PASSAGEIRA DA ILUSÃO
Talvez não esteja mais aqui
Quando as uvas estiverem sem suas sementes
E todas as tinas rachadas sem pés para amassar o vazio
Quando o trigal não será mais o espelho do sol
E sim a negritude, farinha negra, a terra
Minhas mãos não amassarão mais o pão
Entre os dedos sairão vácuos do vento
A luta para domar o leão do amor e da própria existência
A humanidade soltou os dragões, o fogo da maldade
As pedrinhas dos rios não chorarão alegria e dor
Sim, o silêncio, o mais nada...
A estrela chorará,
Mas não alimentará com sua lágrima a estrela do mar
O mar já deixou de ser
E os cavalos do rei estão morrendo de sede
O príncipe nunca mais foi visto na aldeia...
Sorte das flores que já fugiram e não viram nada
A boca não urgirá palavra, na garganta há o verbo amar entalado
Garrafas dos néctares sem gargalos
Baco e as lendas das tabernas
Cortaram bocas, mudas ficaram
O peito não arfará ais do querer e do que tanto quis
As pernas não estarão à procura das esquinas do pecado
Os cabelos brancos, repartidos e escondidos no nó do lenço da fome
Sustentará o que foi mais bonito, o Amor
Os olhos refletirão erosivos chãos, poeira, pedra, estio
Pensar em voltar ou ir em frente será luta aos olhos
Receber tapas na face, socos no estomago vazio
O grão da ampulheta sufocando o tempo e o corpo
Estagnar a vida assim foi decreto,
Um perigoso aneurisma, a resignação
Com direito da lembrança do que era dança
As folhas caíam e rodopiavam, dançando o ato final
Galhos balançavam e davam frutos sem que eu erguesse a mão
Chuva da fartura, dos desejos, lamber e morder com dentes a carne
Limpar os lábios, satisfeita, plena, ápice em sumos líquidos
Pássaros na janela, anunciando a vinda de um novo e certo dia
Passageiras ilusões
Cortinas rasgadas em fiapos cerradas
Entre as frestas rumores ainda de poema e poesia
Devastado mundo, encolhida vaidade, palcos apagados,
Mentiras serão expiradas, a verdade derrotará a mim
Tablados de areia não sustentarão a solidão
Sem orquestra, sem mestria
Por isso não haverá mais minha vida, personagem
Talvez não esteja mais aqui
Pois acolá, não vibrará... Já não cativará
Nem será mais
Era uma vez.
Cintia Thomé
jan/2008
Dedico à Benny Franklin, Poeta Beat
Cintia, ao par da beleza, esta é uma epopéia trágica, do fim de todos fins!
Restarão os poetas, a cantar, cegos, a morte da morte?
Magnifíco!
beijos
Olha me pareceu um apocalípse.
Lindíssimo texto.Acho que somos mesmo passageiros da ilusão.Linda homenagem ao poeta del mundo Benny.Volto para votar.
Cintia...
Tua poesia, parabens!
Lendo quando vc menciona o mar, e vendo o 'mar' aqui no nerdeste sendo arrasado pelas sujeiras de plastico e outros residuos que deveriam ser reciclados em outros "mares", ... nao serao os cavalos do rei, mas, o povo do BR que vai morrer de fome e sede, infelizmente, se a coisa continuar assim, nesta linha torta de evolucao.
Entao,tua poesia... uma bencao pra nossa reflexao, e uma boa dose de meditacao.
bj grande
JC
Perfeito...È isso, está restando muito pouco...quem virá não saberá o que foi...nem verá...nem vibrará...e eu não estarei mais aqui, muitos não estarão, principalmente aqueles que sonharam com um mundo verdejante para respirar felicidade...frutos na mão, comer, beber e não ter fome , nem de Amor.
bravo...
Amei teu comentário.
Cintia....
Podes crer amizade... podes crer... queremos votar, e bem viver.... queremos mais que "pao e agua" pois nao somos somente "partes" de um "circo" mas seres humanos!
Entao, que nossos comentarios ressoem, na vibracao que ecoa no espaco que produz pra gente poder bem viver.
Axe!
Salve, Cintia!
