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PARA CONSOLAR FALAS ENTRE PARÊNTESIS
Benny Franklin · Belém (PA) · 3/12/2008 16:01 · 143 votos · 15 comentários ·  
1
overponto
... Uivos de abismos segredam nas laudas flores de rompimento...
... Uivos de abismos segredam nas laudas flores de rompimento...
amostra do texto
Para Max e Age.


Para enciumar a sedução do sândalo
o prepúcio da palavra carrega consigo
supérfluos frênulos de longas madeixas
— e o corte aromático do machado
desmente
seus rastros de quase-falas.

Vestido de horizontes casuais
não só fui encoxado como também prostituído
pelas lágrimas de “Não para consolar”,
de “Max”, o ovo filosófico!
Que cedo perdera sua virgindade
rompida pelas algas de madrepérola
cuja falação com sabor inexplicável
indica a camuflagem
a que todos os dias
o poeta se liberta:
— o que me levou a aliar-me a urdidura poética
de “A fala entre parêntesis”,
poetada por ele
e “Age”, o nimbo do carvalho!

Uivos de abismos segredam nas laudas
flores de rompimento.
Finjo-me saliente e vomito ramas de poesias
para afugentar vôos incontidos e mentes infixas.
E assim os faço respirar com dificuldade
como à uma gangorra que escolhe
matar asfixiado o verbo sujo a ter
que reinventar outros corrimentos...

Um poema emerge do vazio
e me desperta a parábola do longe contínuo.
Só eu sei
porquê não vago nas paragens ilusórias...
Só eu sei
porquê um repentino
murmúrio de algozes
invade-me o corpo
e sobretudo o intimo...
Só eu sei
porquê uma gigantesca garganta
enamora o convés de mim
e dia e noite inventa bocejos
para me excitar...

Só eu sei onde galo
e onde as sintonias do fascínio repousam.
Só eu sei onde os cabelos debelados
metamorfoseiam à minha volta
e donde terremotos de pólen nascem e alimentam
o pensamento incosúltil
e cegam os olhos sob o invisível
luso-fusco da relva.

Ah! Meus poetas!
Passeio na mira dessa manhã de pélvis adulterada...
Reinicio o açoite agonizando os gajos da noite
em pacto de floração
— e deles não me compadeço!

Ah! Meus poetas!
Vejam como o meu canto encanta lâminas...
Talvez por isso os entendidos me conjuguem assim,
utópico e alienante,
incinerador e ilógico.

Ah! Meus poetas!
Os dias grávidos de mesmice escondem
inocentes bulimias...
Eles brincam de seduzir
esses dedos-deuses esfomeados
todas as vezes que os acorrento
à irrequieta masturbação
dos versos meus
tão seus — aqui — castigados pelos versos meus
e pela não-aquiescência dos seus.

Ah! Meus poetas!
Quantos ramos-paragens me terão aqui germinado
e minhas mãos não arriscam sequer acariciar
as Crisálidas lubrificadas que mimo
— e porque não as penetro inteiriças!

Ah! Meus poetas!
Como é complacente, entretanto,
este fortuito agonizar de palavras...

— Como é orgulhoso
o espinho (beijofixado) na boca!

© Benny Franklin

.......................................................................................
NOTA DO AUTOR:

Max Martins: Ícone da poesia paraense e autor de “Não para consolar”. Uma das melhores obras poéticas lançadas no Pará, no século XX.
Age de Carvalho: Um dos grandes poetas do Pará. Reside atualmente na Áustria. Junto com Max é autor do esplêndido livro “A fala entre parêntesis”.
sobre a obra
"...Ah! Meus poetas!
Vejam como o meu canto encanta lâminas...
Talvez por isso os entendidos me conjuguem assim,
utópico e alienante,
incinerador e ilógico..."



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Autoria   Benny Franklin
E-mail: franklin.benny@mail.com
Ficha Técnica  

Poesia Bennyana.

Fotografia (Retrato em preto e branco) gentilmente cedida por Ana Morkazel.





