - tentando se desvencilhar do Norte e adaptar-se a um novo ambiente, principalmente social e político. Forçado pela própria história da criação, que deu-se em atropelos e mais atropelos. Feito uma cruzada, muitas medidas foram tomadas como se de um ato político pudessem construir uma nova identidade cultural. Desde o dia de sua divisão, Mato Grosso do Sul ensaia um ato de pertença, porque o emancipar-se não conseguiu separar um fato cultural, uma história que está enraizada numa mesma base, e esse ato de pertencimento não se faz....
VOCE DIZ:
"E os terena jamais chegaram a morar perto do ecossistema pantanal, bem como os Kadiweu."
A HISTÓRIA DIZ:
Os primeiros habitantes do MS foram indígenas e eram os ancestrais dos ameríndios contemporâneos Guaranis, Terenas, Caiowás e Caiapós, tendo, através dos anos, novos povos se estabelecido na região, como por exemplo os Ofaiés. Os Terenas viviam a LESTE E NO MÉDIO do Rio Miranda, hoje nas Áreas Indígenas Aldeinha, Buriti, Dourados, Lalima, Limão Verde, Nioaque, Pilade Rebuá, Taunay/Ipegue e Terras Indígenas Água Limpa e Cachoeirinha. Bem como a oeste da Reserva Indígena Kadiwéu. Deixaram forte herança cultural nos alimentos, tendo ensinado o europeu e a todos nós a comer mandioca, milho, guaraná, palmito, pamonha, canjica; nos objetos, suas redes e jangadas, canoa, armadilhas de caça e pesca; no vocabulário: em topônimos como Curitiba, Piauí, etc; em nomes de frutas nativas ou de animais: caju, jacaré, abacaxi, tatu... Ensinaram algumas técnicas como o trabalho em cerâmica e o preparo da farinha. E deixaram no brasileiro hábitos como o uso do tabaco, mas sobretudo o excelente costume do banho diário. Os indígenas das nações Guarani e Quíchua tinham o hábito de beber infusões com as folhas de erva-mate (Ilex paraguariensis) . Hoje em dia este hábito continua popular nestas regiões, consumido como chá quente ou gelado, ou como chimarrão (Brasil) e tereré (Mato Grosso do Sul e Paraguai).
A palavra mate deriva do quíchua mati "através"no espanhol mate que designa a Cuia ou seja, o recipiente onde o chá era bebido ou sorvido por um canudo (bomba).
"Somos um Estado novo e o único referencial que temos é o Pantanal."
Porque falo da forma de vida de um povo, o conhecimento, suas crenças, pensamentos comuns, costumes; a maneira como as pessoas se organizam.
Pra mim IDENTIDADE CULTURALl é um todo, uma memória coletiva do que se passou ou fez parte do passado, é uma CONSTRUÇÃO SOCIAL da qual a pessoa sabe que pertence. É a história de um povo, e como seu povo vê essa história. Se procuramos uma nova identidade devemos buscá-la onde ela sempre esteve, nas terras pantaneiras. Não podemos abandonar nossas origens, devemos saber de onde viemos para encontrar no que temos, as razões e formas de viver, de reconstruir nossa identidade, e evoluir. Retornar para reabastecer e evoluir.
