Não temos letras de câmbio
Dólar, euro ou mesmo real
E se assinamos letras promissórias
(que promete não sei exatamente o quê)
É por imitação do ato de autografar
Pois mal sabemos das implicações
Que estas letras de trocas e de promessas
Possam nos acarretar...
Sei que ao assinar estes documentos
Tal ato, legalmente expresso em claro texto
Pode nos levar ao que se chama de “protesto”...
E não é um “ato de protesto” dos que reivindicam
Mas é constrangimento – nos obrigando a pagar
Mesmo que nada tenhamos com o que resgatar
Enfim, o assunto é difícil de tratar
Por isso as pobres rimas a atestar
O que tenho acabado de expressar
Proponho, sem conhecimento de causa
Num só fôlego, sem pausa, com pressa:
Penhoremos nossos poemas,
Nossas crônicas, ensaios
E tudo o que mais pudermos
Bem alto pendurar
Se a penhora é intervalo, um ato de suspensão
Até que um dia alguém nos avise
Que temos “algo a acertar”
Penhoremos também nossos suspiros,
Certas ansiedades, sonhos, as fantasias
Alguns gramas de loucura
Ou de lúcida e terna alegria
Pois que a nós poetas
Só nos resta mesmo isso:
Tecer sem cessar na roca da paciência
Os fios da esperança
De que um dia arranquemos do penhor
Nossas tão raras jóias –
Aquele soneto já quase esquecido
Uma crônica escrita às pressas, mal polida
O testamento poético inacabado ou
Ainda aquele retrato esboçado em breves traços:
Traços do sofrimento de uma vida bem vivida.
Breve espasmo poético IV - 27 abril 2007
Muito boa metáfora de penhora aos sentimentos...um súbito recolher o bem a apreciação. parabéns
votos e abraços
Grato W. Marques, pela força de sempre.
Dessa vez não tive tempo nenhum para convocar os overmanos!
Valeu, Cristiano, pela apreciação crítica.
Abraços
Pois é, amigo Abel, quem disse que a vida de poeta é só de tristeza! O João Guimarães Rosa - receitou: "poesia é remédio contra sufocação".
Um abraço
Oi, Pedro,
Pois é, que bom remédio é a poesia. O fazer poético é terapêutico, catártico e consegue curar muitas ziquiziras do corpo e da alma: dizem que cura até asma, bronquite e celulite... A despeito da rima sequenciada e pobre, vale a pena conferir!
Abraços
Grato, Denise.
Espero conhecer também o seu acervo poético.
Abraços
Breve espasmo poético cheio de dor. Uma dor inteira sem meias palavras sem rebuscamento. Abel eu gst dessas coisas simples..
Penhoremos também nossos suspiros,
Certas ansiedades, sonhos, as fantasias
Alguns gramas de loucura
Que coisa bonita!
>>>
Dizem q faço poemas rebuscados, difíceis.. mas n é nada disso, eu nem penso qdo escrevo, as letras me escrevem e solto os gemidos qu posso.
meus mais sinceros parabéns companheiro.
Thiers R >
Olá amigo Abel, estou aqui a convite do Pedro Monteiro.
E adorei teu texto.
É muito poetico e tem conteúdo muito rico.
Abrços
Bela poesia, plagiando a Ulisses Guimarães, "ma poesia cidadã",
muito instigante,
abraço, abel
andre.,
obrigado ao Pedro Monteiro pelo aviso
Esta penhora vai render juras de amor...abraços
victorvapf · Belo Horizonte, MG 7/8/2008 09:06Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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