PELA JANELA
Fátima Venutti
Hoje,
Silencio as sementes corcundas
Aradas na solidão deste meu tempo
Pela janela,
Regresso ao sentir passar a vida
No vôo equivocado de uma borboleta azul.
Miro os caminhos transpassados
Na vida de outras vidas
Solitárias, apressadas
E a escorrer, vidro afora
O sangue da derrota
Contrapartida.
Fecho os olhos
E ainda miro meu exílio,
Rebuscado e afoito
A saltar do 14º andar.
Janela dentro,
Vida afora.
Minha solidão esbarra,
incontida,
No chafariz da morte
E a bailar os saltos desta sina,
Janela adentro
Meu exílio suplica.
Num arroto,
Amordaço o vidro da discórdia
E centro o eixo
Da minha poesia
Num grito arrebatado:
Deixem o vento
Invadir minha morada!
Pela rua,
Vidas suadas passam,
Uma borboleta azul pousa, sangrando,
Na corda pendurada do suicida.
Dia seguinte,
O jornal anuncia
mais duas mortes na BR 101.
O que se lê diariamente nos jornais, se vê na tv e ouve-se no rádio, passa constantemente pela nossa janela, há que abrirmos muito mais que os olhos pra enxergar...
Janela adentro vi o exílio, a solidão pessoal que interage, janela afora, com o relfexo de nosso tempo em que sangram borboletas azuis ao alvance da mão. O mal tá na cara! Muito bom.
Compulsão Diária · São Paulo, SP 28/10/2008 18:51
abramos a janela dos sentidos...
belo poema
beijo,
Da janela de meu ser, vejo o Mundo lá fora. Como dói, apesar de tanta beleza no Ar!
Um grande Abraço. jbconrado.
A vida nos cerca e a morte a espreita. Tétrico!
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 29/10/2008 18:03
Fátima, tenho um poema similar, "o primeiro vôo",
Seus versos são muito belos e crus...
Com ricas metáforas aborda o tema que pode ser interpretado de maneira literal ou ainda se pode fazer "viagens" de reflexão.
Muito bom trabalho,
parabéns
beijos
Nao podemos fechar essa janela.. é a vida..e a morte que vemos passar. votando
Omar Costa de Umbro · São Paulo, SP 30/10/2008 10:57
Dizem que a vida passa pela janela. Não: entra pela janela. Não há como fugir da realidade. Vamos viver a vida integralmente, com seus altos e baixos.
bjs
Apesar do tema tão nefasto, o poema é belissimo.
Hideraldo Montenegro · Recife, PE 30/10/2008 11:22
A grande massa move-se rápida e de maneira quase sincrônica. Plêiades de almas usando corpos físicos para expressar a vontade do Divino. Almas em resgate cármico, encarnadas em missão redentora e vivendo em um novo milênio. Um novo ciclo iniciático!
Forma um só corpo, uma egrégora, uma alma-grupo, coletiva, mas dotada de personalidade própria. São filhos do poder maior a executarem a mecânica da evolução.
Todos eles são centelhas que se desfragmentaram do seio do Eterno, com suas individualidades construídas ao longo do processo da manifestação divina e habitando corpos físicos, através das almas que lhe são peculiares e que, depois da incomensurável jornada pelo Universo-palco, retornam à fonte donde foram emanados.
Uma longa rota de dores, alegrias, incertezas e surpresas! Um eterno ir e vir. Uma sístole e uma diástole do Criador. Um Kali-Yuga cósmico!
Eae Fátima, na pazzz??
Poema intrigante e belo. Parabéns!!
Votado!
Abração procê!
Como bem colocou o Cristiano, fazemos uma bela duma viagem reflexiva nesse teu texto caprichado ...
o lance da janela é perfeito, elacapta as mazelas lá de fora e nos traz cá pra dentro...
Um beijo !
Nem liguei pro seu arroto... mas....
Uma borboleta azul pousa, sangrando, doeu profundamente..........................
Regresso ao sentir passar a vida
No vôo equivocado de uma borboleta azul.
Esse equivoco tão inerente a quem vive.
Pela janela ou pela porta.
um abraço
Mais um belissimo poema dessa excepicional escritora que a cada frase nos surpreende com belas mensagens , lindo essa janela tem que continuar aberta , parabéns
Edson Alves · Rio de Janeiro, RJ 31/10/2008 12:59
Li (e não tive tempo de comentar) no dia 29, dia do 25o aniversário da morte de Ana Cristina César. Arrepiou!
bj, f
Fátima, um poema que me empolgou. Intenso, cortante, como se a poetisa o estivesse recitando com cacos de vidro na garganta, rasgando e expondo a feridas ocultas no labirinto, jogando-as pela janela....
Sorte a nossa, nossos leitores aqui de baixo, olhando para o alto, fitando a janela, colhendo os estilhaçõs e provando o sabor da queda.
Parabéns. Gostei muito do poema.
beijos e bom findi.
Fátima, parabéns pela concisão cortante dos versos! Abraços, Égab.
Égab · Florianópolis, SC 1/11/2008 13:14
Maravilha!! parabéns, há que abrir mais que olhos para poder enxergar...
Há momentos em que a vida dói tanto...
"Mas bendita seja a dor que oprime o sofredor
pois ela nos ensina o valor que tem o amor
O valor que tem a vida, nesse pedacim de chão
o valor da liberdade, o valor da criação".
citação de um músico baiano, Josan
aí está a importãncia do poeta, transpassar o opaco do cotidiano e mostrá-lo em versos transparentes. bela obra.
Silveira
FÁTIMA,
Que o vento
perfumado
da poesia,
possa invadir
sempre nossa alma...
A realidade é tão "cinza"
Votos,
Parabéns!
Sua poesia está linda , parabéns querida poeta uma realidade vivida pelos quatros cantos do mundo . Bjs...
delen · Cotia, SP 4/11/2008 10:54
"num arroto,
amordaço o vidro da discórdia"
é bom D+
saúde & paz
OBAMA, BUMA YE!
olavo dada
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