Com esse canto ecoando nos ouvidos as próximas gerações
sentirão tua presença.
Creia nossa luta não é e não será em vão.
Parabéns.
PS - Dia 11 está chegando.
Grande lançamento do "Olhos de Folha Minha" - Salve, Cintia Thomé!!!
Cintia, lindo poema, mas me soou tão triste...
Me remete ao tempo em que não mais estaremos aqui apesar dos nossos feitos...
Pois no auge da nossa sabedoria, seremos retirados de cenas...
Mas esperemos que outras sementes sempre brotem e tragam esperanças...
Belo poema!
beijão
RECEBI AGORA ESTE VIDEO DO POETA GUTO SAMPAIO
ATRAVÉS DE EMAIL PARTICULAR
VEJAM....
http://www.youtube.com/watch?v=EjpSa7umAd8
VEJAM
.
Ai de nós, poetas que vivem da Natureza e por ela choram os dias contados de seu lento homicídio praticado pelos invasores neste planeta. Está surgindo agora um novo tipo de ser, desprovido de emoções e com dificuldades para discernir entre tristeza e alegria. Foi matéria da Superinteressante. Serão eles humanos como nós? Serão eles capazes de trazer na ponta da pena que risca o papel ou das teclas que desenham frases em telas de cristal líquido alguma beleza? Serão capazes de descrever a realidade em tristes e belas palavras como as suas? Serão um dia poetas? E nós? O que será de nós? Seremos caçados nas ruas como as bruxas da Inquisição, por termos algo a mais, uma sensibilidade que foge à compreensão dos estóicos? Ontem foi o Kosovo, hoje o Tibet. E amanhã? Queremos mesmo esta realidade degradante e destrutiva que se avizinha? É chegada a hora de soar as trombetas do Ragnarök. Nos encontraremos no campo de batalha, Cintia...minha nova e querida companheira de milícias audiovisuais...
businari · São Vicente, SP 8/4/2008 12:52
Cintia Thomé!!!
De ponto em ponto
vamos descosturando a ferida
rasgada a ferro & faca cega
pela própria mão
à deriva no cerne da inação.
-----------------------------------------------
outro PONTO que nos convida para reflexão.
GRANDE abraço cara Poeta!!!
As lendas são assim. São verdardades ou não?
- Claro que são verdades e são verdadeiras poesia da vontade
de alimentar a criação nos viventes.
um abraço, andre.
Cíntia,
O que és, como já o foram poetas outros para o bem, e o que ainda seremos, já para sempre é, que ninguém escapa do país da consciência, e teu libelo alcança látego da natureza, da vida, do amor a quem mesmo esteha inerte.
Cobra que pense, cobra que haja.
Quando se diz que és grande, não duvide nem de quem o diz, nem mesmo de ti; que de fato és, na generosidade, na luminosidade, na tua própria permanência decidida e vivida aqui entre nós... como nos dizia uma outra poeta grande daqui: poesia ainda que tarde!
Terás muitas alegrias, que nos dá as tuas lutas, sonhos e alma toda para acompanhar.
E queremos, como está visto e lido, estar contigo.
Um abraço amigo.
vc é uma grande poeta cintia, bela escolha de palavras, uma vivacidade pungente q atravessa o vídeo e cai aqui no meu colo, senti a tristeza junto contigo, esse mundinho filha da puta num tem jeito não, acabará junto conosco.
ouça o som da minha banda
www.myspace.com/homensdupantano
homensdopantano · Rio de Janeiro (RJ) · 8/4/2008 11:56
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és uma poetisa de mão cheia cara cíntia, senti a pungência das palavras e a realidade deste mundo filho da puta q vivemos, tudo acabará e nem nós restaremos
somos apocalípticos tb
ouça aqui o som de nossa banda
http://www.myspace.com/homensdupantano
e veja aqui o vídeo de nossa performance ao vivo
http://www.youtube.com/watch?v=NrSoky1dT4U
homensdopantano · Rio de Janeiro (RJ) · 8/4/200812:03
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Sua opinião:
Cintia, em primeiro lugar, parabéns pelo lançamento do livro. A capa está belíssima! Desejo muita sorte na sua noite de autógrafos!!!
