Partida: palavra acertada para designar a alma de quem fica.
(Do Livro das Sínteses)
Esse teu olhar mortiço
esse sorriso postiço
essa cara encarquilhada.
Ah o tempo que devasta;
uma perna que se arrasta
e tão próxima a chegada.
Isso tudo sem sentido.
Do silêncio esse vagido
um sorriso de criança.
Olha os mortos se enterrando
e a vida recomeçando
trazendo nova esperança.
Esse teu olhar sem brilho
um pai que pranteia um filho:
tão inúteis tais desvelos.
Uma vida que se apaga,
essa mão que não afaga
nunca mais os meus cabelos.
Poema denso e reflexivo. Mostra a transitoriedade da Vida a nos lembrar que tudo passa, independente da vontade humana.
Saúde e Paz. Sempre.
É Suannes
Esse tempo que devasta
Esse tempo que nos gasta
Esse tempo nos arrasta
Beleza de poesia.
Valeu a declamação
um abraço
MINHA OPINIÃO
A morte sendo tratada por Circus do Suannes como uma realidade pura, nua, crua, no instante do lacre do túmulo, um vazio, um vazio pleno, até que enfim encontrei um vazio perfeito. Os olhares conversam sobre, um balançar de cabeça, uma palavra amiga, um conselho. Tudo uma máscara na verdade todos estão diante de mais um pobre humano que se foi, um moribundo, um corpo cadavérico num caixão, um perfeito contraste com buquês de flores que uma semana depois estão murchas, sofridas, lágrimas, perguntas que não param. Tudo é um eterno porque ? É tudo tão estarrecedor, e o pior, é o sentimento de fragilidade dos que ficam. É muito triste quando a morte chega, ninguém faz nada, todos ficam olhando o morto como ele estivesse morto de verdade. Quando o morto morre ninguém faz nada. Todos a olhar o morto, um corpo sem vida. Nesta hora aterrorizante dá para se ver a pequenez humana, penso que quem criou esta existência sabia e sabe a hora plena da humilhação humana, da inoperância, da ineficácia. E O pior para os que não tem consciência deste momento de humilhação plena, ficam a expressar emoções choros, gritos, tudo em vão a matéria morta vai ficando fria, disforme, dura. Tudo é tão tenebroso que parece que todas as explicaçções são meras ilusões, são consolos para {o inconsolável}. A morte assassina de verdade, assassina o morto, assassina as mentes, os sábios, os poderosos, os não poderosos, os vaidosos, os humildes, os que tem fé, os que não tem. Penso que o maior poder existencial é o poder de parar tudo no organismo, não pàra só uma parte não, pois sempre há um acordo no interior do organismo das mínimas células as mais compelxas fluição corpórea tudo pára e pàra num movimento sincronizado, nenhuma célula ainda teve o atrevimento de ficar vivendo sozinha para provar que supera a morte. Na hora da morte em qualquer ponto da história da existência sempre todos os fluidos vivos morrem em questão de minutos. Sempre faltou um orgão teimoso a ficar pulsando por vários dias sozinho, isolado, diferenciado, assim como um câncer, porém o cancer durante a morte é o primeiro a morrer ? Até quando a morte devorará a vida por inteiro em questão de minutos.
Comentário extraido de Partida Circus do Suannes São Paulo ( SP) Edição Overmundo, outubro,2008.
Morte e Vida Severina
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque sobre poema de João Cabral de Mello Neto
Esta cova em que estás, com palmos medida
É a conta menor que tiraste em vida
É de bom tamanho, nem largo, nem fundo
É a parte que te cabe deste latifúndio
Não é cova grande, é cova medida
É a terra que querias ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto parco
Porém mais que no mundo, te sentirás largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas à terra dada nao se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
(É a terra que querias ver dividida)
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas à terra dada nao se abre a boca
é a única verdade, verdadeira da vida: A MORTE!
beijos e Parabéns pelo texto magnifico!
Suannes,
Partida dolorosa.
Assim é a vida.
Regina
Disse o filhinho de uma amiga, que tentava explicar ao pequeno noções sobre, vida, morte, reencarnação, etc...
“já entendi mamãe, a gente morre aqui para nascer do outro lado, e morre do outro lado para nascer aqui”.
Simples, não?
Beijocas, tio.
Belo poema Suannes...
Depois eu voto para votar..
Abç...
Suannes:
de partida em partida,
coisa triste dessa vida,
a gente se prepara pra nossa,
sem jeito,
sem ginga,
nem bossa...
com uma dor no peito !
quando nasce, o oriental sofre,
bem diferente
que a gente,
abre um cofre
e sai por aí a distribuir riquezas e charutos...
uns comemoram com pinga,
outros até com chá-mate !
Só sei que nessa tal de partida
há um sério disparate:
se fores você em meu velório,
no teu, veja só, que inglório,
não retribuo a visita...
dizem tanto da partida,
pois acho que dela não há mistério,
não sei se ganho algum prêmio nessa vida,
só sei que termino num cemitério !
que isso sirva de consolo,
na vida a gente se comporta como um tolo,
dando tanta ênfase à comida
e se esquece da inevitável partida,
ajamos, pois, de forma destemida,
não se deve temer o desconhecido,
entre todos os nossos medos já sentidos,
encontra-se algo que nos consola,
um medo de um jogo de bola,
sem vencedor, nem vencido,
apenas alguém que te diga:
'-acabou, hoje é a tua partida !'
