Pequena Anedota sobre o Medo (com reflexões ogrofilosóficos)

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Isabel Seixas · Rio de Janeiro, RJ
1/5/2007 · 82 · 3
 

Anedota

O Rato tem medo do gato, que tem medo do cão, que tem medo da vassoura.

O rato cresceu com medo do gato. O gato se assustou quando ouviu o primeiro latido; e o cão achou que a vassoura era o bigode que escondia os maiores dentes do mundo!

O rato saia da toca quando via que o gato estava no telhado. O gato saia batido e subia na árvore quando ouvia o cão. O cão nunca mais entrou em nenhuma sala e em dias de vento se escondia da mangueira porque a via como uma incrível e gigante vassoura de cabeça para baixo.... ou para cima.

A moral da história é que tem medo real e medo inventado.


Ogrofilósofo refletiu sobre o medo ontem. Perguntava se o medo é um senso de auto-preservação ou uma forma mágica de manter medíocres alienados levando uma “meia vida”.

O medo tem sim seu valor, acho. Por medo, medimos o perigo, Por medo, ninguém se arrisca, Por medo traçamos um raio limite de até onde ir, sem risco....

Mas o Gato pode estar no telhado e a nova empregada só trabalha com aspirador de pó... O raio podia ter se expandido, mas alguns sequer perceberam a chance.

Alienados, amarrados por correntes imaginárias, se mantiveram estáticos, assegurados de uma vida sem sobressaltos e perigos inesperados.

Se há uma chance de imprevisto, talvez não haja mesmo porque se arriscar... Forma aceitável de agir no mundo, caso vc seja um cão que desenvolveu pavor pela vassoura, ou um acionista da bolsa de valores... Do contrário, convenhamos que é uma atitude passiva e que beira o irracional. Achando q pode controlar o mundo, rejeita experiências e oportunidades reais, admitindo assim a “meia vida” que renuncia o diferente e o novo por ter medo de decifrá-lo. Fica estático, estagnado, isolado, restrito.

Enquanto isso o tempo passa, sempre. Sua “meia vida” está cada vez mais vinculada aos seus pseudo-medos que asseguram sua pseudo-estabilidade até o seu agendado fim. O que você esqueceu é que há círculos tão disformes e aventureiros que se expandem tanto que espremem o seu. Rígido e restritivo, você não quis interagir nem sequer se dis-formar, transformar, mudar, aceitar.... Tudo isso é demasiado arriscado...
Tentou fugir, mas a força alheia aventureira te espremeu tanto que você explodiu! Suas partículas ficaram, então, espalhadas aleatoriamente pelo mundo.
Você perdeu suas referências e não estava preparado para tantos novos e diferentes riscos. Preveniu demais, aprendeu de menos...
Como crianças que vivem em estufas de ar puro.... não têm, portanto, anticorpos para brincar na rua...

Prevenir é preciso; prever, impossível.
Viver é altamente perigoso, já dizia o poeta! Não há regras nesse jogo. Sem TENTAR, é “meia vida” e W.O - fato!

Válido para jovens de espírito que pensam no futuro; pais que não sabem como inserir os filhos na cruel sociedade moderna; apaixonados e outros “ados” que têm medo de desistir e de tentar; para todos os apegados a referenciais imutáveis e, especialmente, para cães que têm medo de vassoura.

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Isabel Seixas e Ogrofilósofo
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Edna Queiroz
 

Isabel, gostei!
Tantos vivem acorrentados ao medo imaginário, na condição de escravos mesmos, privando-se de uma vida mais bonita. O que é pior ainda é que tentam influenciar outros, como que aquela "verdade" fosse a lei da vida.
Excelente reflexão!

Edna Queiroz · Rio de Janeiro, RJ 1/5/2007 08:50
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Juliaura
 

Sai voando pela janela, dei uma espiadela na toca do rato e percebi que havia já teia de aranha, lá...
Onde terá ido o cachorro, depois que o sol se pôs e a arrumadeira se foi?
Pisou na grama do jardim sem medo de cocô,
pisa na fulô,
pisa na fulô,
Não maltrata a última inculta e bela
que te dou um laço.
É assim, ó: tava com medo de dizer, mas disse e explico: a idéia do texto, o conteúdo e o rolar da prosa é tri.
Mas por que, vivente, não escreves as palavras inteiras?
Fico achando que bicho preguiça deu em ti e não é que não era,
parece hera cobrindo jasmim.
Bem, ficou assim.
Ainda assim, votei.

Juliaura · Porto Alegre, RS 1/5/2007 09:45
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carlos magno
 

olha Izabel, eu adorei este recado que você está mandando para os medrosos da vida. Tem um montão de gente por aí que não consegue dar passo a frente porquê morre de medo dos tropeços da vida.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 5/5/2007 00:20
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