PATÃO
O notável artista plástico e músico Hélio de Castro Guedes sempre foi chamado carinhosamente de Patão. Oriundo de uma família de artistas e músicos, cresceu no estúdio do pai, o famoso pintor e compositor, Godofredo Guedes.
Patão é irmão do cantor Beto Guedes e tio do cantor Gabriel e Ian Guedes. É um mestre do bom humor e da irreverência. Fazendo parte do conjunto folclórico Banzé, certa vez estava desde as quatro horas da tarde no Automóvel Clube aguardando a chegada do governador do estado que seria homenageado.
O homem só chegou às 22 horas e Patão se aproximou e aplicou um beliscão na barriga em represália, falando na bucha:
- Isso são horas, seu moço?
Escapou de uma cotovelada a tempo.
Estando o Banzé em noite de gala no Max Min Clube, ocasião em que se recepcionava o idoso casal de diretores presidentes do grupo empresarial e industrial Servienge-Matsulfur, havia uma grande mesa em U, recheada de frutas, que decorava o centro do clube.
Dona Zezé Colares, a notável criadora e líder do conjunto folclórico que já correu mundo várias vezes, estando afônica, solicitou que um componente do grupo fizesse as apresentações do Banzé. Patão, representando a equipe de artistas, tomou a palavra. Pra quê! Disse:
- Senhoras e senhores! Prezadas crianças (já era meia noite, e não havia crianças no interior do clube).
Dirigindo-se ao idoso casal homenageado:
- Meus velhinhos cheirosos...
Prossegue a apresentação:
- O Banzé é isso aí, bicho!
Repete:
- O Banzé é isso aí, bicho! Banzé significa bagunça!
Transcorre um grande, terrível e angustiado silêncio no recinto, quando então conclui:
- Vamos deixar de frescura, apanhar as frutas da mesa e fazer uma vitamina!
Aos 59 anos recebe uma visita que lhe levou um convite para a sua participação em um grupo de terceira idade. Indignado, Patão vocifera:
- Eu sou roqueiro, bicho! Eu sou roqueiro!
São 10 horas da manhã. Vindos de uma noite de farra e completamente embriagados, entram na igreja Matriz e se postam na fila da comunhão. Padre Dudu, indignado com a invasão do magote de notívagos, entre eles Tico Lopes, Roxo, Sula, Tino Gomes.
O padre, indignado, aborda Patão na frente da fila e pergunta:
- Vocês ao menos fizeram uma primeira comunhão em suas vidas?
Patão responde, na bucha:
- Zero a zero, bicho!
Em um domingo, voltando de Barretos, onde fez uma apresentação na festa do Peão Boiadeiro, o grupo Banzé parou em Belo Horizonte. Dona Zezé convida todos para passar a noite em seu apê. Como os componentes tinham obrigações com trabalho ou estudo na segunda-feira, ficou somente Patão, que era autônomo.
Ele, imaginando ficar sem um companheiro na sua estada em Belô, convida o Bego para lhe fazer companhia. Bego pergunta:
- Dê-me uma razão pra eu ficar!
Patão responde em cima do pedido:
- Vamos riscar o sintecão do apê de dona Zezé!
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PS: A citação a seguir é de autoria do escritor montes-clarense Felippe Prates, que presta uma homenagem a Patão:
Grande Patão! Soube que o querido amigo está doente. Resista, saia dessa, caboclo! É o que, de coração, lhe desejamos a você, nossa lenda, eterno e indubitável
PS: Crônica escrita em 15/02/2008
A vida é uma jornada individual, particular, íntima. Para cada qual há um caminho, na multiplicidade de caminhos que se nos apresenta. Ao buscarmos a trilha da realização, encontramos metas orientais, ocidentais, platônicas, filosofias muitas e múltiplas, rotas com muitos nomes e designações; no fim do caminho como sempre, haverá a luz.
Como a vida é feita de tragédias e comédias e em homenagem ao nosso amigo e saudoso Patão, Vou colar aqui a crõnica que fiz do seu velório!
O VELÓRIO DE PATÃO
Nem bem começamos o frio mês de julho/2008 último, e a cidade de Montes Claros consternada chorava a morte do artista plástico e músico Hélio Guedes, o “Patão”. Há meses que se encontrava em convalescença, de insidiosa enfermidade entre seu lar e a Santa Casa. Faleceu aos cinqüenta e nove anos de idade.