Ai de nós, poetas que vivem da Natureza e por ela choram os dias contados de seu lento homicídio praticado pelos invasores neste planeta. Está surgindo agora um novo tipo de ser, desprovido de emoções e com dificuldades para discernir entre tristeza e alegria. Foi matéria da Superinteressante. Serão eles humanos como nós? Serão eles capazes de trazer na ponta da pena que risca o papel ou das teclas que desenham frases em telas de cristal líquido alguma beleza? Serão capazes de descrever a realidade em tristes e belas palavras como as suas? Serão um dia poetas? E nós? O que será de nós? Seremos caçados nas ruas como as bruxas da Inquisição, por termos algo a mais, uma sensibilidade que foge à compreensão dos estóicos? Ontem foi o Kosovo, hoje o Tibet. E amanhã? Queremos mesmo esta realidade degradante e destrutiva que se avizinha? É chegada a hora de soar as trombetas do Ragnarök. Nos encontraremos no campo de batalha, Cintia...minha nova e querida companheira de milícias audiovisuais...
businari · São Vicente (SP) · 8/4/2008 12:52
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Teu livro realmente promete.
Fragmentos muito bem recebidos.
Por mim, humilde leitor.
Um Beijo grande,
Novamente.
Adroaldo, muito obrigado, poetas existem para gritar verdades , mágoas, sentimentos que muitos já não têm ou viram as costas....Obrigado pelas queridas palavras
Cintia Thome · São Paulo, SP 8/4/2008 18:34
Vicente, agradeço muito as suas leituras e carinho, leio vc com prazer. Bacana , mesmo!
bjus
Cadê o Benny que não veio ainda resgatar essa belíssima homenagem?
Uma trágica e dolorosa verdade em uma belíssima poesia, Cintia.
Bjs
Já avisei, Lígia, vc acredita que ele não esta em terras paranoaras? Esta em... ? Adivinhe? Rs...
Cintia Thome · São Paulo, SP 8/4/2008 20:02
Olá amiga Cintia,
cada vez mais me sensibiliso com os teus escritos. Mas de uma coisa eu tenho certeza, quando tudo isso acontecer, talvez eu não esteja mais aqui deliciando teus maravilhos versos. Meus sinceros aplausos e beijos.
Carlos Magno.
Irretocável, Cintia. Sensível, profundo, belo como todos os poemas que você tem trazido aqui.
Beijo
Mentiras serão expiradas, a verdade derrotará a mim
Tablados de areia não sustentarão a solidão
Sem orquestra, sem mestria
Por isso não haverá mais minha vida, personagem
Talvez não esteja mais aqui
Pois acolá, não vibrará... Já não cativará
Nem será mais
Era uma vez.
por hojedetenho me somente na leitura pq estou um pouco atarefado.
em breve volto pra uma leitura mais criteriosa e, claro, para o voto
bjo
Há recordações que o tempo não pode apagar, um sorriso, um olhar, um perfurme, uma canção, e mais toda essa maravilha poética que brota de seu iluminado coração. Bjs
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 8/4/2008 21:06
Mulher! Que poema lindo!
Benny deve ter amado. Deixa ele responder. rss
bjo!
Éssa nave de ilusão, é a nave na qual a alma fará a sua passagem final nesse ciclo evulutivo. Serão tragédias e comédias. As lendas serão lendas de bares e não de tavernas.A mentira vestira a roupagem final dos sofistas. Será a Grande Saga! Só espíritos de heróis estaram encarnadfos nesse mundo grande e bobo para sorverem essa experiência trancendental! Belesa de canto minha cara poetiza overmina!
raphaelreys · Montes Claros, MG 9/4/2008 06:32
Esse povo sofrido que sofre mas maltrata a sua tão bendita casa... restará o verbo e os poetas para dizê-lo.
Lindo...
Beijo, querida.
E pensar que tudo poderia ter sido evitado.
Belíssimo texto amiga,nem me ocorre um comentário a não ser dizer:
-Parabéns!
