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"PARA AQUILES"

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Fausto F · Rio de Janeiro, RJ
26/5/2008 · 41 · 7
 

Houve um tempo
em que minha mão marcava o cabo da espada
e as tiras de couro do meu escudo
sangravam por dentro meu braço

Quantas vezes morri exangue
sentindo o frio do punhal alheio

Fosse eu Aquiles Pátroclo Heitor
Leônidas destemido e os 300
seria eterno em feito e nome

Mas sou apenas um soldado raso
de alguma esquecida infantaria
lutando pela vida a cada passada
a cada olhada no horizonte das setas

Engoli o sangue e o farelo dos dentes
o pó das patas dos cavalos loucos
senti ao longe o cheiro da maresia
tremia em mim o corpo de guerreiro

(Penso que a dor que sinto
lancinante em meu ombro esquerdo
é a lembrança de uma espada fria
de algum batalha de Salamina
posso ouvir o barulho dos ossos
o clarão do golpe como um galope
e mergulhei no sono pesado da escuridão
sem paz ou guerra, apenas a escuridão.

Vagar no Hades, sombra sem memória,
arar a terra ser escravo
sentir na pela a impiedade do látego
melhor seria a esse triste destino)

Houve um tempo em que fui herói
e lutava, o corpo encharcado de suór,
a honra me bastava por estar ali
ser um entre os melhores.

Tristes tempos
estes em que vivemos
em que homens outrora heróis
já não mais guerreiam:
somos garçons flanelinhas lavadores de pratos
médicos professores advogados traficantes
motoristas ambulantes bêbados drogados
políticos vagabundos atores desesperados
vagamos a esmo por dias infindáveis
desacostumados e inquietos
engordamos em frente à tv
tentamos escoar nossa virilidade sufocada
em tristes jogos de futebol
lavando o carro sábado de manhã
fazendo compras em algum fashion-mall
reclamando na fila do banco
buzinando alucinados em todo sinal.

A violência explode.

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Cristiano Melo
 

Parabéns meu caro por versos metafóricos de extrema sensibilidade...o pensar o humano é excepcional e simples, mas....continuamos a engordar em frente a TV, massificações plásticas de ums er que já engoliu pó de dente em outros tempos. Parabéns e aguardo a votação. abços.

Cristiano Melo · Brasília, DF 24/5/2008 17:33
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Fausto F
 

Valeu, Cristiano, obrig pela atenção. Grande abraço

Fausto F · Rio de Janeiro, RJ 25/5/2008 19:08
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Leandro F. de Paula
 

Não concordo muito com essa nostalgia, mas voltarei para votar mesmo assim.

Leandro F. de Paula · Curitiba, PR 26/5/2008 15:15
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Fausto F
 

leandro, é a constatação do que ocorre no dia a dia. Viol~encia no trânsito, nas guerras, no tráfico, e por aí vai. O homem nasceu para ser guerreiro e caçador mas a vida moderna acabou com isso. As pulsões, porém, continam dentro de nós e devem ser trabalhadas de alguma forma. Obrig por sua atençâo. Gde abraço.

Fausto F · Rio de Janeiro, RJ 26/5/2008 19:47
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Sônia Brandão
 

Fausto, realmente,triste tempo em que vivemos. Tempo da acomodação, da alienação, do cada um por si. Heróis,
não temos mais tempo para cultuá-los.
Um abraço.

Sônia Brandão · Bauru, SP 28/5/2008 11:40
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José Carlos Brandão
 

Lembrei-me de um poema que escrevi em abril deste ano - e lhe ofereço aqui. Muito indiretamente, trata também da desolação.
Abraços.

Os Cavalos Loucos

Os cavalos loucos cavalgam na lua
São cavalos cegos e tocam música
E cantam versos verdes e vermelhos
E cantam com um peixe na garganta.

Os cavalos loucos comem na minha mão
Comem milho e ouro cantando baixinho
São cavalos felizes e riem de mansinho
E gargalham com a chuva e com as árvores.

Um dia pegou fogo nos cavalos loucos
O carrossel girava, girava em chamas
Sobrou apenas a alma dos cavalos loucos.

Sobraram os olhos dos cavalos queimados
Os olhos doíam e choravam lágrimas de fogo
Os olhos de fogo eram a alma dos cavalos loucos.

José Carlos Brandão · Bauru, SP 28/5/2008 12:33
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Fausto F
 

gostei muito de sua poesia. Valeu. Gde abraço.

Fausto F · Rio de Janeiro, RJ 28/5/2008 20:08
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