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PEÃO POESIA

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Nildo Cordel · São Paulo, SP
8/9/2009 · 14 · 13
 

Quer mesmo saber quem sou?
Pois bem, eu vou lhe falar:
Sou um cidadão comum
Vivo para trabalhar
Não tenho tempo para ler
Para escrever, para amar.

Faço da rima meu grito
Minha forma de expressão
Deixo sair pelos dedos
O que vem do coração
Mesmo que isso machuque
Ou provoque comoção.

Nasci no meu do campo
Vivi junto à natureza
Driblei as dificuldades
Travei luta com a pobreza
Descobri que ser feliz
É minha maior riqueza.

Juro, um dia eu quis ser eu,
Mas não me deram valor
Sou mão de obra barata
Sou um pobre sonhador
Sou um jovem envelhecido
Que a vida emburrou.

Mas para a sua surpresa
Eu não sei tocar viola,
Não vou à Praça da Sé
Não tenho tempo, nem hora.
A construtora é meu Campus
A TV minha escola.

Já sei até fazer prédio
Em estilo rococó
Que deve ser inspirado
No galinho carijó
Ou é coisa importada
Do sertão do Siridó.

O chão é a minha cama
Latas vazias, as panelas
Minha rua é só um beco
Pois mora lá na favela
E só conheço fartura
Porque assisto a novelas.

Por falta de opção
Minha terra eu deixei
E nas terras paulistanas
Um novo berço encontrei
Ao qual sou muito grato
E sempre agradecerei.

De coração dividido
Vou levando meu destino
Já não tenho identidade
Vivo como um clandestino
No Nordeste sou paulista
E em São Paulo, nordestino.

Sobre a obra

Peão poesia e um retrato do homem nordestino ou homem no destino da vida que deixa seu berço, sua terra natal em busca de dias melhores e vida digna. Tomara um dia isso acabe e o homem brasileiro de qualquer rincão deste país mundo, possa nascer, crescer e viver onde nasce.AMEM!

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Doroni Hilgenberg
 

Nildo,

uma hístória de vida dividida...
é muito triste quando não temos opções.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 7/9/2009 17:01
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WGarrido
 

Grande retorno meu amigo poeta.
Parabéns!
Não suma não!

WGarrido · São Paulo, SP 7/9/2009 20:56
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Jairo de Salinas
 

Parabéns, Nildo. Uma bela imagem do êxodo que ajudou a transformar a história desse país.

Jairo de Salinas · Salinas da Margarida, BA 8/9/2009 22:40
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azuirfilho
 

Nildo Cordel · São Paulo (SP)

PEÃO POESIA

Muito belo, a Poesia é a Vida e esta em tudo que faz a vida valer a pena.

...Faço da rima meu grito
Minha forma de expressão
Deixo sair pelos dedos
O que vem do coração
Mesmo que isso machuque
Ou provoque comoção...

Parabéns.
Abração Amigo.

azuirfilho · Campinas, SP 9/9/2009 11:16
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Nildo Cordel
 

Obrigado amigos!
Darani sempre presente...
Wagner meu irmão de luta,
Jairo, sua opinião e´muito importante,
Azuir que bom que Deus nos deu a palavra como material e a mente para trabalhá-la.
Um grande abraço!

Nildo Cordel · São Paulo, SP 9/9/2009 20:26
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Roberto Pelegrino
 

Estimado amigo, o seu trabalho é uma lição de vida, parabéns e continue a nos presentear com o seu talento!

Roberto Pelegrino · Campo Grande, MS 10/9/2009 20:49
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graça grauna
 

P(e)ão e poesia. Uma verdade proclamada em forma de poesia. Pena que ande solto o preconceito contra nós os nordestinos. Gostei do seu poema.

graça grauna · Recife, PE 10/9/2009 23:01
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Ilia Noronha
 

Poeta!!!
seja bem vindo de volta ao lar.
Nos somos unicos né. É um lindo texto e mt bem construido.
Beijussssssssss

Ilia Noronha · Manaus, AM 10/9/2009 23:07
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Rose Rocha
 

Que bonito poder ver a vida pela poesia... Bom que está de volta para compartilhar os belos versos da vida.

abraço, obrigada.

Rose Rocha · Jundiaí, SP 10/9/2009 23:17
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José Carlos Brandão
 

Belo e triste retrato do nordestino. Agora visto com sem-pátria, sem identidade. Quem é o nordestino? O peão - que, como o pião, gira, gira, até cair derrotado? Na sua terra, é estrangeiro - por mais que seja igualzinho a todos os outros daquele lugar. Mas alguém é igual a alguém? Esse alguém pensa ser alguém. É ninguém.
Aquele abraço.

José Carlos Brandão · Bauru, SP 11/9/2009 01:33
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ayruman
 

Trágico mas real e de uma grandeza única.
Abraços. jbconrado

ayruman · Cuiabá, MT 11/9/2009 10:09
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Cláudia Campello
 

"No Nordeste sou paulista
E em São Paulo, nordestino."

mto bom. É a saga de mtos nordestinos. eita gente forte!

bjssssssss;

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 12/9/2009 18:09
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Vasqs
 

Sou um cidadão comum,
vivo pra trabalhar.
Quem vive pra trabalhar nunca será mais que comum.
Também, pra quê, né?
belíssimo cordel, belo retrato.
abraço

Vasqs · São Paulo, SP 16/4/2010 17:32
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