minha consciência pesa viva na balança
carne fresca de primeira razão
minha consciência é pedra no teto de vidro
de quem esconde ouro feito ladrão
pesa quanto vale, cale-se quem não se sabe
sacro cálice de seu coração
couraça, caroço, grotão, gruta escura
grão de bico quieto, feto de furacão
minha consciência perde a paciência
com tanta ciência douta no que é banal
d’outra forma, o que não se aprende sente-se,
que isso depende de um mistério ancestral
conscientemente, mente-se quando se prende
a consciência entre o bem e o mal
peso da prosódia fatal, fado diferente
em que pese a pedra filosofal.
*poema escrito para música de Felipe Cordeiro & Renato Torres.
Maravilha, Renato!!!!
Muito bom mesmo!
abraços,
O que não se aprende, sente-se ... Mistério ancestral...
Belissimo, Renato!!!
Abraços.
O texto é belo, Renato!
E a música com certeza o maravilhará.
Bj
Renato,
ler este poema - que tempera uma canção - é beber
o âmago da vida.
Boa.
Abçs.
Que beleza Renato, muita profundidade, sinto como busca do seu sentindo, da sua essência! Bacana!
soninha porto · Porto Alegre, RS 3/3/2008 21:03
REnato,
Ainda bem que tem muito tempo. Até lá vou reler mais algumas vezes. Mas, há alguma coisa proximo da pedra filosofal
do Reino do Congo.
um abraço, andre.
Bela forma de ver a pedra filosofal. O único saber e domínio de poder do Homem. Assim, dizendo podemos guardar nossos conhecimento na tal pedra filosofal e descobrir o elixir da longa vida.
Um bom texto! Abraços e beijos
Malu Freitas
Renato Torres · Belém (PA) ·
Muito bonito, muito explicado e muito poético.
...minha consciência é pedra no teto de vidro
de quem esconde ouro feito ladrão
pesa quanto vale, cale-se quem não se sabe
sacro cálice de seu coração....
Trabalho bem feito cheio de graciosidade e ousadia.
......conscientemente, mente-se quando se prende
a consciência entre o bem e o mal...
Tudo na medida certa.
Grande Merecimento.
Parabéns .
Abraco Amigo
Querido Renato:
PARABÉNS!
Silêncio...
Está tudo ali...
Pedra filosofal!
Beijos_Meus*
*
Pedra filosofal, ou pedra de toque meu caro Renato! As ciencias doutas do mundo são banais. A verdadeira ciencia vem da memória trancedental que trazemos da nossa origem. Somos filhos das estrelas meu caro Overmano! Beleza de poesia.
raphaelreys · Montes Claros, MG 4/3/2008 06:48
Oi Renato, bela poesia, como a 'pedra filosofal'.
Abraços
Adorei isso: "minha consciência é pedra no teto de vidro
de quem esconde ouro feito ladrão"!
marcos,
que bom que vieste: sempre atento ao meu aceno! obrigado...
abraços,
r
victor,
agradeço-te o comentário, e a leitura. valeu!
abraços!
Exímia esgrima das letras.
Andávamos aqui com saudades da tua verve, nosso poeta.
nydia,
"afinal, a melhor maneira de viajar é sentir", já disse o álvaro de campos... se tomarmos a viagem aqui citada como a própria vida - jornada de conhecimento, temos aí um belo mote/metáfora, não? sempre prazeroso te receber em meus textos!
beijos,
r
olá marco,
que bom que apreciaste esta "pedra filosofal"!... espero que gostes de outros textos que já postei aqui no overmundo.
abraços,
r
lígia,
...a maravilha já me atingiu, minha amiga! pois foi através da melodia astuta do felipe que brotaram em minha cabeça tais palavras... estamos num profícuo período de produção! qualquer dia (quem sabe no sarau?) te mostro a canção!
beijo,
r
Renato,
muito bom seu poema.
