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Pêssego, Manga e Leite Condensado

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Anagna Ranga · Rio de Janeiro, RJ
20/8/2010 · 1 · 1
 

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Para os que não me conhecem, trabalho em uma agência de turismo especializada em viagens de Lua de Mel. Minha profissão exige que eu acompanhe bem de perto as expectativas, preocupações e frustrações dos casais rumo ao matrimônio.

É fato que os noivos sentem-se tão confrontados diante de decisões importantes como a cor da estampa do design das toalhas de mesa da recepção (ela) e os malabarismos econômicos necessários para pagar a exponencial conta do felizes para sempre (ele), que esquecem, até, de praticar o mais gostoso do ser casal: o sexo. Talvez por isso muitas relações se desfaçam próximas ao altar.

Os homens sofrem em exagero quando longe dos peitinhos da amada. São seres primitivos, caçadores, e por conta das próprias características evolutivas, incapazes de substituir o prazer da carne por um Bem-Casado. Eis a constatação máxima da fidelidade dos machos.

Já as mulheres, seres evoluídos, encaram melhor a fase de abstinência pré matrimônial. Elas substituem um prazer pelo outro: o pau pelo buquê; o gozo pelos docinhos recheados; o toque masculino pelo aperto (e as agulhadas) da costureira durante as provas do vestido.

Descrevo o triste retrato nupcial do casal que hoje adentrou a agência de turismo duelando ferozmente em prol do destino que julgavam perfeito para a tão sonhada viagem de Lua de Mel: Paris (ela) OU Vegas (ele)? Era tão óbvia a solução do impasse que minha irritação transpareceu na voz: "- PARIS E VEGAS (PORRA!)" Economiza-se no buffet de queijo Brie com geléia no voul au vent e investe-se no prazer dos amantes na(s) cidade(s) da luz.

Aliás, se ainda não disse, era lindíssima a mulher/noiva - típica modelo gaúcha bonequinha de louça e com lábios Angelina Jolie. O homem/noivo, porém, apresentava face cansada, pele seca, olheiras profundas, um verdadeiro sapo. Pois é... Foi-se por água abaixo a teoria do meu irmão de que comer mulher bonita rejuvenecia.

Ou não! A postura do homem/noivo evidenciava o quanto o pobre coitado estava faminto. Certeza de que não comia aquela mulher fazia tempo! E o maior indício dessa carência foi a transformação dos meus peitinhos tamanho pêssego em gigantescas e suculentas mangas Tommy que tanto o inquietavam. O homem/noivo olhava para a minha boca com o olhar pidão de menino virgem que implora por um boquete (e não tenho lábios Angelina Jolie). Até corei, e não faço o tipo envergonhada, quando de voz embargada pediu licença para usar o toillete: "- estou MUITO necessitado. Desculpe!" Sim, o homem/noivo usou esses termos.

A situação se revelou bastante grave e a mulher/noiva teve que ser intimada: "- Amiga, o banheiro é a direita, no final do corredor. Vai você? Vai eu? Ou vamos as duas?". A mulher/noiva se fez de desentendida e depois de ofendida, mas eu rapidamente cortei: "- Olha aqui, amiga modelete! Tô tentando salvar o teu casamento e a minha comissão da Lua de Mel. O homem está MUITO necessitado. É melhor você arreganhar as pernocas compridas e dar uma trepadinha no banheiro. Ou... deixar que eu faço esse favorzinho para vocês".

Repito aqui as exatas palavras que se seguiram da mulher/noiva: "- Você tem um catálogo com fotos de Paris? Sempre sonhei conhecer Paris. Então, não conta para ele que eu sei da... trepadinha, rs, está bem?". E ainda me deu dicas de como ele gostava de ser chupado.

Se na literatura o sapo vira príncipe com apenas um selinho censura livre, imaginem com uma foda de verdade? O banheiro da agência é gigante, projetado especialmente para os casais em festa. E como não sou santa, puta, nem burra, quem fez a festa nesse dia foi eu. No buffet, pêssego, manga e leite condensado.

Bati na porta do banheiro e ofereci o banquete/bônus da Lua de Mel. Esperto, o homem/noivo entendeu rápido que o meu corpo que estava sendo dado de bandeija, e abriu a porta afoito, sem nem ao mesmos pensar na mulher/noiva frígida que talvez estivesse a sua espera.

Saímos do banheiro esgotados. Minhas pernas completamente bambas, o cabelo sujo de gozo, um botão da camisa perdida. Ele saiu sem olheiras, com a pele oleosa, doce, sabor de manga na boca. O homem/noivo provou o suco dos meus seios, o mel da minha xota, e rejuveneceu.

A mulher/noiva nem notou a aparência jovial do homem/noivo. Em sua face vigorava apenas satisfação, o prazer de ter explorado o catálogo de Paris. Da minha parte, o sentimento de felicidade e honra por ter salvo mais um casamento. Sem essa trepadinha no banheiro, mais um casal estaria desfeito diante do altar.

Sobre a obra

Se na literatura o sapo vira príncipe com apenas um selinho censura livre, imaginem com uma foda de verdade? O banheiro da agência é gigante, projetado especialmente para os casais em festa. E como não sou santa, puta, nem burra, quem fez a festa nesse dia foi eu. No buffet, pêssego, manga e leite condensado.

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Autoria
Anagna Ranga
Ficha técnica
Anagna Ranga
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alcanu
 

O duro é a manutenção desse 'serviço à parte' no decorrer do casamento, né ?
Um beijo !

alcanu · São Paulo, SP 19/8/2010 16:33
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