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Piores Poemas #5
Barba · Belo Horizonte (MG) · 15/3/2007 16:03 · 53 votos · 8 comentários ·  
1
overponto
Sentiu o frio lhe comer os ossos
...cobriu a vida com o cobertor
Tomou um gole de café sem acúcar
... numa lata cortada pela metade

Recebeu pão com apresuntado
... de um homem com cara de nada
Tomou o sopão da caridade
...tinha gosto de caldo Knorr

Catou lata até a duas da manhã
... foi xingado por uma dona
Pegou carona no ônibus das três
... o trocador queria cobrar mas ele desceu antes

Andou até perto do abrigo
... tremendo de ansiedade
A ferida na perna coçava
... estava amarelando

Meio litro de cachaça
... que espumava demais
Uma pedra de crack
... não deixava ele na mão

A hora mais feliz do dia
... a vida é boa.


tags: Belo Horizonte MG poesia piores-poemas textos-literatura
 
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Autoria   Rafael Barbi
Ficha Técnica  

Piores Poemas

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http://faire-savoir.blogspot.com

Contato  

rafaelbcs(arroba)riseup(ponto)net

Data   15/3/2007
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Barba, gostei
a começar pelo trocadilho entre o título e a bela composição, conduzindo o foco para uma dura e triste realidade que está bem aí, à margem de todo o glamour social.
Parabéns!

Edna Queiroz · Rio de Janeiro (RJ) · 13/3/2007 22:32 
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olá barba,

trabalhei algum tempo da minha vida com moradores de rua, e aprendi algo simples: é preciso agüentar o tranco com algum dopante, sim... e que diferença há de nós outros, se fazemos basicamente o mesmo? a diferença é o quanto se sente dessa dureza, dia após dia. a concordar com o que disse a edna, o título é um achado. parabéns.

abraços,

r
Renato Torres · Belém (PA) · 13/3/2007 22:57 
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Muito bom!
Roberta Tum · Palmas (TO) · 15/3/2007 10:47 
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Zorra, Barba! Botou pra lenhar!
Muito forte este poema, meu caro!
Muito bom!
Abraço!
Carlos ETC · Salvador (BA) · 15/3/2007 10:53 
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Bombou!
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 15/3/2007 15:44 
1 pessoa achou útil
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Obrigado a todos pelos comentários. Acho que termino essa série com mais três, graças aos estímulos de vocês : )

Renato,

Eu nunca cheguei a desenvolver um trabalho com moradores de rua, mas acompanhei por um tempo a vida de um aqui do meu bairro - costumava arranjar uns trocados, comida e roupas pra ele. Não acho que haja uma diferença concreta entre o refúgio deles no álcool e o nosso, na verdade eu queria ilustrar a produção da vida nas ruas e sua relação com as drogas. Bem, acho que é isso : )
Barba · Belo Horizonte (MG) · 15/3/2007 20:26 
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Belas "fotos". Preto no branco, como requer a documentação da realidade produzida e reproduzida pela exploração...
Belchior já alertara que "sons, palavras são navalha"
Como mais três, graças a vocês, aparenta:
"mate-me logo, à tarde às seis,
porque à noite tenho um compromisso e não posso faltar,
por causa de vocês..."
Muito bom, Mano Barba.
Se der um tempinho, passa na fila de edição/votação e dá uns palpites sobre a os três primeiros capítulos da minha primeira novela O dia do descanso de Deus. tá no prelo e sai em abril.
O convite é extensivo a manos e manas outras.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 16/3/2007 10:32 
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Opa,

Vou ler Adroaldo! Valeu a sugestão :)

Abraço!
Barba · Belo Horizonte (MG) · 18/3/2007 14:29 
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