O Homem Pantaneiro, recebeu dos indígenas Guaranis, Paiaguás, Guatós a agilidade física e o respeito à natureza, a qual encontra-se praticamente inalterada com mais de 200 anos de ocupação e exploração econômica. A colonização da região remonta ao século XVIII. Através dos rios Tietê, Paraná e Paraguai, chegaram os primeiros bandeirantes provenientes de São Paulo à Chapada Cuiabana onde encontraram ouro. Após a Guerra do Paraguai e com o declínio do ouro, o povoamento se dá no sentido Norte-Sul, surgindo no Pantanal grandes fazendas de pecuária extensiva que, associadas aos fatores ambientais, consolidaram uma estrutura fundiária de grandes propriedades (56 % da área, com mais de 10.000 Ha). No início deste século, o acesso aos grandes centros urbanos do País fazia-se por Assunção, Buenos Aires e Montevidéo, resultando daí a absorção de inúmeras manifestações culturais e folclóricas - música, vestimenta, linguagem e alimentação. A chegada da Estrada de Ferro (noroeste do Brasil - 1914) incorporou novos hábitos e costumes. As distâncias e o difícil acesso às fazendas fizeram o homem pantaneiro acostumar-se ao isolamento e à solidão, porém manifesta o sentimento de cooperação quando trabalha seu gado (manejo tradicional) ou nas festividades típicas entre as fazendas. Vivendo a realidade de uma região inóspita, enchentes, ataque de animais silvestres, problemas de transporte e, sem política diferenciada para a região, o homem pantaneiro pecuarista, vaqueiro ou pescador) mantém amor, respeito e apego à sua terra.
( Salatiel Alves de Araaújo )
A partir daqui lhe digo que a mais forte referencia de identidade cultural de nosso estado é o Pantanal. "O Pantanal faz parte do maior conjunto de áreas úmidas do mundo. Este "sistema" com cerca de 400 mil quilômetros quadrados, está localizado do vale central que corre de norte a sul dentro da "Grande Depressão da América do Sul" ou "Depressão Sub-andina" da bacia do Prata. Este sistema se estrutura ao longo de mais de 3.400 km dos rios Paraguai e Paraná (médio e inferior). O Paraguai é um dos poucos rios livre de represas e o Paraná também não ´barrado no trecho indicado. É o segundo maior sistema hídrico da América do Sul - o primeiro é Amazonas - e uma das maiores reservas de água doce do mundo. Aproximadamente 20 milhões de pessoas vivem nesta região o que permite afirmar que constitui uma unidade hidrológica, ecológica, cultural e populacional. Este fato determina a necessidade de manutenção dos ciclos hidrológicos e da conservação da biodiversidade para a sustentabilidade do sistema e sua população"
*Alcides Faria é diretor executivo da ong Ecoa
Será que tudo isso não está na memória coletiva de Mato Grosso do Sul?
VOCE DIZ QUE AQUIDAUANA FOI FUNDADA POR PADRES:
Aquidauana, por exemplo, que não é minha cidade, foi fundada por fazendeiros de Miranda que precisavam de um porto para escoar sua produção pecuária, não por padres.
VOCE DIZ:
"A mais antiga ( cidade ) é Nioaque, que rivalizava em poder com Cuiabá antes de tudo"
AGORA LEIA BEM : NIOAQUE X CUIABÁ
Em 1842, um mineiro de Sabará estabeleceu-se na confluência dos rios Urumbeva e Nioaque, dando início ao Patrimônio de Santa Rita de Nioaque. Após algum tempo, ele doou parte de sua área ao Exército. Transformou-se em povoado e começou a se desenvolver. A região predestinada a passar para a história, em 1865 foi invadida pela Cavalaria Paraguaia e incendiada duas vezes, mas resistiu, mesmo nas mãos do inimigo.
Em 1877, livre do domínio paraguaio, foi elevada à categoria de Distrito, recebendo o nome de “Distrito da Paz”. Em 1890 foi desmembrada do município de Miranda e ganhou o nome de Nioaque, que na linguagem terena quer dizer “Clavícula Quebrada ”.(fonte Nioaque.com)
Cuiabá foi elevada à condição de cidade em 17 de setembro de 1818, tornando-se a capital do estado em 28 de agosto de 1835.
CUIABÁ - CAPITAL DO ESTADO EM 1825
NIOAQUE -DESMEMBRADA DE MIRANDA EM 1890 (65 ANOS DEPOIS!!!)
Quanto poder Nioaque tinha naquela época!!!
VOCE DIZ:
"tem os caixeiros viajantes que fizeram a bela Campo Grande"
A HISTÓRIA DIZ:
O fundador de Campo Grande, José Antônio Pereira em 21 de junho de 1872 chegou e se alojou em terras férteis e completamente desabitadas da Serra de Maracaju, na confluência de dois córregos - mais tarde denominados Prosa e Segredo - e que hoje é o Horto Florestal.
