PARÁFRASE

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Hangner Correia · Olinda, PE
25/5/2008 · 80 · 7
 

Vou-me embora pra... só Deus sabe onde.
Aqui não tenho amigo nem rei
Nem a mulher que quero
Na cama que me deitei
Vou-me embora pra... só Deus sabe onde

Vou-me embora pra... só Deus sabe onde
Aqui eu não sou feliz
Onde eu moro a existência é uma falácia
De todos os modos inconseqüentes
Que qualquer garçonete
Rainha ou demente
Pode ser até parente
Dos filhos que já tive

O que eu queria era um carro
Ao invés de uma bicicleta
Queria uma rede, oa invés
de tanto trabalho
Mas, só me sobrou o mar
E depois de tanto cansaço
Sento na mesa de um bar
Mando chamar Irene
Pra me contar umas histórias
Que no tempo de menino
Neide não teve tempo de contar
Vou-me embora pra... só Deus sabe onde.

Aqui não tenho nada
Não tenho civilização
Ainda não ouviram o processo seguro
De impedir a concepção
Tem alcalóides à vontade
Ah, como tem...
Tem prostitutas bonitas
Ah, como tem...
Pra gente se endividar

É assim que ando, triste
Que triste assim não tem jeito
E de noite me dá vontade de matar
- Aqui não tenho amigo nem rei -
Aí sim, terei a mulher que quero
Pra cama que me deitei
Vou-me embora pra... só Deus sabe onde
Peraí...
E tem Deus ?

Sobre a obra

A Obra é um desabafo contra nós mesmos , os poetas, que nesse encardido da vida teimam em priorizar nas suas poesias o lirismo e todo platonismo quase medieval.

Peço desculpas a Manoel Bandeira pela indiscrição em " tentar " parafrasear seus versos, e onde ele estiver me ouvindo ( ou lendo, sabe-se lá, como está a tecnologia ) não fique triste , pois sua Pasárgada, é o ideal de vida pra todos nós mesmo.

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Hangner Correia
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EdimoGinot
 

Com Certeza Bandeira não o desculpará.
Simplesmente por não haver motivos.
Aplaudiria, somente.
Um abraço
EG

EdimoGinot · Curitiba, PR 23/5/2008 20:48
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EdimoGinot
 

Manoel está contente.
Meus sinceros votos.
Um abraço
EG

EdimoGinot · Curitiba, PR 24/5/2008 18:56
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danlima
 

Hangner, gostei demais do teu texto, atuyalização de lirismo de Bandeira, aplicado a estes nossos dias atuais, em que "tudo que é sólido se desmancha no ar". Só não concordo quando dizes que os poetas priorizam nos seus poemas o lirismo quase medieval, em detrimento da realidade. Ser poeta é isso, viver a realidade porém não deixar que a poesia morra em meio à secura e ao desencanto. Poetar é isso: ver a poesia em todos os momentos da vida: na beleza, na feiúra, na vida, na morte, na miséria e na opulência. Lirismo é uma condição do ser humano, que tem o poder de se emocionar e se sentir feliz, ou triste, ou alegre, ou puto da vida,e ser capaz de expressar tudo isso, assim como a revolta, em versos.

danlima · Brasília, DF 24/5/2008 19:22
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Ailuj
 

beijos e publicado

Ailuj · Niterói, RJ 25/5/2008 23:13
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Anderson Frasão
 

Puts...o que um menino de neve como eu poderia dizer?...
Vc é um Leão do Norte cara!!!

Anderson Frasão · Canhotinho, PE 28/5/2008 10:28
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Hangner Correia
 

Valeu poeta pela força, mas devemos melhorar sempre.
Abraços!!!!

Hangner Correia · Olinda, PE 28/5/2008 20:28
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Gena Maria
 

Hangner, gostei muito deste seu texto, parabéns!
Bjão da Gena

Gena Maria · Marília, SP 5/6/2008 10:54
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