O morto não morre de medo de morrer,
Nem quem dorme pode sentir medo da morte;
A vida e a morte embelezam o entardecer
Quando o sol morre e a lua nasce forte.
Pra que temer, se a morte é destino certo!?
Às vezes um bem ou um susto passageiro;
Se a luta é cansativa, ela está por perto,
Porque a morte é o descanso do guerreiro.
Há quem morre e ainda vive eternamente,
Ainda há quem vive morto toda a vida;
Depende de um bem-viver inteligente,
Ou de uma estúpida vida mal vivida...
Para provar que a morte é boa companheira,
Que não faz mal a quem com ela vai com sorte,
O dia e a noite nos ensinam, a vida inteira,
Que o sono é ensaio diário para a morte.
Ironicamente, perder sono é perder vida...
Quem mal dorme luta mal e morre cedo;
Viver contente torna a morte mais dormida,
Para que o sono eterno acorde o seu segredo.
Frazão, apesar do tema terrível, você construiu um poema vivo com as contradições mais bem construídas que já vi e um ritmo invejável.
Adorei.
beijos
Ilustre poeta Saramar, esse tema não é nem um pouco agradável. Tanto é verdade que não me encorajei a convidar os overmanos (exceto o Noélio, que me deu o mote). Vou deixar esse poema ao acaso, a mercê de sua própria cova...
Mas confesso, com toda sinceridade: ainda ouço (com grande gozo poético) o rasgar da tarde de sua Vertigem (II). Há muito não encontrava tanta poesia em tão poucos versos.
bjs
Salve Amigo Frazão Brother .
Versos lindíssimos pela construção Graciosa.
Parabéns pelo Bom Trabalho.
Receba um abração.
Caro Frazão,
realmente você é de morte!
Um exímio escritor que trafega com incrível talento e maestria pelos vários estilos literários (em prosa e verso) e pelos mais variados temas.
Esses seus cinco quartetos imortais exploram de forma inteligente este tema assustador, o qual é encarado assim, na ótica de Benjamin Franklin: "O homem fraco teme a morte, o desgraçado a chama; o valente a procura. Só o sensato a espera."
abrs,
Genial, Frazão!
Sangue paraoara correndo no pensamento - e nas mãos!
A morte não (r)existe!
Belo.
FRAZAO,
às vezes tento me enganar que o sono é um ensaio para a morte, mas ainda assim, tenho medo da danada!
Sempre filosóficos os teus versos...
Abçs de Betha.
Frazão, muito obrigada por essa gentileza.
Voltei para votar.
beijos
Frazão.
Mandei a carta. Enterrastes a morte com a mais bela das poesias.
Linda construção poética, porque quem teme a morte, teme também o amanhã.
Do amigo
Noélio
Não temo a morte, pois ela não existe do lado de lá...Frazão poetou com inteligência esse tema tão certo em todos nós que estamos aqui, deste lado...votobj
Cintia Thome · São Paulo, SP 28/10/2007 22:18
Frazão,
Acabei de ler um clássico! De todos os poemas sobre a morte, creio ser este o mais verdadeiro. Escrito com os olhos da razão e não da emoção.
Votado, abraços
Nydia
Frazão, você é o pai de todos aqui... sem dúvida, poço de sabedoria.
Gostaria muito de poder sentir e não apenas pensar desse jeito (a respeito da morte...)
Há quem morre e ainda vive eternamente,
Ainda há quem vive morto toda a vida;
Depende de um bem-viver inteligente,
Ou de uma estúpida vida mal vivida... , completamente de acordo.
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