A partir de 1879 novas caravanas de MINEIROS foram chegando e sendo distribuídas nas terras devolutas, marcando suas posses, quase sempre sob a orientação do fundador. Estabeleceram assim as primeiras FAZENDAS do Arraial de Santo Antônio do Campo Grande.
O município de Campo Grande se desenvolve com a AGROPECUÁRIA, proporcionada pelo estabelecimento de fazendas de criação de gado em suas imediações e nos campos limpos de Vacaria. Torna-se um centro comercial BOVINO, de onde partiam comitivas conduzindo boiadas para o Triângulo Mineiro e o Paraguai.
VOCE DIZ QUE CUIABÁ DEPENDIA DE PORTO MURTINHO.
A HISTÓRIA DIZ:
Em 1892, Thomás Laranjeira associou-se aos Murtinho, uma família tradicional de políticos do sul de Mato Grosso, e criou a Companhia Mate Laranjeira. Também passaram a utilizar o Porto Murtinho, criado por Antônio Correia às margens do rio Paraguai, para despachar o mate para a Argentina. Surgiu também como resultado das operações da Companhia Mate Laranjeira a cidade de Ponta Porã, em local que servia de parada de comboios que iam até Concepción, no Paraguai.
Onde fica Cuiabá nisso tudo?
VOCE DIZ:
"Redescobrir significa descobrir o que já sabemos há muito, quando na verdade devemos ir além, e descobrir o que não conhecemos e que sempre houve, mas em nosso preconceito de pantaneiro relegamos ao esquecimento. Tudo bem, o pantanal vende melhor lá fora.."
EU LHE DIGO DE NOVO:
Por que não aproveitar o que sabemos? É nossa identidade cultural. O que voce chama de preconceito de pantaneiro, eu digo orgulho de pantaneiro, prazer de ser pantaneiro.
Não podemos abandonar nossas origens, devemos saber de onde viemos para encontrar no que temos, as razões e formas de viver, de reconstruir nossa identidade, e evoluir. Retornar para reabastecer e evoluir.
VOCE DIZ:
"Veja, eu amo o pantanal profundamente. De forma nenhuma quero relega-lo a segundo plano na nossa cultura, mas também não o quero em primeiro e único, se assim o fizer, mato a diversidade das terras sul-mato-grossenses, que é o que você inconscientemente está fazendo com seu discurso, perpetuando um tipo de hegemonia que não é nada saudável para outras maneiras de ser do nosso estado. "
E EU DIGO:
De onde viemos? Quem somos nós? Viemos de nossos ancestrais! Somos parte do que eles eram!
De onde vieram! O que gostavam e amavam!
Como posso esquecer disso? Que hegemonia é essa que estou perpetuando? Não seria identificação cultural? Pertencimento? A diversidade que voce diz existir de fato existe, mas são características de outros povos. Do gaúcho, do mineiro, do paulista, italianos, alemães, sírio-libaneses, japoneses de Okinawa.
Por que esquecer o que somos?
Por quê?
VEJA ISSO: UMAS CURIOSIDADES....
Segundo o IBGE, no ano de 2005, 30,2% da população residente no estado não era natural daquela unidade da federação, ao passo em que a taxa de fecundidade no estado no ano 2000 era a décima menor do Brasil, com 2,4 filhos por mulher.
As migrações de contingentes oriundos dos estados do Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo e imigrações de países como Alemanha, Espanha, Itália, Japão, Paraguai, Portugal, Síria e Líbano foram fundamentais para o povoamento de Mato Grosso do Sul e marcaram a fisionomia da região. O estado é, ainda, o segundo do Brasil em número de habitantes ameríndios, de várias etnias.
O grande número de descendentes de ameríndios e de imigrantes paraguaios, que em sua maioria têm como ancestrais os índios guaranis, são dois fatores que contribuem para a alta porcentagem dos chamados "pardos" na população do estado de Mato Grosso do Sul. Já a ascendência afro-brasileira desse grupo étnico não é tão numerosa quanto a indígena.
