Foto por Cintia Thomé - Praia Guaecá, São Sebastião, SP
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PESCADORA DE MIM
O que faço?
Transgrido o ido
Faço da vida um coração translúcido
Das pupilas, minhas trilhas de amor...
Escorrem em veios d’água rompendo o chão
Procuro você...
Minhas passadas mágoas
Contas d’águas enchem o verde mar dos olhos
Da bruma espuma, nódoas da solidão.
Exploração sem covardia, embora tardia...
Arranco igarapés, perugos eremitas, enguias, cascalhos;
Do ferrolho de meu peito
Que faço?
Procuro você...
O sol a pino queima meus pés
Crema a envergonhada carne
O meu pensar em fogo
Ilumina e se faz guia
Não sei de quê? Do quê e para quê?
Que faço? Os rumos não mudam.
Procuro você...
Mergulhar no oceano
Arranco cidades perdidas da alma
Estrelas de luz... do mar...
Caravelas seculares desfeitas no tempo
Pescadora de mim mesma,
Húmus mudos...
Torrão da paixão que perdi...
Que destino! Cruel e desnudo
Que faço?
Procuro você...
Na ilha de minha cama,
Sou terra vivente, sobrevivente...
Verdades impostas e em postas
Navalha infiel sangrenta... estou em febre ardente
Ardo em sonhos e fantasias de dor
Que faço, amor?
Afogo tudo, tudo...
No copo d’água do criado mudo!
Procuro você...
Metade de mim...
Você me procura
Metade de mim...
Procuro você...
Cintia Thomé
.
Cintia: menina demais...sem palavras, pois se falar, falo besteira! (essa vai para meus arquivos).
Grande abraço,
Elizete
"Nada a temer, senão o correr da luta...
Nada a temer, senão esquecer o mêdo...
Abrir o peito à força, numa procura...
Fugir das armadilhas da mata escura..."
Que você se encontre, querida...
Beijos
Cris
Uma sueca que eu namorei, me ensinou beijar...brigamos, bobagens, na escala de 0 a 12 da paixao, deu 11, fiquei 20 anos pensando nela, dia e noite!Tambem procurava e nunca achava! Victorvapf.volto pra votar.
victorvapf · Belo Horizonte, MG 22/9/2007 11:13
A busca obstinada para nos encontrar,dolorosa busca!
Lindo,lindo poema,tocante,lindo...
Bjs.
Cintia,
Se ainda não tens este cognome, permita-me chamá-la de "A Poeta do amor ardente".
Teu 'eu-lírico' arrebata e transcende...
Tua imperecível sensibilidade concebe, com requintes de doçura e feminilidade, um mundo todo particular, marchetado de brilho, encanto, sensualidade e romantismo, onde a tessitura inconsútil e voluptuosa da despojada ave-palavra alça-se admiravelmente em infinitos vôos estelares, aspirando à eternidade.
Mai um poema nota 10!
bjsss,
"Arranco cidades perdidas da alma..." Sempre em busca... A vida é busca... enquanto pudermos ir... Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 22/9/2007 12:22
Me perdoe Nydia, mas vou imitá-la:
Mergulhar no oceano
Arranco cidades perdidas da alma
Afogo tudo, tudo...
No copo d’água do criado mudo!
Que beleza de poesia, Cíntia! Parabéns e um beio grande.
Me perdoe, Nydia, mas vou imitá-la:
Mergulhar no oceano
Arranco cidades perdidas da alma
Afogo tudo, tudo...
No copo d’água do criado mudo!
Que beleza de poesia, Cíntia! Parabéns e um beio grande.
"A Poeta do amor ardente".
Gostei do cognome que Rubenio Marcelo te deu !!!!
Amei o poema...parabéns!!!!
Afogue tudo no copo do criado mudo!!!!!!!
Mil beijos e bom final de semana!!!!
Lindo, Cintia.
Todos os versos são de profunda beleza... Amei viu. Já está marcado.
Beijinhos
Cintia, linda poeta, às vezes fico a pensar de onde vem toda essa sua inspiração...Se como diz Pessoa, o poeta finge que é dor a dor que deveras sente, tendo, quando leio vc, a afligir-me com sua aflição. No entanto, depois de bem refletir, chego a conclusão de que essa febre de amor que arde em vc é procura de vida. E aí descanso em meu bemquerer por vc.
Beijos
Muito denso, gostei. Mas ouso sugerir uma alteração. Eu particularmente retiraria a repetição e toda frase mesmo: "Procuro você", penso que assim a angústia da procura se tornaria mais inquietante, labiríntica, humana. Talvez seja questão de gosto, uma sugestão apenas...
Beijos.
Eu acho que você deve procurá-lo, ouça a vóz do seu coração. Eu achei este seu poema uma delícia. Meus sinceros aplausos e beijos querida amiga Cíntia.
Carlos Magno.
Oi, Cíntia,
versos lindos a procura de si mesma.
Bjs de Betha.
Cintia, querida amiga.
