Da pressa do dia presa,
as palavras da poesia ficarão de molho,
aguardando a fermentação
que as transforme no vinho
da embriaguez alheia,
ou,
triste fim de um sentir pleno,
num azedo vinagre
para fazer arder
as supostas dores
de quem não as suporte.
O tempo - esse que
cada vez mais anda sem mim -
...raro qual as palavras que não ficam de molho
e escapolem por entre os dedos da língua,
mesmo assim quase invisível
vai me fatiando cartesianamente
em cruzes espalhadas por abscissas desordenadas,
incalculáveis rastros desenhados no horizonte que foge
sobre os ombros lotados de sonhos,
desenhando uma imapeável cartografia do espírito
que escoa em espirais ecoando por ampulhetas
vazias.
Presa do dia,
a poesia voa, às pressas
para saltar da janela que corre
com asas nos pés, moinhos de vento
em tempestade desregulantes
de rumos e nortes, x & y
perdidos no vasto Espaço
da célula, semente
de novos dias a viver entre os dentes do Tempo
alheio de que a carne seu alimento
é a que lhe sustenta Sonho,
Sangue & ossos.
Escrito em http://www.overmundo.com.br/banco/abismos-suspensos-de-palavras-sons-que-cheiram-e-olhares-que-sangram, sob influência dos que lá comentaram.
CD... vc provocou, então toma:
Lábios cifrados em sincronicidigitalidades destiláveis
Torrentes de palavras,
muitas vezes querem dizer tudo
mas dizem Nada...
nesse muito de absurdamente vazio,
lábios fechados em palavras de antes de ontem,
hoje fecham-se dizendo num quase nada
um muito Muito,
silenCIOso.
Nessa quentura lingüística,
atritam-se numa inérciespaciadigitalidade voraz
(dentes de letras, fome das idéias,
digestões gramaticais e até
progressões arrítimaritiméticas
sem métricas e quase
céticas)
almas alheias às suas genealogias,
sem início sem meio sem fim,
de trás pra frente,
desavessadas,
até o caroço.
Fogo...
a poesia se alastra
qual sede de cachaça
numa cachaçaria, soltando a língua do espírito
- in vinus veritas,
in cachaça ratificados est -
e planta mais poesia
no esfogueamento dessa semente
a arder flores
em perfumes soprados ao longe
pelo vento do Sopro de dentro
do peito da gente.
==
GRANDE abraço!!!
Carla Mariah!!!
MUITO obrigado pelas palavras de encorajamento... vlw!!!
GRANDE abraço!!!
Sidclay Dias!!!
Tua foto fez-me desprender mais poesia caro amigo...
Imagens a destilar palavras a destilar imagens
Das palavras,
às vezes uma terra dura,
colho poesia para dizer
o que normalmente elas não diriam,
transformando em frutos as entrelinhas da Beleza
sentida pelo entendimento...
De uma imagem,
às vezes abstrações indizíveis,
uns colhem mais de mil palavras,
numa terra mais dura ainda onde quase todos
para a Beleza estão cegos,
(tolos,
ordenham do próprio umbigo
prata e ouro)
destilando cachaça para beberragem
dos olhos.
Das duas juntas,
palavr&imagem colam no tempo
o instante que o fogo se alastra na mente
e acendem fogueiras de semioticidades
intravenosas na corrente que desprende do sangue
o sonho dos sonhos das gentes.
======
GRANDE abraço!!!
cifras ardem na digital da flor atravessada até o caroço. do cócxis até o pescoço sobe a semente plantada no meio do fogo qu7e arde no peito e depois sobra assoprado na interlíngua.;))
Compulsão Diária · São Paulo, SP 3/10/2008 16:47
sangue & ossos & vísceras
alimentação onívora
concreta e imaterial
paradigmastigadas
heterodoxinexoráveis
saudações deglutemporâneas
Muito bom o seu poema. Os neologismos do título são muito interessante.
Sucesso.
Votado.
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