Parentes e Competentes
A imprensa destaca vez por outra a prática de contratação de parentes promovida por agentes públicos, mesmo após as leis contra o nepotismo.
Muitos prefeitos adotam esta pratica sem nenhum constrangimento, alegando que ninguém deve ser punido apenas por ser parente de prefeito ou secretario.
Segundo eles, já que alguém tem que ser contratado qual o mal em se contratar um parente se ele tiver competência para tal? O parentesco não pode desqualificar ninguém por si só.
Tem sentido estas afirmativas, mas como estes elementos não podem ser medidos de forma cientifica, os critérios parentesco e competência acabam sendo usados de forma indiscriminada e sob perspectiva muito subjetiva.
A respeito deste tema, meu tio Maurílio dizia ter inventado uma forma infalível e inovadora de acabar com o nepotismo.
Dizia que estava em processo de registro de patente e que quando começasse a vender seu produto iria ser uma verdadeira bomba na cabeça dos nepotas.
Negava-se de forma veemente a me dar detalhes desta idéia dizendo que tinha que protegê-la até a patente ser liberada.
Resolveu se abrir quando afirmei que só o fato do tal patente já estar homologada e seu processo correndo dava a ele uma cobertura legal suficiente no caso de roubo da idéia.
O tio Maurílio começou a me explicar a idéia e a mostrar os croquis. Segundo ele a contratação de funcionários da prefeitura se daria de forma cientifica e automática.
O candidato entraria em um corredor que teria na passagem uma roleta daquelas usadas em bancos e na lateral uma porta automatizada abrindo pra fora.
O cidadão inseriria todos os seus dados num escaninho antes da roleta e um computador começaria a analisar seu nível de competência.
Aos dados normais como: qualificações pessoais, outros empregos, cursos, etc., se acrescentaria outros dados que, segundo o tio, na Era da inteligência emocional, são considerados importantes para se definir o grau de competência. São eles: capacidade de puxa saquismo, força do pistolão, saco para agüentar eventos oficiais, etc.
Tio Maurílio inventou uma escala para medir o nível de competência que deu o nome de escala "Maurilio". Esta escala vai de -10 a +10, sendo que +10 é maximo que um ser humano pode alcançar de nível de competência.
A pessoa que fosse classificada entre +1 e +10 “Maurilios” teria a roleta liberada para prosseguir. Se recebesse classificação abaixo de 0 (zero), a porta lateral se abriria automaticamente e o individuo receberia instrução para ficar na posição que "Napoleão perdeu a guerra". Uma perna articulada com urna botina 44 na ponta o dispensaria com chute na bunda, mandando-o para o meio da calcada, tudo de forma cientifica e automática.
O cidadão que passasse pela primeira roleta teria a sua frente uma segunda roleta e uma segunda porta lateral automática.
Aqui se mediria o grau de parentesco do individuo. Todos os dados relativos seriam inseridos em outro escaninho e o dedo polegar deveria ser colocado sobre um painel próprio, onde uma pequena agulha faria a coleta de sangue.
O computador passaria a analisar o grau de parentesco da pessoa em questão, classificando-a numa escala que vai de -03 a +10 num medidor chamado parentômetro.
Na escala +10 estariam os parentes de 1º, na +09 parentes de 2º, depois 3º e pela ordem, amigo, vizinho, amigo do amigo. amigo do amigo do amigo, filho da passadeira, etc., até desconhecido, completo desconhecido e nunca o vi mais gordo, sendo que estes três últimos já estariam na graduação negativa da escala. O cidadão que caísse nesta escala de nível de parentesco acionaria automaticamente a porta lateral e o mecanismo de dispensa entraria em ação colocando-o na calcada com um profissional chute na bunda.
A somatória das duas notas classificaria então, o individuo dentro de um plano
de cargos e salários.
Por exemplo. a pessoa que conseguisse nota 7 na escala Maurílio de competência e 8 na escala do parentômetro teria um total de 15, já outra que tivesse 9 na escala de competência e 2 na do parentômetro, teria um total de 11 ficando abaixo da primeira.
Observei ao tio que embora a sua idéia fosse muito boa em principio era deveria provocar uma verdadeira corrida por busca de parentesco com pessoas de cargos públicos importantes, nem que fosse como entregador de leite ou aparador de grama.
Parente em qualquer nível, de figurões vai valer ouro. Afinal parentesco também é competência.
João Drummond
O nepotismo está com seus dias contados. Vem aí uma invenção genial para acabar com está pratica nojenta.
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