O catálogo das tuas figuras e expressões poéticas é vastíssimo, tem coisas mais que raras: únicas. E parece inesgotável, como a safra de um céu noturno, sem nuvens e sem lua...
Se o todo é lindo, gostaria de destacar estas gemas, que ofuscam...
Arranco cidades perdidas da alma
Caravelas seculares desfeitas no tempo
Verdades impostas e em postas
É sempre com prazer e com emoção que meu coração lê você...
Beijão,
BAduh
Amiga, estas pescarias nos fazem olhar prá dentro e ver o avesso do avesso, salvar imagens, fazer donwloads com a vida e só resgatar o necessário. Pesque muito!
Bjs querida
Cíntia, só me resta torcer pra vocês se encontrarem!
PS: Respondi seu recado.
Flor,
A procura de algo que nos proporcione
um bem de amor, é sempre necessário como procuras neste belo poema..
De leve, concordo com Cesar. Subtraindo o que ele sugeriu,
o poema ficaria ainda mais instigante. Mas é apenas sugestão.
Bjs, Benny.
Procuro você...
"Metade de mim...
Você me procura
Metade de mim...
Procuro você... "
LINDO DEMAIS ISSO! Perfeito..realmente é a melhor palavra para estes versos teus. parabéns querida. bjs
Grande Cintia!
Belíisimo, poema, belíismo! Ardente! Calando fundo a nossa eterna procura da "Metade de mim..."
E belíssimo é "codnome" dado pelo Rubenio Maecelo.
Voltarei!
Um grande abraço!
Nossa Cintia,eu viajei nesse poema...Olha,nós só somos felizes quando sentimos algo puro no nosso coração,e é o que vc transparece...um abraço.
Billy(JAZAHU)
Oi, Cintia. Que beleza! Se me permitir vou te enviar um desenho...
Que beleza!
Mestra Cíntia, uma carga de sentimento muito grande.
Uma fotografia muito bem escolhida, criando um clima que nos leva a tripular essas: Caravelas seculares desfeitas no tempo , para sermos: Pescadora de nós mesmo,
Um romantismo muito grande que nos leva cativos para todo sonhar.
Isso é muito bom porque nos desperta o espírito criativo.
Sua obra encanta instrui e mobiliza.
Parabéns pelo seu trabalho e muito obrigado por torna-lo conhecido. Vai ser uma honra votar.
O que dizer, Cintia, de tão bela composição poética? Invadi o teu barco, qual pirata e, mar afora, devorei sôfregamente tuas palavras. Um abraço.
Remisson Aniceto · São Paulo, SP 24/9/2007 08:03
Voltei para votar.
Há tanta angústia neste busca que dói demais.
Apenas o começo de uma semana especial e produtiva pra voc~e. Creia!! Bjs e votos.
Joana Eleutério · Brasília, DF 24/9/2007 08:05
Voltei reli e é claro, votei!
bjs na alma da "pescadora"!
Votado !!! Beijos e boa semana !!!!
Saudade!!!!
Lindíssimo! Lido gostado votado!
Bjs e flores @>--
Cíntia, querida amiga
Como almas amigas, as nossas, ardemos em sonhos e fantasias de dor. Procuramos e não achamos, que ardamos nesses sonhos, mas em fantasias de amor.
Lindo, Cíntia
Beijos
Noélio
Sem as dores da ausência (não esqueçamos que a presença também dói), o que seria dos poetas, artífices contumazes da anatomia da alma? Gostei muito do que veio enrolado na tua rede de pesca, cara pescadora... Votadíssimo!
Pepê Mattos · Macapá, AP 24/9/2007 11:57
Sem as dores da ausência (não esqueçamos que a presença também dói), o que seria dos poetas, artífices contumazes da anatomia da alma? Gostei muito do que veio enrolado na tua rede de pesca, cara pescadora... Votadíssimo!
Para quem ainda não leu:
http://www.overmundo.com.br/banco/a-noite-dos-caminhos-perdidos
LINDO, LINDO, LINDO... já adicionei a obra aos meus favoritos. é o máximo que minha inveja doentia permite, querida.
Que texto magnífico, quanta expressividade e ternura... mas, não procure mais, amor. EU ESTOU AQUI !
Um pouquinho prá esquerda, isso... agora ande mais um pouco, dobre aquela esquina e siga até a placa amarela. Ahhhhhhhhhh !
PS.:faço minhas as palavras do Rubênio Marcelo/MS... realmente, um poema nota 10. Quero mais... e vou trazer à lume os meus rabiscos sobre o MAR, paixão maior desde minha infância.
maravilha de cometas esponatneos que tocam seu ser e expressam a orbita do sentir
wadochicchan · Parati, RJ 24/9/2007 13:51maravilha de cometas espontaneos que tocam seu ser e expressam a orbita do sentir
wadochicchan · Parati, RJ 24/9/2007 13:53
Li, gostei e votei.
Nos últimos versos me vi... copo no criado mudo. Corpo mudo criando espaços. Na água e no teto do quarto procuro pelas metades. Corpo criado na mudez. Água. Copo. Um comprimido de Rivotril.
Abraços.
