Conto
_”Pera lá, mano! A guitarra quebrou, pô! Vou fazer o quê? Leva...Leva aí, aquele groove de baixo – batera! Leva aí!”
O público se lixava. Nem se tocando para o meu drama. Já tava puto mesmo. Guitarra de merda, usada, comprada a 10 merréis ali na esquina. Queria o quê? Que funcionasse 10 anos? Tava puto sim. 15 anos de banda e ainda naquele ramerrão de showzinho em cidade de interior.
Detesto. Um bando de mauricinho brega. O filho do fazendeiro, o filho do advogado do fazendeiro, a filha do dentista do fazendeiro. Arghh! Uma carreira de toyotas enlameados de barro, na porta do clube, me afrontando. Nós, os artistas, naquele ônibus velho, de 1980, sei lá. Meio constrangedor, não é? Tava puto sim.
No começo até que foi legal. Todo mundo garotão, pai e mãe bancando aquela doce aventura, dando a maior força para o sonho dos pimpolhos, naquela de conversa:
_ “...Na pior das hipóteses os meninos se divertem. Melhor do que ficar aí pela rua, se drogando”.
Papo furado de mãe. Lógico! Bullshit de pai e mãe. Vai acreditar.
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_” Volta, porra! Volta pro palco, caralho!” - Gritava o Marcão, desesperado.
Que voltar que nada. A platéia estava odiando o som. Aquele esporro de PA de quinta categoria. De irritar surdo. Voltar para o palco? Eu? Qual é? Sem chance. Voltar é o cacete.
Dois marmanjos meio punks, meio bandidos, desses que curtem heavy metal mas que, na calada da noite, adoram mesmo é Leandro e Leonardo, começaram a jogar latinhas de red bull. Na trajetória do palco, uma bateu bem na minha testa. Ah! Não teve jeito, parti pra cima.
Algo espirrou em mim. A chuva de latas agora já era tempestade. O barulho delas, batendo no prato splash da bateria, era apenas mais um dos sons constrangedores daquele nosso espetáculo de erros. Quem foi que enfiou na minha cabeça que eu era um músico talentoso? Quem? Meu pai? Minha mãe? Nem me lembro mais.
(Segue no Download)
Lindão esse conto!!!
Veio em boa hora, tava precisando ler algo assim.
Abraços.
Tião,
Leu rápido, cara!
Acabei de postar. Ia até dar uma guaribada ainda.
Valeu.
Grande abraço
Andreas Bortnik, o fotógrafo da imagem acima, é chileno. Se alguém souber o paradeiro dele, me avise por favor. Preciso saber se acha uma boa a foto dele estar publicada aqui.
Abs,
Spirito, gostei muito do conto. Tragicômico!
Que confusão dos diabos em que a banda entrou, hein?
Abração,
Leandroide.
Pois é, coitados!
Quem mandou serem do lado B do Rock Brasil ?
Abs,
Valeu, galera!
Entre outras mil e uma utilidades, este grande Overmundo está me permitindo exercitar uma velha vontade: Contar histórias.
Abs. a todos,
Parabéns pelo trabalho.
Carlos Magno.
Brigadão, Carlos.
Apareça sempre.
Abs,
cara já vi muito "shou" parecido não por azar, mas por ser da noite, são hilários e acho muito certo o cara ir embora, que sabe vai fazer agronomia... ou cinema...
só te garanto que eunão jogaria as latas, ok? rsrsrsrsrs, valeu!
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