Volto para os votos.
Um abraçao mineiro.
Vives o balanço da hora fresca de mim
atentada por cálices, um teu coração
tudo reluz e doura. Sinto, no entanto
como amor de ontem a encarcerar-me
Meio ao caminho há a pedra ancestral.
mano benny,
adorei a imagem do poema que tempera a canção!... coisa bennyana, mesmo. o âmago da vida, vamos conhecendo-o à medida em que escrevemos, não? assim me parece esse ofício de poeta: cavoucar âmagos.
grato pela tua sempre presença!
abraços,
r
soninha,
sim, o que sentes é legítimo, e justo. busco-me, e deveras escrevo para mim mesmo, para encontrar o centro. de quê?... não sei ao certo. mas sigo buscando.
beijos,
r
ps: vais ao sarau? ou estás no sul?
HUUMMM... filosofar, seja a que título fôr, não é tão difícil.
Agora, colocar MELODIA num texto assim é que são elas!
Belo trabalho, poeta-mor das ruas e vielas de Belém... agora, nos mostre a música dessa ode à consciência, objeto/produto tão raro nos dias que vivemos. Continuo teu fã e a "escrita de máquina" ficou lindo ese coaduna com o texto maravilhosamente.
andré,
me conta dessa pedra filosofal do congo, menino! me deixaste curioso... na verdade, a pedra filosofal no texto não passa, é claro, de uma alegoria, uma imagem que surgiu à guisa do mote central - a consciência. mas toda a sua mitologia arquetípica é riquíssima, e dialoga profundamente com as intenções deste poema.
abraços!
r
malu,
curioso que, como disse na resposta ao andré, tenha me surgido essa imagem da pedra filosofal nesse poema. minha idéia-motriz foi, de fato, falar da consciência, mais especificamente, brincar com o termo corriqueiro "consciência pesada", subvertendo-o, pra falar sobre o peso da consciência, ou seja, a consciência que tem densidade, que tem valor - que vale o quanto pesa. lendo a tua impressão, o teu comentário, já começo a pensar que a tal pedra filosofal seria, na verdade (e em especial para nós, que escrevemos) o próprio poema. aí, tenho que te mostrar um dia uns poemas que escrevi na minha adolescência que chamei de poemas-pedra. mas deixemos isso pra outro post!
obrigado por vir e comentar!
beijo,
r
Caro Renato
Um clamor sobre o bem o mal e avaliar o homem a chegar mais perto do Criador e ter sua vida salva, o que creio que em teu poema relatas e questiona o peso da pedra ou de si.O que seria comédia ou tragédia, acerto ou pecado(?)
Poema das entranhas de quem poeta louvando a vida, a própria existência, uma interrogação, um sofrimento, um poema ...
Devaneios meus, mas um pouco da verdade. Bravo! Bravo, Renato.
RENATO MEU IRMÃO!
Letra 10!
Tem sonoridade!
Percebo isso mesmo sem ouvir a música!
parabéns!
Lailton Araújo
Renato Torres · Belém (PA)
Passei para checar enáo estava com o voto e o merecimento que tem.
Desculpas por votar agora,
Um Trabalho de Renato Torres tem de ser votado sempre.
Parabéns Renato.
Sempre que Puder me avise.
azuir,
que bonito isso que disseste: grande merecimento. sabes, acredito mesmo que os alcances estéticos em qualquer linguagem se dão mesmo por merecimento (e isso deve soar tão óbvio... mas nem tanto). o que seja uma doação sincera a esta busca expressiva, e que se dê a guisa de um trabalho dirigido, consciente, sincero. fico profundamente lisonjeado que reconheças isso no que escrevi, obrigado!
abraços,
r
lili, querida,
sim, que haja silêncio... e tudo o mais está. obrigado por vir e comentar.