Cíntia, minha querida poeta maior,
desculpe-me pela demora, mas as duas últimas semanas foram superagitadas aqui no trabalho, para meu azar, pois vejo o que perdi. Seu poema é maravilhoso, como todos os que você escreve, todavia este é talvez o mais perfeito.
"Na ilha de minha cama,
Sou terra vivente, sobrevivente...
Verdades impostas e em postas
Navalha infiel sangrenta... estou em febre ardente
Ardo em sonhos e fantasias de dor
Que faço, amor?
Afogo tudo, tudo...
No copo d’água do criado mudo!"
Que coisa linda!
Olhe, Cíntia,vou ficar por aqui pois não tenho palavras para te dizer o quanto sua poesia é forte e íntima da alma, das paixões e dos amores feitos e desfeitos. Parabéns!
Bjs.
Lindo, lindo, Cíntia.
Uma pocura apaixonada... que rompe os obstáculos da mente e do coração.
Votado, é claro!
Beijos.
cintia,
belíssimo texto.gostei desta parte:
"Na ilha de minha cama,
Sou terra vivente, sobrevivente...
Verdades impostas e em postas"
muito lírico!!
abraços,
Arranjar tempo é preciso, para vir mais aqui e mergulhar nessas águas
de versos febris, em tempo de piracema.
bjs
Oi minha querida amiga Cintia foi bom você me lembrar , por favor fique avontade toda vez que eu esquecer,ok?
Beijos.
Carlos Magno.
Cíntia, qualquer semelhança é mera coicidência...
Um abraço.
ELEGIA
Não retornei aos caminhos
que me trouxeram do mar.
Sinto-me brancos desertos
onde as dunas me abrasando
tarjam meus olhos de sal
dum pranto nunca chorado,
dum terror que nunca vi.
Vivo hoje areias ardentes
sonhando praias perdidas
com levianos marujos
brincando de se afogar,
com rochedos e enseadas
sentindo afagos do mar.
Tudo perdi no retorno,
tudo ficou lá no mar:
arrancaram-me das ondas
onde nasci a vagar,
desmancharam meus caminhos
- os inventados no mar:
depois, secaram meus braços
para eu não mais velejar.
Meus pensamentos de espumas,
meus peixes e meu luar,
de tudo fui despojada
(até das fúrias do mar)
porque já não sou areias,
areias soltas de mar.
Transformaram-me em desertos,
ouço meus dedos gritando
vejo-me rouca de sede
das leves águas do mar.
Nem descubro mais caminhos,
já nem sei também remar:
morreram meus marinheiros,
minha alma, deixei no mar.
Pudessem meus olhos vagos
ser ostras, rochas, luar,
ficariam como as algas
morando sempre no mar.
Que amargura em ser desertos!
Meu rosto a queimar, queimar,
Meus olhos se desmanchando
- roubados foram do mar.
No infinito me consumo:
acaba-se o pensamento.
No navegante que fui
sinto a vida se calar.
Meus antigos horizontes,
navios meus destroçados,
meus mares de navegar,
levai-me desses desertos,
deitai-me nas ondas mansas,
plantai meu corpo no mar.
Lá, viverei como as brisas.
Lá, serei pura como o ar.
Nunca serei nessas terras,
Que só existo no mar.
Zila Mamede
bem...
diante de tantos comentários, de pessoas talentosas , sobre seu maravilhoso escrito.
só me permito dizer oque senti ao ler o seu poema!
é isso que faz valer a pena ler.
consegui enxergr tudo que a maioria das pessoas sentem quando estão sozinhas a procura de seu amodo(A)
é isso que faz o poeta, saber expressar em palavras aquilo que não é comum a ninguém expressar.
muitos se limitam a sentir, mas você fez mais, traduziu toda essa mistura de sentimentos em palavras
isso a torna uma poetisa. que usa as palavras para deixar os outros sem palavras!
beijos no coração minha flor!
Cintia. Você e sua sensibilidade lindamente retratada. Este poema é fantástico.Sei, talvez mais pela idade que pela sensibilidade, que quanto mais eu me descubro em mim, me aceito, deixo de me interpretar, mais abrangente será o meu amor e mais próximo da solidão estarei. E sei também, tanto quanto você que, neste brinquedo de esconde-esconde, só não vale parar de amar.
Muito grato por permitir-se palavras e idéias tão sublimes. Lembre-se de convidar-me sempre que tiver um novo texto.
Ps.: Pescadora de mim define muito bem o intuito do poema.
Atila Naddeo · Brasília, DF 25/9/2007 14:17
A foto magnifica, já o poema: ai é que está o POBREma, é raro eu ler poesias. Esperarei um texto seu, me aguarde!
AZnº 666 · Rio de Janeiro, RJ 26/9/2007 11:11
Quase todos somos pescadores de nós mesmos. Este poema diz tudo. Excelente.
Reginaldo Negrão · Cuiabá, MT 27/9/2007 10:16
Minha amada,
perdoe a ausência, sua poesia está como um bom vinho antigo, cada vez melhor!!!
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