Apesar disso, o sul matogrossense serviu de refúgio para vários negros fugidos durante o período da escravidão e referências a esta região estão presentes em canções folclóricas, como as utilizadas em práticas de capoeira. A canção Paranauê (Paranauê, Paranauê, Paraná...), por exemplo, alude à liberdade que os escravos encontrariam para além do Rio Paraná, no atual território de Mato Grosso do Sul, onde não seriam caçados por feitores ou bandeirantes.
O estado de Mato Grosso do Sul também possui uma das maiores quantidades de comunidades quilombolas no Brasil.
Os paraguaios são o maior grupo étnico estrangeiro em Mato Grosso do Sul, tendo se estabelecido na região desde a demarcação da fronteira entre o estado e aquele país.
Constituíram, por exemplo, a grande parte da mão-de-obra da Companhia Mate Laranjeira.
Sua influência cultural é notável, seja pelo consumo de erva-mate, em forma de tereré, seja pelas polcas paraguaias, guarânias e chamamés, ou seja pelas chipas. Foi após uma receita caseira paraguaia que se criou o Hospital Adventista do Pênfigo, hoje referência no tratamento do "fogo selvagem", ou pênfigo, em Campo Grande.
Mato Grosso do Sul acolheu diferentes grupos de migrantes e moldou sua cultura adaptando a influência de cada um deles. Em nível de Brasil, recebeu, inicialmente, grandes levas de mineiros, paulistas e gaúchos. Hoje, conta também com grande presença de famílias vindas do Paraná, Rio de Janeiro e demais estados.
Do exterior, recebeu forte migração de japoneses (na primeira metade do século passado), libaneses, portugueses e sírios. No entanto, sua maior influência vem do Paraguai e da Bolívia.
Durante a Festa das Nações, em Campo Grande (anualmente, em setembro), é possível detectar esta influência e apreciar os hábitos, folclore, artesanato, gastronomia e costumes que ajudaram a moldar a cultura sul-mato-grossense
Salve a essência desse estado!!
Salve o Pantanal!!!
Bem, você acaba concordando comigo que é a diversidade que forma a cultura única.
E, de brinde, nos dá uma aula de historia do MS, que você bem demonstrou, está além do pantanal.
As vezes é bom cutucar a onça com a vara curta...
Salve o povo do Mato Grosso do Sul!
Poesia que vira debate que vira história que gera informação, aplausos pra Rangel que despertou atenção de José que trocou com Rangel. Saí ganhando um monte, grata!
Bia Marques · Campo Grande, MS 15/3/2007 19:34
Agora, falando sério... (escutou o Roberto cantando?): no meu texto eu não digo que os padres fundaram Aquidauana, nem que os caixieros fundaram Campo Grande, etc. Apenas citava a cultura que estas pessoas trouxeram para nosso povo em forma de historias e fazeres. Quando uso o verbo fazer, inventar, não quero dizer fundar. Fui poético, não literal.
O povoado de Nioac existia muitos anos antes, era uma aldeia indígena, dai o nome. De novo: em nenhum momento me referi aos documentos oficiais, e sim a história antropológica. Você pode encontrar esses registros e das outras cidades que cito lendo, além de nossa pré-história, Gilson Rodolfo Martins, no Breve Painel Etno-histórico de Mato Grosso do Sul. Não vou me alongar, mas suas informações sobre nossos índios estão diferentes do que as pesquisas que tenho lido atualmente... Antes da civilização do homem branco, o de pele vermelha já tinha nações. Restringir nossa historia aos documentos oficiais daqueles que nos exploraram não me parece justo.
