Peixe já fui
Levado de roldão nas enxurradas
Pelos quintais das aldeias
Por quintais de fazendas inundadas
Pelas trancas enferrujadas das porteiras
Peixe já fui
Enveredei por corixos passageiros
Fiz a frente feito boi-madrinha
Abri caminhos no chaco pantaneiro
Baía negra, tabôco e pirainha
Peixe já fui
Braço de rio inundado me fiz cheia
Invadi o paraguai – fiz trampolim
Peixe pequeno virando sereia
Jiripoca de mês metido a surubim
Peixe já fui
Fui na língua – porã ité, chamigo
Banhado nas águas do Rio Paraguai
Irmão e pai de verdes sítios
Feito chalana que ao longe se vai
Peixe já fui
Fiz a viagem, lugares tão frágeis
Braço de rio, enchente e arrombado
A paisagem mudando e pedindo passagem
Um grito pedindo cuidados...
porã ité, chamigo = mais ou menos, amigo.
Sobre o homem que vira peixe nas águas do Mar de Xaraiés.
Sobre a Baia Negra - o lugar mais lindo que já ví.
Sobre a Pirainha - um córrego e uma parada na Rodovia MS-419, no meio do nada.
Sobre a Fazenda Taboco que teve sua fundação entre 1818 e 1820.
Sobre o local por onde passou a força expedicionária brasileira quando da Guerra do Paraguay em 1864.
Sobre as condições dos soldados e oficiais sob o aguaceiro daqueles dias.
Abaixo textos recolhidos da Revista da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras - n. 5 - Setembro de 2004 de autoria de Acyr Vaz Guimarães, nascido em Ponta Porã (MS) em 1919. Engenheiro-agrônomo. Ocupa a cadeira n. 16 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.
"A força expedicionária não prescindiu da ajuda do sertanejo. Desnecessário será lembrar José Francisco Lopes, o valente guia, de todos conhecido, desbravador dos sertões do Apa. Cumpre, por dever de justiça, cultuar a memória de outros, como Antônio Maria Tonhá e Perdigão.
Passando para a leitura.
Um grande abraço meu amigo.
Salve, Clara!
Obrigado por sua presença e leitura.
Abraço Pantaneiro.
abrido a votação.Um bom feriado e um carinhoso abraço.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 30/4/2008 16:59
Grande Rangel!
Sempre nos presenteando os mais belos poemas acompanhados da história de nosso povo.
Assim é este pantaneiro “bão" de prosa
Forte abraço.
Grande Rangel
Vim, Vi, Gostei e Votei. Você já fez uma música para esta grande letra? Deve dar uma chamamé sarado ou até mesmo um guarânia. Se sim mande-me um mp3, se não por que não fazê-la? Talvez alguma coisa na linha do Paulo Simões ou do Geraldo Espíndola. Fiaca a sugestão/comentário. Over-Abraços do Mário Almeida
infelizmente nao deu pra completar seus votos,Ailuj me chamou mas faltou um só,,pena mesmo
Homenino Poeta · Porto Alegre, RS 2/5/2008 16:44Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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