Quer mesmo saber quem sou?
Pois bem, eu vou lhe falar:
Sou um cidadão comum
Vivo para trabalhar
Não tenho tempo para ler
Para escrever, para amar.
Faço da rima meu grito
Minha forma de expressão
Deixo sair pelos dedos
O que vem do coração
Mesmo que isso machuque
Ou provoque comoção.
Nasci no meu do campo
Vivi junto à natureza
Driblei as dificuldades
Travei luta com a pobreza
Descobri que ser feliz
É minha maior riqueza.
Juro, um dia eu quis ser eu,
Mas não me deram valor
Sou mão de obra barata
Sou um pobre sonhador
Sou um jovem envelhecido
Que a vida emburrou.
Mas para a sua surpresa
Eu não sei tocar viola,
Não vou à Praça da Sé
Não tenho tempo, nem hora.
A construtora é meu Campus
A TV minha escola.
Já sei até fazer prédio
Em estilo rococó
Que deve ser inspirado
No galinho carijó
Ou é coisa importada
Do sertão do Siridó.
O chão é a minha cama
Latas vazias, as panelas
Minha rua é só um beco
Pois mora lá na favela
E só conheço fartura
Porque assisto a novelas.
Por falta de opção
Minha terra eu deixei
E nas terras paulistanas
Um novo berço encontrei
Ao qual sou muito grato
E sempre agradecerei.
De coração dividido
Vou levando meu destino
Já não tenho identidade
Vivo como um clandestino
No Nordeste sou paulista
E em São Paulo, nordestino.
Peão poesia e um retrato do homem nordestino ou homem no destino da vida que deixa seu berço, sua terra natal em busca de dias melhores e vida digna. Tomara um dia isso acabe e o homem brasileiro de qualquer rincão deste país mundo, possa nascer, crescer e viver onde nasce.AMEM!
Nildo,
uma hístória de vida dividida...
é muito triste quando não temos opções.
bjs
Grande retorno meu amigo poeta.
Parabéns!
Não suma não!
Parabéns, Nildo. Uma bela imagem do êxodo que ajudou a transformar a história desse país.
Jairo de Salinas · Salinas da Margarida, BA 8/9/2009 22:40
Nildo Cordel · São Paulo (SP)
PEÃO POESIA
Muito belo, a Poesia é a Vida e esta em tudo que faz a vida valer a pena.
...Faço da rima meu grito
Minha forma de expressão
Deixo sair pelos dedos
O que vem do coração
Mesmo que isso machuque
Ou provoque comoção...
Parabéns.
Abração Amigo.
Obrigado amigos!
Darani sempre presente...
Wagner meu irmão de luta,
Jairo, sua opinião e´muito importante,
Azuir que bom que Deus nos deu a palavra como material e a mente para trabalhá-la.
Um grande abraço!
Estimado amigo, o seu trabalho é uma lição de vida, parabéns e continue a nos presentear com o seu talento!
Roberto Pelegrino · Campo Grande, MS 10/9/2009 20:49P(e)ão e poesia. Uma verdade proclamada em forma de poesia. Pena que ande solto o preconceito contra nós os nordestinos. Gostei do seu poema.
graça grauna · Recife, PE 10/9/2009 23:01
Poeta!!!
seja bem vindo de volta ao lar.
Nos somos unicos né. É um lindo texto e mt bem construido.
Beijussssssssss
Que bonito poder ver a vida pela poesia... Bom que está de volta para compartilhar os belos versos da vida.
abraço, obrigada.
Belo e triste retrato do nordestino. Agora visto com sem-pátria, sem identidade. Quem é o nordestino? O peão - que, como o pião, gira, gira, até cair derrotado? Na sua terra, é estrangeiro - por mais que seja igualzinho a todos os outros daquele lugar. Mas alguém é igual a alguém? Esse alguém pensa ser alguém. É ninguém.
Aquele abraço.
Trágico mas real e de uma grandeza única.
Abraços. jbconrado
"No Nordeste sou paulista
E em São Paulo, nordestino."
mto bom. É a saga de mtos nordestinos. eita gente forte!
bjssssssss;
Sou um cidadão comum,
vivo pra trabalhar.
Quem vive pra trabalhar nunca será mais que comum.
Também, pra quê, né?
belíssimo cordel, belo retrato.
abraço
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