Num quarto e sala decorado com quadros rosas, plumas de diversas cores e um sofá verde cana mora Joana. Uma pessoa batalhadora que acorda todos os dias às 5:00 da manhã para ir ao salão de beleza, não para se embelezar e sim embelezar os outros, trabalha como cabeleireira. Ela é bastante querida no trabalho. Suas clientes são fieis e todos admiram o seu jeito de ser, de encarar a vida com bastante alegria.
Joana sofreu muito. Tudo começou na sua pré-adolescência, aos 12 anos sabia que algo de errado acontecia consigo, seu comportamento era diferente das outras crianças. Ao invés de querer jogar bola, vÃdeo game e brincar com os meninos na rua, LuÃs Henrique preferia ficar em casa, prestando atenção nos bordados que sua avó fazia, lia revistas de moda e conversava com as garotas de sua vizinhança.
Foi passando o tempo e LuÃs Henrique conseguiu mostrar a todos da sua famÃlia o que ele era e o que ele pensava. Assumiu a sua homossexualidade aos 20 anos quando enfim apresentou o seu primeiro namorado. LuÃs Henrique mudou seu nome para Joana, nome de sua avó, admirava-a pela força e garra.
Joana se tornou um exemplo de pessoa, conseguiu mudar a visão de muitos em torno do preconceito, ela provou que ser homossexual é normal e que todos deveriam respeitá-la (sempre repetia “respeito é bom e eu gostoâ€).
Mas, numa fatÃdica sexta feira, Joana resolveu ficar até mais tarde no salão. Notou que os esmaltes estavam todos fora de lugar, escovas com poeira e as plantas sem regar. Arrumando o salão, Joana ouve sua música favorita “Iolanda†de Pablo Milanés tocar no rádio, aumenta até o último volume e curte aquele momento que é só seu.
Depois de tudo arrumado, ela fechou o salão e seguiu rumo à sua casa. No caminho existe uma boate onde na entrada ficam vários jovens, preferiu apressar os passos porque não queria ser alvo de chacotas para os “mauricinhosâ€. Foi apressando os passos, achando que ninguém notava seu desconforto, até que logo à frente é abordada por três rapazes que pareciam alcoolizados, um chegou e a segurou por trás, outro vasculhou sua bolsa e o último possuÃa um revólver calibre 38, que ameaçava atirar se ela gritasse. Joana estava em pânico e pedia para que eles deixassem ela ir embora, poderia levar tudo, ela acabara de receber seu salário nesse mesmo dia, mas eles não queriam nada, queriam zombar, xingar e humilhar Joana.
O que estava armado ficava brincando dizendo que ia atirar, fechava os olhos e mirava ao léu, até que de repente ele atirou e atingiu a testa de Joana, o rapaz que segurava Joana gritou “Cara, você matou o viado!†Mais do que depressa os três rapazes saÃram de lá correndo. Joana após receber o tiro, caiu no chão sujo e com o impacto do seu corpo no chão partiu seu colar de pedrinhas azuis. Entre o vermelho do sangue e o azul das pedrinhas, Joana se destacou.
Teu texto é atualÃssimo. Parabéns!
Bj,
Leandroide.
Infelizmente essa onda de absurdos me "inspirou".
Um beijo.
Eita, destino ruim de Joana, e tantos outros massacrados pela homofobia.
Pri, muito bem escrito. Parabéns!
Bj
é uma pena que essas histórias são baseadas em fatos reais, obrigada pelo comentário, Beta.
Um beijão.
qualquer semelhança com a atualidade não é mera coincidência.A melancolia do seu texto é bela ,apesar dos fatos tristes.
parabéns
bjs
Yasmine
Pois é Yasmine, olha só o que a realidade nos deixou também de inspiração? triste...triste..
Obrigada, um beijo!
Gostei do seu texto,Priscila,é triste,mas é real.
A imagem muito adequada.
Parabéns!
Obrigada Linney! :)
Priscila Silva · Cabo Frio, RJ 6/7/2007 03:26
Pris, vamos por parte. Já que temos um sistema de voto com uma prenhez de privilégios. Não sei por que, mas mérito não pode ser.
a) um voto para o novo visual, se ainda for solteira vou dizer cheio de "salienças", um voto;
b) um voto pra Joana e outro pro Luis Henrique;
c) dois pro texto. Sobrou um - idenização para o visual anterior.