Teus ancestrais, como meus, vieram de além mar. Somos filhos de caucasianos, nosso passado mais longínquo lá esta. Seguindo seu raciocínio eu deveria estar dançando tarantela. Assim, nada na nossa cultura (nem mesmo a visão que fazemos do pantanal) é genuinamente nossa. Alias, nada na nossa espécie tem essa exclusividade e permanência. A cultura nasce da diferença, da diversidade, da invenção de quem se é. Pegamos algo muito antigo, transformamos e dizemos que então agora é nosso. Nada se cria, tudo se transforma. Então é perigoso se apegar a apenas uma restrita visão de mundo. Pois, com certeza, ela vai desaparecer.
Você pode achar lindo o modo de vida do atual homem pantaneiro (que deve ter seus 200 anos, com lambuja). Porém, você vive na cidade, não no meio das águas, e, que eu saiba, não deve estar levando comitiva alguma de gado, não é verdade? Mesmo o modo de vida do homem pantaneiro é mítico atualmente. Nós cultuamos uma tradição, um patrimonio imaterial, que tende a desaperecer com tecnologia. Há vários estudos sendo feitos sobre isso nas nossa universidades. Nós podemos registrar uma visão onirica sobre o tema, mas dizer pra todo mundo que essa é a verdade de todos que moram no pantanal e achar que vai ser eterna é uma grande ingenuidade. Como disse, tudo é efêmero entre o bicho homem. É preciso estar atento a mais de uma estratégia de sobrevivência pra permanecer.
Mas o que mais pesa é a questão do desenvolvimento sustentável. Se você promove só o pantanal, você destrói a promoção de outros lugares fantásticos daqui, e tira a comida da boca do povo. Explico melhor. O turismo é hoje uma poderosissima indústria, que ajuda a dividir as riquezas e, bem feito, contribui para a preservação da cultura e do meio ambiente. Quando você evidencia apenas um atrativo, além de correr o perigo de matá-lo por excesso de gente (como quase rolou na Bahia, com Porto Seguro), deixa de oferecer oportunidades de crescimento a outros locais de nossa terra. Por isso uso a palavra preconceito (pré-conceito: conceito definido sem raciocínio, feito antes de se olhar para todos os lados da questão). E você é um formador de opinião! Sua palavra tem poder. Divida esse poder com o cerrado, as matas da serra da Bodoquena, o índio de 1000 anos atrás, os causos do padres de Aquidauana, dos caixeiros viajantes de Campo Grande. Já que você tão bem pesquisou sobre o pantanal, com certeza faria lindas poesias pesquisando estes assuntos diferentes. Ou não... porque ai é uma questão de gosto, né?
Acho que a verdade desta história encontra-se em algum ponto entre sua apaixonada visão do sonho "pantanal", e minha fria análise do produto "pantanal". Porque podemos querer fugir, mas este é o século XXI e vivemos num mundo capitalista. Tudo é produto. Cabe a nós fazermos com que essa dura realidade seja socialmente mais justa, e por isso de novo digo: não acho nada justo com todas as outras culturas do estado quando privilegiamos apenas um tema...
Compartilho seu amor pelo pantanal, mas sou neto de venetos, aqueles caras que inventaram o banco... E não tenho a menor vergonha nem acho absurdo saber que espírito, amor, paixão, devoção não vive sem matéria, dinheiro, negocio, consumo e vice e versa. O que faço é me despir dos meus quereres e ver o melhor pra todos, que esta além de mim e dos meus sentimentos ou preferências. Andei por cada canto desta terra, e vi muita dor e muito pranto. Também vi como quando você enaltece um povo e o faz ver a beleza que tem,como tudo pode mudar pro bem. Assim está acontecendo em Costa Rica. Lá não tem pantanal, e a história do lugar muito pouco tem a ver com ele. Mesmo assim você há de negar que lá é MS?
Já tem muita miséria e fome espalhada por aqui pra eu defender só o meu coração, quero ver cada um deste lugar sendo feliz, tendo o que comer. Então, eu canto e amo a tudo e a todos, pra que cada um possa ter sua oportunidade, compartilhando a riqueza de estar sob este céu.
