Sentiu o frio lhe comer os ossos
...cobriu a vida com o cobertor
Tomou um gole de café sem acúcar
... numa lata cortada pela metade
Recebeu pão com apresuntado
... de um homem com cara de nada
Tomou o sopão da caridade
...tinha gosto de caldo Knorr
Catou lata até a duas da manhã
... foi xingado por uma dona
Pegou carona no ônibus das três
... o trocador queria cobrar mas ele desceu antes
Andou até perto do abrigo
... tremendo de ansiedade
A ferida na perna coçava
... estava amarelando
Meio litro de cachaça
... que espumava demais
Uma pedra de crack
... não deixava ele na mão
A hora mais feliz do dia
... a vida é boa.
Barba, gostei
a começar pelo trocadilho entre o título e a bela composição, conduzindo o foco para uma dura e triste realidade que está bem aí, à margem de todo o glamour social.
Parabéns!
olá barba,
trabalhei algum tempo da minha vida com moradores de rua, e aprendi algo simples: é preciso agüentar o tranco com algum dopante, sim... e que diferença há de nós outros, se fazemos basicamente o mesmo? a diferença é o quanto se sente dessa dureza, dia após dia. a concordar com o que disse a edna, o título é um achado. parabéns.
abraços,
r
Zorra, Barba! Botou pra lenhar!
Muito forte este poema, meu caro!
Muito bom!
Abraço!
Obrigado a todos pelos comentários. Acho que termino essa série com mais três, graças aos estímulos de vocês : )
Renato,
Eu nunca cheguei a desenvolver um trabalho com moradores de rua, mas acompanhei por um tempo a vida de um aqui do meu bairro - costumava arranjar uns trocados, comida e roupas pra ele. Não acho que haja uma diferença concreta entre o refúgio deles no álcool e o nosso, na verdade eu queria ilustrar a produção da vida nas ruas e sua relação com as drogas. Bem, acho que é isso : )
Belas "fotos". Preto no branco, como requer a documentação da realidade produzida e reproduzida pela exploração...
Belchior já alertara que "sons, palavras são navalha"
Como mais três, graças a vocês, aparenta:
"mate-me logo, à tarde às seis,
porque à noite tenho um compromisso e não posso faltar,
por causa de vocês..."
Muito bom, Mano Barba.
Se der um tempinho, passa na fila de edição/votação e dá uns palpites sobre a os três primeiros capítulos da minha primeira novela O dia do descanso de Deus. tá no prelo e sai em abril.
O convite é extensivo a manos e manas outras.
Opa,
Vou ler Adroaldo! Valeu a sugestão :)
Abraço!
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