beijos,
r
raphael,
sinto um prazer especial em receber novos olhos ao que escrevo... obrigado por aceitar meu convite! é exatamente nisso que creio: ouvir estrelas. deixemos que digam ora direis... estamos conectados, mano!
abraços,
r
branca,
fico feliz que tenhas gostado. apareça sempre!
beijo,
r
tati,
gosto de pensar, desde minha adolescência, que o que penso pode romper, quebrar, modificar, transformar coisas. ao brincar aqui com a imagem do peso da consciência, condensando essa imagem na metáfora da pedra, me pareceu também empolgante a idéia de um teto de vidro quebrado por esta mesma pedra. adoro a força sígnica de provérbios... que bom que também gostaste.
beijo,
r
caríssimo adroaldo,
sempre me honra a tua presença no que vou postando... talvez seja mesmo essa imagem de mestre que emana de ti, ou simplesmente a precisão de tuas palavras no que comentas. a pedra e a espada cá se irmanam, elididas no sol do poema.
abraços,
r
ana,
que bom que gostaste, e vieste! obrigado!
beijos,
r
Roberto,
Voltei muito mais para arquivar que mesmo para quebrar o lacre do secreto. Mas, votar no teu trabalho é muito mais prazer pessoal do votante,
um abraço, andre.
juli, aura brilhante,
que fascinante é ter versos ungidos no reflexo que provocam. cara é a tua generosidade, abertas portas, comportas a pungente natureza das femininas fontes primeiras, primevas altaneiras. mas veja: o amor de ontem é o amor de hoje, e o que aparentemente encarcera subtilmente age a libertar. drummondianamente, ouço/vejo a pedra, a fera, que jaz, imóvel, de olhos brilhantes.
beijos,
r
mano nato,
...e, veja só... na verdade, este texto foi colocado numa melodia! e isso, a concordar contigo, não é nada fácil. via outro dia o chico falar sobre isso num daqueles dvds, sobre como, para se letrar uma melodia, precisa-se entender a prosódia melódica, encaixá-la com a prosódia literária, e no fim tudo isso precisa fazer algum sentido! passei a maior parte da minha vida musicando poemas, assim sendo, esse modus operandi clássico dos compositores brasileiros me é absolutamente fascinante, e um desafio. pedra filosofal é, por todos esses argumentos, um triunfo especial e saboroso para mim.
abração!
r
cíntia,
pedra filosofal é um texto bem mais dialético do que, talvez, se queira crer à primeira vista. digo isto porque o que me levou a escrevê-lo foi uma idéia, um tema específico (a consciência), e a delícia de combater, através do ardil poético, um lugar-comum (a consciência pesada), relendo-o, reconstruindo sua lógica. desta forma, a pedra que na primeira estrofe é um signo violento, de ruptura e rebeldia, torna-se, ao fim, um signo de transcendência espiritual. creio que ambas as pedras estão presentes em nós, e temos conversas freqüentes com elas... não adianta tentar mentir demonizando uma e angelicizando outra. gosto de pensar que a idéia central desse texto é de que a consciência, para ter valor (ético, moral, espiritual), deverá ganhar uma densidade, um peso: pesa quanto vale.
beijos, e saudades de ti,
r
mano laílton,
muito bacana a tua observação! costumeiramente recebo comentários sobre a musicalidade dos meus textos - que se deve, claramente, ao meu ofício de músico e compositor. música e poesia são irmãs de berço, como sabemos, e fico feliz em saber que sensibilidades como a tua têm esse ponto de convergência.
abraços,
r
lili e azuir,
ter os votos de vocês me é honroso, sempre... obrigado!
abraços,
r
marcos,
sim, é fato. creio mesmo na transformação de tudo, e não poderia ser diferente: sou um poeta.
abraços,
r
andré,
fico feliz que voltes, e que guardes o meu trabalho com tanto carinho... agora, de uma vez por todas: me chamo RENATO, menino! ;)
abraços!
r(srsrsrs...)
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