Um abraço !
Vim pra ler um poema e ganhei de brinde dois contos curtos e um video. Que lucro!
Independente da religião, da crendice e/ou espiritualidade de quem chega aqui e lê o teu texto, esse momento de partida é mais poderoso mistério da vida. Que bom que a poesia vem pra embalar esse mistério de forma tão bela e amena.
Adorei.
beijo na alma
Adauto
Triste esta partida ante a
alma partida de um pai que pranteia o filho
lembrando que não tera mais suas calorosas
mãozinhas a brincar em seus cabelos.
Os mortos não voltam, os velhos não
ficam mas a vida não para.
" Renovação"
bjs
Circus, belo, profundo e intenso poema.
Trabalhou magistralmente as duas situações que mais angústia causam na humanidade o longo das eras. A impotência perante a morte e ao tempo, cujo destino final é a própria morte.
É doloroso saber que a cada badalada das horas nos encaminhamos para ela e quando não somos nós são as pessoas que amamos que vão partindo, levando uma lasquinha do nosso espírito junto com elas....
abraço.
Dolorido, triste, verdadeiro:
Não te importas com o tempo:
vivido
escolhido
sofrido.
És pura elegia...
Vemos em quem parte a nossa própria partida. Dizem que é por isso a nossa dor: choramos por nós, despedimo-nos de nós mesmos.
Gostei da história da Noruega: os mortos não costumam sair da campa. Somos nós que temos visões dos nossos próprios fantasmas: o nosso medo da finitude.
(Apesar do poeta português José Gomes Ferreira reclamar: "Viver sempre também cansa!" Cansa, concordo, mas a brincadeira acaba aí.
Abraços.
Eae meu querido, na pazzz??
Belo poema! Você cruzou na área e o Alcanu complementou de cabeça! Tudo muito bom! Parabéns!!
Votado!
Abração procê!
É a inversão da ordem natural das coisas. Pais não têm que enterrar seus filhos. Tocante poema.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 29/10/2008 17:09
tenho pensado muito nisso tudo...e seu poema declamado fez calar...é por ai...
Mas há de pensar-se na continuidade...eu creio...e vc ?
"triste madrugada foia aquela, em que perdi meu violão..."
Repetindo Pontes, tocante poema.
Esse tempo implacável,corre para uns e se arrasta para outros
É a lei da vida que parte,deixando a alma de quem fica partida
Beijos
Tenho uma casa em Mosqueiro que fica em frente ao cemitério. São meus melhores vizinhos!
Teu poema é tão bonito! Tua dor parece tão doída, mas é tão poética, que quase chega a ser doce.
Beijos, menino!
Daí a importância de amarmos sempre a cada um, principalmente quem nos é sangue do nosso sangue!
Depois... só sobras de lembranças...
Pôxa, passou de forma exemplar este momento! Captou de forma chocante da inércia. Não é fácil encarrar este silêncio absoluto, tão acostumados com o movimento, com reações. Além do mais, a tristeza dos parentes diante desta situação.
Comovente.
Um poema profundamente refletivo! Recordação de um onstante de vida, um pequeno nada que faz a vida e o aprendizado. O corpo é o veículo da alma. Cumpriu a sua função volta ao pó! Beleza meu caro Circus!
raphaelreys · Montes Claros, MG 30/10/2008 05:29
A naturalidade tem por vezes sobressaltos, intervenções mal entendidas. Tanto a vida quanto a morte é o resumo da naturalidade e do não entender quando chegada uma para tirar a outra.
Grande reflexão, só poderia se dar diante de um fato real.
abraço
andre.
Parabéns, muito bem escrito e declamado apesar de triste..
...pois que a vida há de continuar
Se a esperança é sofrimento, a morte pode nos dar a certeza da continuidade do ser
Ah! a verdade, quanto a buscamos, como devemos buscá-la
é certo que alcançá-la-emos
É a dúvida que nos diz que o conhecimento que hoje detemos não é nem um terço do que ainda havemos de conhecer.
Um poema digamos efusiante, daqueles que todo entusiasta da poética deveria ler por mais de uma vez. Lê-lo para mim portanto é como sorver a taça do mais gostoso vinho. Verso a verso, palavra a palavra foi este meu ritmo com aos pouco fui absorvendo o que está escrito. Feito isso então extasiado de poesia senti-me que me fui absorvido pela estética quase astral do poema fato. Um poema-texto para ser guardado a posteridade. Pura e rara beleza. Gostei incomensuravelmente.
José Cícero
Da Aurora - Cariri cearense.
Tocante, intensamente dolorido e verdadeiro.
Adorei.