Meus ancestrais maternos eram índios paraguaios, os seus eram italianos, voce devia dançar tarantela, já que é neto de Venetos, aqueles caras que inventaram o banco. Voce quer o melhor para todos, mas me diz o que devo dizer. Voce diz que tudo é produto, que este é o século XXI e vivemos num mundo capitalista. Mas não deixa eu vender o meu produto. Voce diz que não acha nada justo com todas as outras culturas do estado quando privilegiamos apenas um tema...e eu só estou fazendo minha parte.
Voce diz que a cultura nasce da diferença, da diversidade, da invenção de quem se é. Eu não me inventei, sou fruto de gerações. Voce diz, e os colonizadores disseram aos índios quando aqui chegaram, que é perigoso se apegar a apenas uma restrita visão de mundo. Pois, com certeza, ela vai desaparecer, e os índios foram dizimados.
Eu vivo no portal do Pantanal e ao contrário do que voce pensa, ano passado participei de , ao menos, 4 comitivas de gado com o César Queiroz.
Voce diz, como se pantaneiro fosse, que nós cultuamos uma tradição, um patrimonio imaterial, que tende a desaperecer com tecnologia, e eu lhe digo, que já temos a melhor tecnologia, o cavalo pantaneiro, fruto da ação da seleção natural durante centenas de anos. E não se encontra biotipo semelhante em nenhum lugar.
Voce diz achar que a verdade desta história encontra-se em algum ponto entre minha apaixonada visão do sonho "pantanal", e a sua fria análise do produto "pantanal", e eu quero lembrar, que lá em cima postei um poema falando do homem, que vive o pantanal todos os dias. Que não é um produto, que não é um sonho, que é muito mais que arroubos verbais. Este homem é a personificação de uma terra.
E que enalteço para defender e proteger de sagas muito piores do que aquelas que já passaram.
Digo não às usinas de alcool, no pantanal e nos planaltos circunvizinhos. Digo não à lavoura e seus pesticidas, inclusive na cidade que voce citou: Costa Rica.
Costa Rica pertence à Bacia Hidrográfica do Alto Taquari, uma das principais áreas da rede de drenagem da Bacia do Alto Paraguai. A maior parte da superfície da Bacia do Alto Taquari está localizada no estado de Mato Grosso do Sul (86,5%) e o restante em Mato Grosso (13,5%).
O Planaltoonde Costa Rica se situa, possui regiões que alcançam 800 a 1.000 metros de altitude. É no Planalto que a atividade agropecuária ganha expressão, o que influencia fortemente as condições ambientais da planície pantaneira.
No PLANALTO de Costa Rica, correm os rios confluentes Taquari, Rio Jauru e Coxim - continuam como Taquari, entra na PLANÍCIE do Baixo Taquari - passa pelo Arrombado Caronal (dividindo as sub-regiões do Paiaguás e Nhecolândia) - no Arrombado Zé da Costa divide-se - à esquerda Taquari Velho - o Taquari cai no Paraguai Mirim e o Taquari Velho no Rio Paraguai, região do Abobral, acima de Corumbá.
Essa bacia exerce grande influência sobre os ecossistemas aquáticos da planície do Rio Taquari no Pantanal.
No período de 1976 e 2000 a BAT registrou um elevado incremento da atividade agropecuária, passando de 5,7% para 62,0% da superfície da bacia. . Essa rápida expansão da agropecuária com o emprego de pesadas cargas de agrotóxicos constitui uma das principais preocupações da sociedade, pelo risco dos resíduos e metabólicos dos agrotóxicos afetarem a sustentabilidade dos ecossistemas aquáticos do Pantanal e também atingirem a saúde do homem pelas cadeias alimentares.
As autoridades brasileiras vem sendo alertadas para os riscos e conseqüências de contaminação do Pantanal e da bacia platina por resíduos de agrotóxicos, utilizados nos planaltos circunvizinhos, onde a atividade agrícola é mais intensiva.
Os resultados evidenciaram que os herbicidas foram os agrotóxicos mais empregados na agropecuária dos municípios da Bacia do Alto Taquari, em Mato Grosso do Sul, no período estudado, perfazendo um total de 1.076.820 litros e 100.400 quilos. Em segundo lugar, se destacaram os inseticidas (289.718 litros e 3.272 quilos) e finalmente os fungicidas (3.449 quilos e 3.419 litros).