Data   03/12/2008
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No escuro, breu, agonizo
escrevo carícias com as unhas das mãos
ainda de luz...e sobrevivo ao caos
fora e dentro de minhas prisões
razões e ilusões...
Mas, Amor!
um beijo
OSHF
Cintia Thome · São Paulo (SP) · 1/12/2008 10:03 
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Admirável Benny, querido poeta,

DESCOBERTAS DIÁRIAS - Regina Lyra

Agonizo no silêncio da palavra.
Com siso vejo-me encantada,
escrava dos teus versos.


Beijos, pelo que escreveste
e pelo que trouxeste.
Regina

Regina Lyra · João Pessoa (PB) · 2/12/2008 00:07 
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Maravilhoso!...
Juscelino Mendes · Campinas (SP) · 2/12/2008 18:04 
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Abro a votação para um texto envolvente e repleto de nuances.
Juscelino Mendes · Campinas (SP) · 2/12/2008 18:04 
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Olá, Benny!
Uma homenagem-poema de um poeta para poetas! Lindo!
MariaLuísa · Brasília (DF) · 2/12/2008 19:02 
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muito legal meu caro poeta. abraço
j.alves · São Paulo (SP) · 2/12/2008 20:47 
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Náthima Danel Benny, belo demais. Todos os poetas apreciaram, com certeza.
Um abraço.
Náthima Danel · Boa Vista (RR) · 3/12/2008 11:42 
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um lindo trabalho.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca (SP) · 3/12/2008 14:19 
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BENNY,
LOUCAMENTE LINDO!
Um poema emerge do vazio...
No desfolhar de lembranças,
Do pranto que estremece a alma!
As palavras às vzs, são transformadas
Em monstros,que vivem no obscuro e frio,
Abismo de nós...
O poema,pode te elevar aos céus
Ou te condenar ao inferno
Dos seres mesquinhos...
Um palavra,pode acionar a "bomba"
PARABÉNS!
Seus poemas,
São o "explodir"
Dos vazios,
Das quietudes
Dos caminhos,
Sem rotas,
Sem paisagens,
Sem definições...
CRIME,SERIA
NÃO APRECIA-LOS!!!
Delirio que toca,
A febre da criação!
ABRAÇOS!
JACINTA MORAIS · Cascavel (PR) · 3/12/2008 16:13 
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Grsnde beijo, Benny.
Regina
Regina Lyra · João Pessoa (PB) · 3/12/2008 23:54 
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Benny, amigo e parceiro
Quem te julga utópico e ilógico é por que não conhece a grandeza do interior. Quem, além de ti e de Deus, possue a chave para abrir tua fechadura espiritual? Tuas palavras, teus versos, sempre buscaram a água benta que lava as injustiças, as dores do mundo. Enquanto me despeço...segue em frente, amigo fraterno, prossegue, como um audaz campeador a garimpar e mostrar todas as revoltas que nascem das calçadas indigentes.
Com a admiração de sempre
Noélio A. de Mello
Noelio Mello · Belém (PA) · 4/12/2008 10:43 
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Genial!
Paulo Esdras · Brumado (BA) · 5/12/2008 11:14 
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Sublime, arrebatador.
Beijo
Lola... · Curitiba (PR) · 5/12/2008 15:46 
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VOTOS!
JACINTA MORAIS · Cascavel (PR) · 10/12/2008 00:27 
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MORRE O POETA MAX MARTINS!

"É preciso dizer-lhe que tua casa é segura
Que há força interior nas vigas do telhado
E que atravessarás o pântano penetrante e etéreo
E que tens uma esteira
E que tua casa não é lugar de ficar
mas de ter de onde se ir".

Max Martins
1926 - 2009

O mundo das letras, se despede, na tarde de hoje (10), de um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos, o poeta Max Martins. Max morreu no final da tarde de ontem, aos 82 anos. O legado poético que fica, eternizado por versos de finas estampas, é o de um gênio da palavra que fez da poesia um ato de resistência.

Mas poeta não se despede, dizem que fica encantado...

E aqui - neste espaço onde publico os meus parcos poemas - deixo-o registrado para sempre toda a minha admiração por este gênio da literatura mundial. Ele, poeta de minha preferência, que tanto me influenciou, foi o que me fez entender que a poesia é uma forma de existir, um ato de resistir.

Descanse em Paz, Mestre! E leve consigo um beijo meu.

Com eterna gratidão,

Benny Franklin
Benny Franklin · Belém (PA) · 10/2/2009 13:01 
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