Mas não alimentará com sua lágrima a estrela do mar
as vezes alimento com lágrimas poemas....
votado bjos
William Shakespeare
Blow, blow, thou Winter Wind
BLOW, blow, thou winter wind,
Thou art not so unkind
As man's ingratitude;Thy tooth is not so keen,
Because thou art not seen,
Although thy breath be rude.
Heigh ho! sing, heigh ho! unto the green holly:
Most friendship is feigning, most loving mere folly:
Then heigh ho, the holly!
This life is most jolly.
Freeze, freeze, thou bitter sky,
That dost not bite so nigh
As benefits forgot:
Though thou the waters warp,
Thy sting is not so sharp
As friend remember'd not.
Heigh ho! sing, heigh ho! unto the green holly:
Most friendship is feigning, most loving mere folly:
Then heigh ho, the holly!
This life is most jolly.
.
Interessante...não sei por que...mas durante a leitura desse belíssimo poema...ouvi um violino...como se fosse mesmo uma retrospectiva feita nos últimos momentos de vida de tão fortes e verdadeiros que são os seus versos...um canto de despedida que eterniza através das palavras o grito de socorro...quiçá alguém em "algum tempo."...ouça ?....Ao mesmo tempo que não vê saída, o poeta ainda apresenta vestígios de esperança...Quando denunciamos.., sempre esperamos mudança...Ilusão?...só o tempo dirá...e talvez nem estejamos mais por aqui...
Perfeita a forma como finalizou!!
Aplausos!
um beijo azul...
Rai
Super votado e adorado!!bjks
Raiblue · Salvador, BA 9/4/2008 20:45
Cinthia,
Esta criação me lembra um dos meus livros preferidos do primeiro testamento da Biblia. Ainda volto para brindar você e os(as) amigos (as)com algumas passagens dele.
Parabéns!! Gosto muito do Eclesiastes e da sua poesia por que são palavras profundas e sábias sobre a efemeridade da nossa existência. E você escreveu com profundidade e sabedoria também.
Eita!!! Overmundo danado de bom com artistas e literatos como você.
Beijos,
Cintia,
Fã incontesto de teus poemas
me posto aqui, quietinho a lê-los
passeio nos versos, releio trechos
alguns destaco, impossível não fazê-lo:
A humanidade soltou os dragões, o fogo da maldade
As pedrinhas dos rios não chorarão alegria e dor
Sim, o silêncio, o mais nada...
A estrela chorará,
Mas não alimentará com sua lágrima a estrela do mar
O mar já deixou de ser
E os cavalos do rei estão morrendo de sede
O príncipe nunca mais foi visto na aldeia...
Sorte das flores que já fugiram e não viram nada
A boca não urgirá palavra, na garganta há o verbo amar entalado
Lindo, profundo e eterno...
Votos com louvor.
Bjs
beto
amanhã será o grande dia ...e que seja um dia feliz, cheio de carinhos...
Era uma vez, uma escritoa que nos fazia muito feliz e enriquecia nossas almas ...
Beijo querida
Cintia, desejo muitas felicidades no lançamento do seu livro, bela homenagem, meus parabens, beijos
victorvapf · Belo Horizonte, MG 10/4/2008 16:28
Olá Cintia,
Belo, belíssimo poema...
Agora é aguardar.
Beijos, sucesso e votos.
Regina
Querida Cintia Thome,
Belíssimo poema!
Parabéns!
"...Nem será mais
Era uma vez..."
vc com esse espirito parecido com o meu "nunca mais"
solidão nos faz sentir td em dobro, e ja q amo a solidão por isso falo dela como uma velha amiga q me acompanha nessa jornada de autoconhecimento...
obrigada por ler meus textos...
abraços...
Viagem incrível
Doce e envolvente
Deleitei-me com suas palavras
Parabéns!
Votadíssima!
Bjs
JP
Passageira da metáfora e da beleza em versos, divino amiga poeta!Poebeijos.
soninha porto · Porto Alegre, RS 14/4/2008 02:32
... e eu só agora te descobrindo . Q pecado !!!
mas para tdo esperança, poetisa.
a caixa de Pandora passa de maos em maos. Haja o q houver, sobreviveremos.
adoro te ler.
bjssssssss (*.*)
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