Sou o humilde motivo
De tuas piadas e vivo
Morrendo em cada esquina,
Enquanto das coberturas,
Contemplas minha amargura
E zombas de minha sina.
Sou o que passa fome
Ao teu lado enquanto comes
O teu rico caviar.
Sou o que te faz sorrir,
Que te permite oprimir,
Que te coloca onde estás.
Se degustares cicuta
E te sujares na lama,
Se te deitares na cama
E te sentires a puta,
Vivenciarás minha luta
E sentirás o meu drama!
Se já lambeste feridas
E te alimentaste de ratos,
E toda injúria e maus tratos
Já te fizeram na vida,
Senta comigo, que a vida
Já te serviu de meu prato.
Se te viraram a cara
E te negaram comida,
Se não te deram guarida
E te cuspiram na cara,
Então te aquieta, repara
Que entenderás minha vida.
Eu sou aquele operário
Que vive do seu salário
E da fome que ele traz.
Aquele que não suporta
E – cabisbaixo – se comporta
Em benefício da paz.
Eu sou aquele indigente
A quem abraças contente
Em período de eleição.
Apenas mais um fantoche
Vítima do teu deboche,
Sustentáculo da nação.
Magnífico! Maravilhoso!
Poeta, fiquei sem palavras.
parabéns!
Obrigado, Saramar.
Um grande abraço.
Jorge, feliz iniciativa.
- Acho que as primeiras pessoas que vi lendo foram dois cegos que vendiam "romances nas feiras"; e aprendi a ler "romances", querendo agradar como eles agradavam.
- Mas não é isto: Nota-se no Overmundo tanta gente querendo dizer algo. Há de tudo e de todos, há os que não conseguem, preocupados com a "imposição" tola da sociecade; mas consegume retratar a sociedade e o mundo em que vivem, (vivemos). O que é bom. Por fim,
Acho que falta-nos (ao Brasil) a coragem para dizer. Quando é dita uma coisa não formatada é tão lindo. Quando dito sem o "medo" de desagradar, por simples, singelo, até mesmo rude, agrada - é sucesso, enche a alma.. por mais que contrarie o saber do "sabido de saber e gosto alheios", um abraço, andre.
Acho que com Augusto dos Anjos aprendi que a palavra que agride tembém agrada aos ouvidos daquele para quem agressão se faz necessária de ouvir, talvez para acordá-lo da letargia do cotidiano, do costumeiro, que nos deixa cegos para o óbvio das coisas a nossa volta. Na poesia é possível encontrar essa liberdade de dizer sem compromissos com o agradar ou o agredir, e essa liberdade dá ao texto, quem sabe, um poder de permanência.
Obrigado pelo comentário.
Seja bem-vindo.
muito bom poeta Jorge!
abraços!
Obrigado, Célio, pelo incentivo!
Um grande abraço.
Poeta, voltei para reler (e votar, claro).
Este é realmente um poema para ser lido entre as pessoas, para todas as pessoas, vítimas ou algozes deste mundo.
beijos
Grato, Saramar, pela leitura, voto e comentário.
Beijos.
Poeta,
Grandioso!
Marluce
Obrigado, Marluce.
Beijos.
Fala poeta Jorge, continúe esbanjando teus líricos poemas que eu estarei sempre aqui para aplaudí-lo. Abraços.
Carlos Magno.
Vê-lo "sempre aqui", Grande Carlos, é um prazer. Seus aplausos me são muito caros! Muito obrigado.
Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória, SE 24/5/2007 20:39
MAGNÍFICO....MANIFESTO DOLOROSO DA VERDADE INTEIRA...TRANSBORDAS EM ÁGUA LIMPA AS INTEMPÉRIES DA VIDA CAUSTICA...
TEUS TEXTOS POÉTICOS LEVAM-ME AO DELÍRIO DO SER OU NÃO SER...
BRAVO!
...........
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