na tarde sombria que alarde
ouço por baixo dos panos sujos, ensebados
de suor e gozo
os gemidos frenéticos
vindos do quarto ao lado.
parece uma ladainha
cantada, gritada em latim vulgar
ou um grito rasgado de rito
de ave-maria barroca.
e mais tarde
sob o desvario frenético
da última trepa da noite
como açoite aos meus ouvidos
a sirene de uma ambulância
e de carros de polícia
cercam o casebre
debruçado na beira da estrada
solitária e vazia.
alguma coisa comia meu pensamento
entre o entra-e-sai de meu órgão copiosamente
inebriado no orvalho do sulco vaginal.
a prostituta vizinha
que gritava e gemia
encontra-se nua e estrangulada
no meu pensamento.
quando de súbito acordo e recordo
mentalmente de nada,
passou,
um sonho,
uma polução noturna.
Muito bom mesmo este teu trabalho, Pedro. Eu achei um expetáculo. parabéns.
Carlos Magno.
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