Foto: une nuit en mer NãoSouEuéaOutra By Pérola
I
Aceito.
Aceito o destino contraproducente
Do lamber da aurora...
Perpassando o pedregulho como carne virgem e frouxa,
Aqui, o poema se humilha.
Prostra-se tal a plasticidade do lustre augorar
Implorando ao poeta a tênue timidez,
Porque inutilmente se excede como flâmula,
Faz o coração escoar seu precipício,
Foge pelo oráculo teso de Cristo:
- Dispersando apostolados.
- Escanchando rios de lagrimas, tantas...
A palavra recusa terra desnuda,
Assim como
A gana da glande abraça a morte do orgasmo,
A saliência gramatical transcende,
Poeira de longa estrada, o é.
Ai! Pudesse eu ser o carrasco
E fazer o umbigo rejeitar a palavra,
Obrigar o poeta a se acasalar com o vago-mundo,
Para não desletrar-se tal o molho de locução embalsamada;
Tal o betume das favas
Que insepulto mofa as nódoas recolhidas, se dá.
.......................
II
Pudesse o papel fugir do nada,
Vazio nenhum se daria ao toco do olhar,
Não se daria aos laranjais puídos, às cerejeiras narcisadas.
Não se daria ao lume do sal, à deformidade
Da língua, às madrepérolas de nádegas entreabertas mofentas.
Ai! Pudesse eu ser a vagem
E abastecer o abatimento do medo.
Pois flor nenhuma se daria ao insosso do ébano,
E nem se daria
Sôfrega de êxtase à constipação do viço,
Tampouco observaria a leguminosa da tarde
Escaldar os vômitos do burburinho da fuga.
.......................
III
Houvesse que remoer o medo,
É fato que eu me daria à alça de mira;
Dar-me-ia aos vermes-olhos neuróticos,
Às piedades acovardadas.
Não fosse a ponta do espinho assexuado,
Não me daria ao cimo do iceberg;
Dar-me-ia ao gozo das virgens.
Ai! Pudesse eu ser a garganta,
E engolir o passamento da mama-alma,
O asfalto que codifica da voz.
A devoção da gala remove a pusilanimidade da cor,
O vespeiro das luas;
O papel higiênico da idade.
.......................
IV
Aceito.
Aceito o chicote coercivo do mormaço.
Sacrifício frio e ovular,
Que lambe a palavra... Inutilmente se dá ao beijo compartido
- Arqueando-se em flor,
À medida que Cristo goza;
Entorna segredos escaldando tardes
De endemias repartidas.
Acato. E me daria ao floco de neve
Como a dúvida que se dá ao instante,
Exceto o beneplácito da espera,
A mudez da fala,
Álamo das mediocridades demolidas.
Ai! Pudesse eu ser a longevidade das coisas,
O sexo metamorfoseado do Colosso de Rodes.
Ai! Pudesse eu me dar trôpego de espera,
E ser a ejaculação da lubricidade da rosa,
Ser o confessionário dos mortos;
O duo lagrimar da eloqüência.
Benny Franklin
Pudesse o papel fugir do nada,
Vazio nenhum se daria ao toco do olhar,
Não se daria aos laranjais puídos, às cerejeiras narcisadas.
Não se daria ao lume do sal, à deformidade
Da língua, às madrepérolas de nádegas entreabertas mofentas.
Ai! Pudesse eu ser a vagem
E abastecer o abatimento do medo.
Pois flor nenhuma se daria ao insosso do ébano,
E nem se daria
Sôfrega de êxtase à constipação do viço,
Poema que perfura como agulha os dedos sem dedal, assim
és caro Benny...Bárbaro!
Quanto a Pérola, tem sempre o olho sensível e fico
feliz da exímia fotógrafa e artista estar emoldurando teu poema
Dois sensíveis, poderemos querer mais?
bjus
OS HF
Aceito adentrar essa pérola paraoara que não se desletra
ante o "o molho de locução embalsamada" do arrazoado mundo poético.
Meu olhar "puído" vê e ouve o "duo lagrimar da eloqüência".
Poema que transporta para fora e para dentro do ser poeta.
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