PESQUISA FGV CULTURA LIVRE, NEGÓCIOS ABERTOS - DO TECNOBREGA AO CINEMA NIGERIANO

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ronaldo lemos · Rio de Janeiro, RJ
6/3/2008 · 203 · 1
 

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Este é um breve relatório sobre os resultados das pesquisas realizadas durante o período de Março de 2006 a Julho de 2007, no âmbito do projeto Modelos de Negócio Aberto – América Latina (Open Business Models – Latin America), coordenado pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, em parceria com Overmundo.

O projeto foi desenvolvido no Brasil, Colômbia, Argentina, México e Nigéria e gerou grande interesse e incentivo para outros pesquisadores, entidades governamentais, terceiro setor e setor privado. Dentre os principais campos de pesquisa compreendidos no escopo do projeto, ressalta-se o estudo sobre a cena tecnobrega de Belém do Pará, que analisou o surgimento de um novo modelo de negócio em uma periferia brasileira. Mencionam-se, adicionalmente, as pesquisas
realizadas na Colômbia e Argentina, que apontaram o surgimento de mercados de música nesses países calcados no uso da tecnologia digital e em práticas diferenciadas com respeito à propriedade intelectual.

Também merecem destaque as descobertas com respeito à Nigéria e sua implacável indústria cinematográfica e, por fim, porém não menos importante, vale destaque o mapeamento dos casos de “negócio aberto” no México, Colômbia, Argentina e Brasil, assim como o guia de “negócios abertos” elaborado e os casos identificados pela equipe britânica do projeto “Open Business”. As principais conclusões e descobertas de cada um dos focos acima serão detalhadas ao longo deste relatório.

Acreditamos que as conclusões do projeto contribuirão para o desenvolvimento de novas perspectivas para a produção cultural em países em desenvolvimento, fundamentadas em visão mais crítica e levando-se em consideração os desafios que hoje encara essa indústria.

Este trabalho tornou-se possível graças ao apoio do International Development Research Centre (IDRC), em colaboração com pesquisadores de países em desenvolvimento.

INTRODUÇÃO

Recentemente, o Brasil e outros países da América Latina têm passado por significativas mudanças no processo de criação da cultura e da informação. Nos últimos anos, a maior parte
das indústrias de mídia e cultura vem enfrentando o desafio de adaptar seus modelos de negócio à nova realidade, completamente mudada pelo impacto das tecnologias de comunicação digital.

Esses desafios são enfrentados, principalmente, pela indústria da música, pela imprensa, indústria editorial e indústria do cinema, por exemplo. Em países em desenvolvimento a crise dessas indústrias torna-se ainda mais complexa por conta dos fatores econômicos. A maioria das pessoas não tem poder aquisitivo para comprar produtos culturais oficiais. Como resultado, preços altos e modelos de negócios inflexíveis
dificultam ainda mais o acesso da maior parte da população à produção cultural distribuída pela indústria “oficial”.

Respondendo a esta realidade, novas produções e novos modelos de mercado têm surgido como alternativas. São esforços autônomos e auto-sustentáveis, que emergem “de baixo pra cima”. Em outras palavras, com o surgimento da tecnologia digital e da Internet, em diversas localidades de
países em desenvolvimento (especialmente nas periferias) a tecnologia acabou chegando antes do que os modelos de negócio fundamentados na concepção de propriedade intelectual.

Essa situação de facto propiciou o surgimento de indústrias culturais não guiadas pelos incentivos da propriedade intelectual. Em tais negócios culturais, o conceito de “compartilhamento” e de livre distribuição de conteúdo são intrínsecos às circunstâncias sociais de tais periferias.

Neste sentido, usamos o nome “negócio aberto” para qualificar os novos modelos de negócio verificados na América Latina, notadamente na periferia dos seus vários países. As
periferias locais estão se apropriando das novas tecnologias para criar suas próprias redes de produção, distribuição e consumo de cultura. Vale ressaltar que essas redes emergentes da periferia se dão a despeito de todo e qualquer incentivo advindo dos direitos de propriedade intelectual.

Essa situação deflagra uma tensão entre a legalidade e a ilegalidade, assim como entre a formalidade e a informalidade. Nossa visão é de que tais modelos de negócio aberto
ajudam na discussão e compreensão do impacto da tecnologia nas periferias, ajudando a criar novas perspectivas para o desafio que se coloca.

Um vídeo ilustrativo dos cenários do tecnobrega e da indústria cinematográfica da Nigeria pode ser achado no documentário chamado Good Copy, Bad Copy, de Andreas Johnsen, Ralf
Christensen and Henrik Moltke.

Sobre a obra

Projeto de Modelos de Negócio Aberto
Equipe Principal
Coordenação Geral
Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITO RIO:
Ronaldo Lemos
Oona Castro
Overmundo:
Hermano Vianna
José Marcelo Zacchi
Coordenação de Pesquisa de Campo e Realização
FGV Opinião
Marcelo Simas (Coordenação de Pesquisa Geral e Quantitativa)
Elizete Ignácio (Coordenação de Pesquisa Qualitativa)
Alessandra Tosta (Principal pesquisadora da pesquisa qualitativa)
Monique Menezes (Principal pesquisador da pesquisa quantitativa)
Análise Econômica
FIPE-USP
Ricardo Abramovay
Arilson Favareto
Reginaldo Magalhães
Apoio: International Developement Research Centre (IDRC)

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Thomaz Gomes
 

Oi Ronaldo, aqui é o Thomaz, da revista PIX, tudo bem?
Precisava que você respondesse mais uma perguntinha, para aquela pauta sobre gadgets que eu estava combinando com você. Mandei no seu e-mail. Você pode me dar uma força com isso?

Thomaz Gomes · São Paulo, SP 3/3/2008 14:00
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