Com algumas pancadinhas da batuta na estante, o maestro pede atenção e ergue a mão esquerda interrompendo o burburinho dos últimos ajustes. O silêncio que se faz impressiona. A batuta, lentamente, sobe, mas desce com Ãmpeto e desencadeia alucinante trovoada promovida por frenéticos percussionistas que batem, com espantosa rapidez, sobre tÃmbalos e timbales, cÃmbalos e sinos, canecas e bongôs.
Trinta segundos! Trinta longos segundos de exaltado desvario. Durante outros quinze, obedecendo advertências da batuta, eles diminuem a força e o ritmo das batidas até parar, permitindo que, em “crescendoâ€, as flautas e os violinos promovam a propagação de uma atmosfera primaveril por todos os recantos da enorme platéia. Detém-se o tempo, não o da pauta, mas o da vida, enquanto pétalas sonoras de todas as cores e formas, a um divino sopro, dançam no ar envolvendo músicos e ouvintes.
Com teimosa insistência a percussão cresce e, em meio ao alarido dos instrumentos açoitados por baquetas, os longos e repetidos lamentos das trompas lembram ecos derramados por vales e quebradas.
Compassos além - quantos? -, reduzida a percussão e substituÃdo o som das trompas por grunhidos roucos das tubas, soam, sobre o fundo grave dos contrabaixos, notas entrecruzadas das violas, violinos, flautas e oboés formando consonâncias, por onde escorre, em cascatas e corredeiras, a borbulhante água nascida nas cordas das harpas.
Perdura a mágica das águas por eternos minuto e meio. Sobressai ora um ora outro instrumento, em harmonia com o vai-e-vem dos dedos harpistas. Mas os dedos, após um “decrescendoâ€, param e a percussão, raivosa por ter sido arrancada ao devaneio, cresce, enchendo o ambiente com suas batidas agudas e graves incitadas por ensandeci-do cÃmbalo, cujos pratos vibram com seus agudos “chins†e “tchinsâ€.
Sobrepondo-se ao furioso bate-bate, os trombones e clarinetas alternam-se em gritos, como os das feras ante a fúria das tempestades. As feras creem que seus rugidos espantam a borrasca, mas os trombones e clarinetas realmente impõem silêncio aos tambores, mas calam-se, encantados com o rendilhado solo do piano. Ao final, com primor e perfeição, as cordas, madeiras, metais e a propria percussão enviam, cada um a seu tempo, volutas e filigranas de sons em louvor às teclas.
Abrindo a votaçao para seu ótimo texto e desejando sucesso!
Beijos
Está fazendo sucesso. Merecido. Também vim votar, embora suspeito sou obrigado a dizer que me deleito com sua capacidade descritiva. Lindo texto. Votei. Aproveito e convido-o para ver meu trabalho, já na fase de votação:
http://www.overmundo.com.br/banco/passaro-louco.
Pássaro louco é meu trabalho de retorno ao Overmundo.
Se couber espaço para aplausos nesta sinfonia, deixo os meus!
Abraço fraterno,
Herculano
Ola pssoa!!
Belo concerto, qndo surgir outras apresentações qro ouvir muito mais desse desempenhar sinfonico...
At +, 1 abrço.
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