- Podia ser coisas velhas né. No entanto ... Mais legal, a textura da crônica e o enredo - breve, compacto e completo.
bjs. andre. Legal, abrir a votação,
Belo texto! Um abraço mineiro.
anamineira · Alvinópolis, MG 7/7/2007 16:33
André, obrigada pelo pacote de elogios! Obrigada por abrir a votação! Fiquei tão interessada em caprichar no final que não dei muita importância nos detalhes, como acrescentar coisas velhas e talz. Mas, obrigada pelos elogios!
Anamineira, obrigada, fico contente que Joana conseguiu encantar alguém, ;)
Um beijo!
Bonita e pungente história, Joana. Manda mais! Manda mais!
SpÃrito Santo · Rio de Janeiro, RJ 7/7/2007 19:40
Obrigada Spirito Santo! um abraço!
Priscila Silva · Cabo Frio, RJ 7/7/2007 20:13
legal, Priscila!!
belo conto, Parabéns!!
abraços,
Obrigada Marcos, abraço!
Priscila Silva · Cabo Frio, RJ 7/7/2007 20:15
Olá Priscila,
Que bacana este teu comnto. eu gostei abeça. Meus sinceros aplausos e beijos.
Carlos magno.
Sabe Priscila, é uma dor ler essa crônica.
E tanto melhor você escreve, mais dói porque vemos, nas palavras, lemos, lemos impotentes, a violência e a ignorância e seu reinado.
Entretanto, temos que ler muito e você tem que escrever muito para que algo em nós se quebre para que o casulo se abra.
Gostei demais.
beijos
Olá Priscila,
Que bom conhecer sua carinha! Adoro suas cônicas...Esta não pôde ter chegado em momento mais propÃcio pois estamoa travando um verdadeiro "embate" com Spirito Santo", justamente falando de PRECONCEITOS!
Passa lá...Já está postado , chama-se "Ausch..(sei lá), Negão". Está no Overblog!
Beijos ,querida!
Cris
CRÔNICAS!!!!
BJS
CRIS
Priscila,
Brilhante!
Descupe-me por não ter chegado mais cedo!!!! Mas, Joana já está salva nos corações desses que comentaram teu texto, que votaram nele e certamente Joana "sobreviveu" ou "sobrevive" ou "sobreviverá" naquele que respeitam a vida, as diferenças...
Marluce
Carlos, obrigada pelo comentário! Cris, obrigada querida, tb adoro seus textos!! Marluce, com certeza, Joana sobrevive naqueles que têm respeito nas diferenças!!
beijos!
Saramar, obrigada pelo comentário, é uma grande batalha lutar pelo preconceito, infelizmente, o certo é cada qual fazer sua parte, respeitando o espaço do outro, quem sabe assim a vida tem mais valor para milhares de "Joanas"
um beijo!
Priscila.
Muito bom texto. Atualissimo por conta dessa onda violência que afronta nossos corações bons, amigos, sensÃveis.
Abraços
Noélio Mello
caracas.. triste mesmo é saber que essa é uma cena q está cada vez mais banal, né.. triste... belo texto. Ah, tem um texto meu na fila de votação também. Chama-se "papel". veja lá se gosta, ok. O link: www.overmundo.com.br/banco/papel-1
paulinha bsb · BrasÃlia, DF 8/7/2007 19:21
Obrigada Noelio e Paulinha pelos comentários.
Um abraço!
Compôs um quadro real da intolerância que acomete grande parcela da população. Atual e triste, mas a realidade.
abcs
Que voce tenha um excelente dia! Sabe, fiz minha primeira poesia e está postada no overmundo, na fila de votação. Veja lá, vai ser muito bom saber que voce leu.
anamineira · Alvinópolis, MG 12/7/2007 09:25
É Leandro...não sei o porquê do ser humano ser tão intolerante com a própria raça. Todos aqui são iguais mas para alguns infelizmente essa conclusão não é válida. Anamineira, obrigada desejo um maravilhoso dia pra vc tb. Sua poesia é linda, parabéns.
Um abraço a todos,
Priscila.
minha deusa, que lindo, que linda você. você que fez o belo o certo o ego dos outros em forma de dança mansa e de vingança.
ou seja linda lindo. sério...adorei seu conto de coração.
queria muito q vc visse meu conto no meu blog
;http://joseaugustosampaio.blogspot.com/
O nome é “A loucaâ€, fala sobre um fato que vi acontecendo..........bju até mais!
Guto, obrigada pela forma maravilhosa de analisar este conto que eu escrevi. Fico contente por tantos elogios, que com certeza vindo de você é uma honra.
ps: Vc escreve excelentemente bem!!
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