Beijo
Olá Suannes, recebi o recado ontem mas o comp deu tilt. Agora vi novam/
vamos ao poem:
Começo dizendo q nada tenho contra cemitérios, trabalho mentalmente meu horror q deve ser pior q o da sua mulher.. rs treauma msm! Mas já segurei morto e fiquei um mes sentido o cheiro das flores em moi.. tomava 3 banhos/dia... mas o cheiro persistia.. Era a minha neurose q o buscava... help-me!
Qto ao poem... dexeu respirar...
Esse teu olhar mortiço
esse sorriso postiço
essa cara encarquilhada.(Isso n é morte,e vida vivida c intensidade)
Ah o tempo que devasta;
uma perna que se arrasta
e tão próxima a chegada.(naum vivi isso, mas posso imaginar, contudo a cabeça parece ser tão lúcida... Q a chegada, pode acontecer aos 100...) E Niemeyer?
Isso tudo sem sentido.
Do silêncio esse vagido
um sorriso de criança.( leve,leve.. gostoso..)
Olha os mortos se enterrando
e a vida recomeçando
trazendo nova esperança.( é tdo q começa acaba; por isso a intensidade é fundamental!)
Esse teu olhar sem brilho
um pai que pranteia um filho:
tão inúteis tais desvelos.
Uma vida que se apaga,
essa mão que não afaga
nunca mais os meus cabelos.( Isso é o q me mata, a morte dói por essa frase o 'NUNCA MAIS' acaba comigo...dói msm! Q merda... n aceito a dor do nunca mais.. é neurose sem cura..)
No mais eu devo dizer q seu poema é lúcido, claro, intenso e q apesar de... n é triste. Digamos que ele é de uma fatalidade estonteante - doloroso e verdadeira...
Enquanto não aparece o cortejo Suannes.. Vive La Vie!
As partidas são sempre muito dramáticas, mesmo !!! O "nunca mais" é terrivel. Digo tudo isso por experiência própria...Sua mão nunca mais no meu cabelo....É de morrer de triteza,mesmo !!! Solange
Langinha · São Paulo, SP 30/10/2008 20:28
Comovente o seu poema.]As partidas são sempre tristes. Muito mais tristes aquelas onde não há possibilidade de retorno.
bjs
Suanes,
Reverencio teus versos, com emoção.
Abraços comovidos
Noélio
SUANNES,
UMA VIDA QUE SE APAGA,
ESSA MÃO QUE NÃO AFAGA
NUNCA MAIS OS MEUS CABELOS...
Comovente,arrancou-me prantos!
Para meu irmão:
Casita marrón,estás pálida,descolorida
Yo siento tu desespero profundo,
Y si no fueses casa,ciertamente dejarías
También el mundo!
Mas por heredar de tu dueño la fibra,
Continuarás viva,
Y te quedarás aquí...
DIOS MÍO,ÉL NO HA VENIDO!!!
Besos.
Suannes,
Triste, mas , a essa derradeira chamada, ninguém pode se recusar a atender.
Abraço
Professor,
Deixei, mesmo de próposito, (o de é proprio do meu lugar), para votar cedo para reler e votar. O cedo me traz mais recordações.
abraço
andre.
A visão da morte, espada de Dâmocles a pender infinita sobre nós, é angústia e dor.
Não há beleza na morte, nem consolo. Apenas esta angústia da caminhada ineroxável que nos leva ao encontro dela.
Seu poema é profundamente triste e ainda assim, belo, dessa beleza dura que paira sobre o inelutável.
beijos
Fiquei arrepiado. Duas tragédias num poema. A crua realidade dessas perdas. O pai, que não mais vai sentir o afago dos cabelos pelas mãos do filho ainda menino e já morto. E o filho que não mais vai mais sentir as mãos amigas da mãe lhe acariciando os cabelos. Muito bem. Parabéns Mestre.
Eldo Meira · Carazinho, RS 31/10/2008 10:53
Poema que enobrece a palavra, a verve
que vos brilha.
Excelente!
Abçs.
A partida sempre deixa saudade, por isso dói... Belo trabalho...
Airton
Estrela-RS
"Uma vida que se apaga,
essa mão que não afaga
nunca mais os meus cabelos."
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Isso é um soco, cara!
É a mesma coisa de jogar um balde até a borda cheio de tristeza na cara de alguém que acaba de acordar.
Ótimo poema. Tragédia linda.
Colocaste em belas palavras o único sentido da vida,a sua única verdade.A única certeza que temos "A morte"
Que façamos da nossa passagem aqui na terra um aprendizado.Eu gostaria de acreditar em outras vidas,mas não achei ainda uma prova que ela exista.Então vivo a saudade dos que se foram.
Um grande e fraterno abraço.
Esse teu olhar sem brilho
um pai que pranteia um filho:
tão inúteis tais desvelos.
Uma vida que se apaga,
essa mão que não afaga
nunca mais os meus cabelos.
Nunca mais temos brilhos até nos cabelos
muito triste, mas real...esperemos uma nova vida
pra nos juntar ....afagos virão...
Gosto da matemática de seus versos e fui educada para ser nota 10 em matéria de partidas. Tenho feito alguns testes referentes ao assunto e estou certa de que o dia da prova é o menos dolorido.
Aglacy · Aracaju, SE 16/11/2008 16:53Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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