Infelizmente tudo isso vem parar aqui no Pantanal...
Que levem a tecnologia pra bem longe e me deixem escrever, cantar, viver, lutar por esse céu, para que voce possa vê-lo, lindo assim por muitos anos..
Tá.
Tens toda razão.
Você olha como um artista e nada vai mudar seu coração teimoso (coisa de pantaneiro), eu olho como um executivo (que alias dá toda a razão à sua preocupação ambiental). Ver algo como produto não é necessariamente destrui-lo. Já ouviu falar de desenvolvimento sustentável?
São duas visões diferentes. Para o bem de todos, gostaria que não fossem irreconciliáveis... Talvez um trabalho para as próximas gerações.
Sinto que isto esta ficando pessoal pelo tom do inicio do seu comentário, e não era nem é minha intenção.
Admiro profundamente seu trabalho e gostaria de continuar esse papo olho no olho, no seu canto ou no meu, bebendo tereré.
Mas as palavras são perigosas para expressar um diálogo de dois corações apaixonados por algo tão próximo com pontos de vistas diferentes.
É como se eu enaltecesse a amante pela sua capacidade de trabalho e você dissesse que ela deveria ser enaltecida pela personalidade e beleza, e apesar de toda briga, ainda enaltecemos a mesma coisa. Mas nisso você não vai mesmo concordar, né?
Quanto a sua ultima frase... Sinto muito, mas a tecnologia veio pra ficar, tanto que você a esta usando para cantar e nos mostrar seu belo canto. E não vai ser apenas com ele que você vai defender este céu. É preciso muito mais, tem que pegar pesado, e se livrar do etnocentrismo pra compreender como funciona o que fazemos na aldeia global.
Lindo que você defenda o pantanal e faça a sua parte, mas dizer que o estado que também é meu que só existe isso nele, não é legal. Quem te deu o direito de ser o porta voz de todos e dizer que aqui não tem cultura e que só o pantanal é referencia? Pois eu moro aqui e não concordo, e outros também não. Independente de toda nossa conversa, não admito isso. Ninguém fala por mim, ainda mais da terra onde vivo. Quanto a isso, vou brigar feio pra manter, com você ou com qualquer outro que se ache no direito de diminuir ou pasteurizar toda a belíssima diversidade deste meu MS.
Canta teu pedaço, tudo bem, mas por favor não despreze o resto.
O que você precisa perceber é que suas opiniões, até mais do que de cada um deste estado, afeta a todos. Se você quer realmente fazer diferença, é preciso um posicionamento de mercado, que não deixa de ser uma maneira holistica de ver as coisas. E, sinto muito, mas seu poema e cada coisa que produzimos em arte é produto sim. A gente vende, ou você não ganha dinheiro com sua arte? Vai me dizer que jamais cobrou por uma apresentação sua e não cobraria por um livro seu? Essa ingenuidade é linda aos 16 anos, mas completamente improdutiva na nossa idade. Não pra você ou eu ganhar dinheiro, mas para distribuir a riqueza. O dinheiro tem o valor que damos a ele. Pode ser algo muito ruim ou muito bom, vai do jeito que sua alma trabalha com ele.
Pena você ter entendido minha colocação de um jeito tão agressivo. Tenho essa verve direta mesmo, fui criado para não ter medo do confronto e olhar uma discussão de fora, sem paixão. Difícil das pessoas entenderem se não ouvem o tom da minha voz...
Que tal se você postasse essa discussão e toda a informação (de ótima qualidade) que você aqui postou no overblog? Seria divino que você compartilhasse essa sua grande sabedoria e conhecimento sobre o pantanal com todos.
E, se puder, perdoe este velho italiano de sangue quente que aqui vos fala, que ama uma boa briga do bem!
Beleza, beleza, beleza o teu trabalho, Rangel. Parabéns.
Carlos Magno.
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