PEDRA ANGULAR

1
Benny Franklin · Belém, PA
17/12/2007 · 132 · 5
 

Foto: NãoSouEuéaOutra By Pérola

I

Vinde a mim
O Martelo de aço
(Ato carnal subtraído das terras do Grão Pará!),
Vulto forte que tal o entrevazio copula resistência
E toda a mofada indecência,
Que acena brochagem.
Oh! Lâmina de vento,
Se não coardes o fel do úbere cansaço,
É certo que a lonjura se instalará
E a essência que te envolve
Golpefixar-se-á quais pontas de punhais,
A serviço do invisível mormaço,
Insosso, canalha,
Que teima em saber-se iletrado,
Apócrifo, único:
- Cão sangüíneo coagulando-se
Sob a morbidez do orvalho!
..................

II

Rumos virão - arqueados de ausência
- E a enxurrada há de locupletar-se de mágoa e nódoa,
Como ódio que se esfacela de quatro.
Como fortuita equação entreverando o vazio,
Que impõe à raiz o seduzir dos poemas,
Conquanto há de melar-se a sangue metamorfoseado
Não fôsse o sexo dos espíritos gramaticais,
Que a cada canto indizível remove gozares:
Infinita proeza da agonia,
Que urgindo e expirando saúda a eloqüência poética,
Posto glorificar-se babando palavras mentoladas,
Como tantas enervadas lavras e pás
- Por ai, ejaculando óbitos,
E jorros afins.
..................

III

A par do vácuo meta-iluminado,
Toda palavra vira-se de bunda, expeli jatos de eternidade;
Defeca versos aos braços do torniquete;
Mama seios que nem órbita animando areia movediça,
Sobraçadas pelos estilhaços amofinados do alfinete;
De modo que congemina-se ante o chão de pregos
Traiçoeiros e íngremes,
Porque gala o que mais lhe couber:
- Fonte de (ex) piração,
Luz em vibração!

V

Ai! Todo papel
Verga o esquerdo braço do poema
Como sangue letal penetrado e destro,
(Pós-injeção letal à procura do fim),
Pois que a revelia do tempo
Os minutos traspassam véus e espadas acurvadas;
Marcham-se dóceis e lustrados
Seguindo as pegadas do infinito.

VI

Acolá. Brotos cobrir-se-ão de sal e sonho,
E são como eméritas palavras belemitas assexuando
(Com suas insônias e vícios),
Mangas pêcas que emasculam falsos dicionários
- Negrume assaz que imola o verbo -
Conquanto idonêas fossilizam-se ao rebolar
A pedra angular estereotipada -,
Que, mesmo tropega de frio,
Côa um rio de ferrugens,
E nem por isso acha-se poeta:
- Interstício resignado da glande,
Qual perpetuação sexual
Das manhãs.

Benny Franklin

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Autoria
Benny Franklin
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alcanu
 

parabéns , benny , bastante forte seu texto. Votado, alcanu !

alcanu · São Paulo, SP 16/12/2007 12:24
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Sérgio Franck
 

Benny, poeta é poeta, cara.

Seu vocabulário transborda.

abço.

Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 17/12/2007 10:01
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Lili_Beth*
 

Querido Benny;

Haja explosão! Que seja eteno... Haja poeta!

Beijos_Meus*
*

Lili_Beth* · Rio de Janeiro, RJ 17/12/2007 11:48
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Juliaura
 

Trôpega, ao fim e ao cabo desse martelo,
cambaleio idônea, mas zonza, despenteio.

Beijin, Benny!

Juliaura · Porto Alegre, RS 17/12/2007 13:51
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crispinga
 

Eita menino danado...
Beijão
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 17/12/2007 13:56
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