(Em memória do Poeta Alonso Rocha)
I
Coice quase fêmeo
penalizando os lampiões de esquinas esmaltadas:
o palmo da flor
regurgita na aragem dos carvalhos.
Sobre a argila
multifacetada
e sonolenta,
o arco de pua,
o retropasso afeminado
e suas verborragias de lágrimas
- as ressentidas.
II
Nem armadilhas de caças,
nem trombas de algibeiras,
ou voo de cinzas;
nem a vergonha
com sua bacia de betumes,
nem a indigestão do caroço pêco,
nem as esmeraldas dos funerais
hão de erguer-se no altar dos lábios cerrados,
na confissão dos meus múltiplos segredos:
ignotas sendas dos orgasmos,
flamas feitas do varrido das tumbas.
III
Oh, vós que sois o encantamento
das escumas pálido-róseas!
Improvável plagiar o fogo-fátuo regurgitado.
Quase nunca é preciso masturbar a língua adulterada.
Quase nunca é preciso vomitar
a agonia dos náufragos do rio que estua,
os venenos mórbidos dos marfins obtusos,
os fetos-machos das miragens níveas,
como tropa de escorpiões vorazes
sem piedade,
de prontidão,
entre a fronte fugidia e a folhagem do precipício,
com força de me atirar
no áureo estômago da espera.
IV
Oh, vós que sois o espelho da jugular arfada com valia!
Arriscado ser a branca-morte do quartzo
na sua campânula estigmatizada.
Para seduzir a violência do sândalo
talvez vos seja útil colorir
as orquídeas sobreordenadas dos poetas olvidados:
têmperas diáfanas com carmin gramatical,
e tentar perpetuar
os cachos-machos das rosáceas mirins,
como dálias de encantar serpente emplumada,
sobrestagna no bocal âmbar da rosa plástica.
V
Oh, vós que sois a estrela grafite
dos seres que desprezam a fúria do chicote!
Difícil enodoar
a noção do tempo-espaço.
Difícil suprimir as cicatrizes dos cânticos embriagados.
Difícil simular
a exclusividade da partida.
Réquiem para um encantado.
Amigo, linda homenagem.
Alguns anos de silêncio e tantos outros de sentimentos.
abraço!
... ainda que me propusesse deste vale de cânticos sair um dia... ainda que o último poeta beat do pós-apocalipse lavrasse sua derradeira letra... ainda que todos os deuses calassem toda fúria contida nos versos do frankiliano benny... ainda que... o que uma vez foi começado, jamais nada ou ninguém o exterminará... ave, poeta, o mundo - este que vos inquieta e serve de morada - necessita de tuas lâminas flamejantes em forma de versos de caleidoscópio... parabéns pelo réquiem... abraços...
Pepê Mattos · Macapá, AP 12/2/2012 13:59Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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