A residência de sua família era sede dos Estúdios GG (Godofredo Guedes), além do seu pai, o artista e compositor Godofredo Guedes (pai do cantor Beto Guedes), ali trabalhavam, ele Patão e Zeca seu irmão, pintor e mestre em aeromodelismo. A casa e o estúdio eram passagem obrigatória a todos os visitantes que afluíam à nossa cidade em busca de um bom quadro pintado sobre tela.
Os amigos e conhecidos não pouparam esforços, visitando-o continuamente, levando-lhe solidariedade, apoio moral, psicológico e religioso ao artista, também oriundo de uma família cristã de músicos, luthiers, pintores, cantores e compositores. Lá se reuniam artistas em geral, marchands e aficionados de aeromodelismo.
Com a notícia do falecimento de Patão, os companheiros e conhecidos do artista e da família dirigiram-se a sua sentinela, conforme costume geral da nossa urbe supostamente acontecido na área de velórios da Santa Casa local. Localizada na rua Irmã Beata, centro, onde, também, se velava uma senhora da sociedade, falecida no mesmo dia.
Como os que lá se encontravam eram, na sua maioria os mesmos que por força do conhecimento participariam (o de Patão e da senhora da sociedade) foram chegando, com a característica entrada na sala do velório lançando a olhadinha medrosa e, em seguida, agasalhando-se pelos bancos dos corredores, no jardim do pátio e no caramanchão.
À bem da verdade, a família Guedes havia transferido o velório de Patão para o salão nobre do Centro Cultural Hermes de Paula, na Praça da Matriz, (se esquecendo de anunciar o fato pela mídia) onde o artista houvera feito várias exposições de suas telas.
Marise Nunes e o seu marido, o cantor Heitor Nunes estava presentes entre os que participavam do duplo velório. Após a manjada entrada no salão do velório, tomaram acomodações no caramanchão, onde se encontravam muitos artistas e músicos conhecidos.
Heitor iniciou a conversação com os presentes dizendo coloquialmente que o corpo de Patão estava com a aparência muito alterada (ao seu enganoso ver). Outros presentes concordaram e alguns chegaram a atribuir a (a suposta) expressiva alteração, ao tempo de convalescença do de cujus pouco antes do falecimento.
Marise abriu comentário adicional em que dava conta do batom muito vermelho passado na boca do falecido (confundiram a senhora velada com Patão). Logo se formou um grupo que defendia a validade do artista estar usando batom vermelho-carmesim.
Um artista presente comentou ser até normal, pois se tratava do enterro de um artista excêntrico e que deveria ter feito tal pedido em vida. Logo chegaram mais conhecidos vindos da sala do velório (trocado) e falavam textualmente: Virgem Santa! Como é que Patão ficou feio depois de morto.
Outro que participava da rodinha falou: feio e com batom vermelho na boca! Estupefato, ante aquela possibilidade vir a lhe ocorrer Heitor fez a sua esposa Marise Nunes jurar que não passaria batom nele quando chegasse a sua hora de ir para o andar de cima.
No debate, foi condenado por alguns o uso do batom, do ruge, pós de arroz e máscara facial. Segundo esses observadores essa prática não era apropriada para defuntos masculinos. O debate tomou corpo ficando o grupo dividido em duas facções.
Logo a roda foi aumentando e outros mais contavam sobre as excentricidades de Patão quando vivo, das suas posições reacionárias, como um sempre contestador de sistemas, de governos. Um observador que estava no velório certo (da senhora da sociedade) descobriu o mico que estava sendo cometido e informou à galera que o velório de Patão estava transcorrendo no Centro Cultural.
Ai caiu à ficha e a turma, acabrunhada, foi para casa e muitos não marcaram presença, como deviam, ao velório certo!
OBRIGADO POR ME APRESENTAR O PATÃO,SOU FÃ DO BETO GUEDES A MUITO...QUE PRIVILÉGIO CARA...MEU, E SEU MAIS AINDA,,,VALEU...
CHARLES SCHUAB · Linhares, ES 22/1/2011 22:16Charles Schuab! Além do Beto, tem seus filhos, também cantores, Gabriel e Ian!
raphaelreys · Montes Claros, MG 23/1/2011 01:20Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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