PENUMBRA DA VIOLÊNCIA
Eles dizem que os habitantes da senzala contemporânea
Não são merecedores da diafaneidade da revolta,
Mesmo quando vêem o apagar abominável de sua flama
Já tão esmaecida pela vida miseravelmente cotidiana
Como se a centelha de um arquiteto popular de casas
Não tivesse a mesma têmpera que a de um menestrel, que platéias
Arrebata, através da lírica soprada por densa flauta de fragas
Como se aquela que levanta sob o afago dissaboroso
Do céu da alvorada, para depurar os castelos urbanos,
Não se irmanasse em importância aos catadores de lixo Cibernético, que limpam as cybercidades,
Onde alguns poucos de nós habitamos mentecaptos e tão Crédulos de nossa superioridade!
Eles, pescadores de achismos e filhos do estamental egoísmo,
Pensam que, por estarem sob os holofotes da voga, merecem
Imadiato reparo pelas balas da perda que os alvejam ao sol do
Agora]
No entanto, a eles se deve dizer:
Todo dia uma digna luz da vida é apagada;
Todo dia vigas da existência são destroçadas;
Todo dia tombam mães e pais de família, curtidos de sol
[E de labuta,
Pelas mãos dos revólveres da legalização segura;
Ou perdem seus filhos para as falsas promessas do capital,
Que traz consigo o rastro bruno que desponta no lato sorriso
Do horizonte da Anti-Aurora Imperial
Portanto, cessemos definitivamente de verter os inefáveis Granizos da hipocrisia.
Se vamos chorar, choremos, então, não tão-somente por
Vaga-lumes que julgam estar no auge da sua luminescência;
Todavia, sobretudo, com o mesmo ardor pelos seus congêneres,
Que erram por aí, quase sempre ofuscados pela inexorável
Sombra da mendicância, do padecimento, da desventura
[Do anonimato que se propala, abunda!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
Grande texto! Parece um manifesto. Nunca devemos nos esquecer dessa realidade apontada por você. Acredito muito que a luta deve ser desenvolvida nos vários campos, ou melhor, em todos os possíveis. Em muitos momentos o inimigo parece invisível...
Ao propor uma nova utopia, não quis ser como esses hipócritas dos quais você fala, mas quis pensar numa outra perspectiva, como que num caminho a seguir...Porque pensar apenas no abismo, na destruição, no fim de tudo e todos, é algo muito comum, mas mesmo assim pouca coisa mudou.
Um abraço!
obrigado, leandro pelo comentário. ele é conciso
jessebarbosadeoliveira82 · Salvador, BA 2/6/2008 14:52
Vou ser sincero, não entendi muito, tenho que olhar no dicionario! Desculpa viu, mas uma coisa eu te digo, eu tenho muito que aprender com vocês.
Convido o a visitar minha primeira colaboração no Overmundo.Espero que goste. Um abraço.http://www.overmundo.com.br/banco/tudo-que-ha-no-mundo
Jessé, poucas vezes podemos contemplar tão bela revogação de idéias, mudanças em patamares estabelcidos desde sempre.
Suas perspectivas são inomináveis, e aspiram mudanças, muitas, que devem começar em nós.
Grata.
Faço coro a esse grito poético de revolta e lamento. Abraço e voto.
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 5/6/2008 16:46
muito bom...no grau certo de erudição...nem ausente, nem pedante...e o tema, mais contemporâneo impossivel...sinal dos tempos...parabens !
abs
joe
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